A Maldição dos Wolf - 20º Capítulo

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014
                               
                                              
                   20 Capitulo:
Dimitri...

Sons sobrenaturais estavam saindo da sala secreta, atrás da estante do meu quarto. Onde eu havia guardado as estatuas de nossos pais e conhecidos. Nossos corações estavam a mil e nenhum dos dois queria entrar na sala sem a presença de Destiny. Depois de tudo que ela tinha passado, ela tinha que estar presente nesse dia importante, mas ela estava esgotada demais e acabou dormindo de exaustão.


    Alexander olhou para mim e me cutucou com o cotovelo. Ele parecia desconfiado.

─ Acha que devemos? ─ Perguntou ele e dei de ombros.

Depois de tudo que passamos, tínhamos que descobrir o que estava acontecendo. Se não, não teria sentido algum.

 Mesmo dando para ouvir de longe um som de ossos sendo retorcidos ou algo parecido, se movendo lá dentro.

─ Não temos escolha.

Alexander deu um tapa em seu próprio rosto para voltar a sua sanidade.

─ Mas...Puta merda Dimitri. Tenho em vista entrar na sala e dar de cara com cães do inferno, prontos para devorar minha carne e defecar meus restos.

   Eu quase podia sentir uma ponta de nervosismo em mim mesmo, mas não havia o por que ter tanto medo já que ainda podíamos ser considerados seres sobrenaturais.

Coloquei minha mão em seu ombro e apertei o mais forte o que pude e Alexander se ajoelhou ao chão rugindo de dor.

─ Talvez eu faça isso que você disse. Seu pervertido. Não esqueci o que você disse para minha mulher.

   Alexander tirou minha mão de seu ombro com um tapa e girou seu corpo me dando uma rasteira.

─ Ah é?!Bem... ela não precisa ser sua mulher com a maldição terminando. Ela não é mais obrigada a aguentar a besta de The Wolf’s Hell! ─ Disse ele cheio de si. ─ Está se sentindo o gostoso de novo, mas os tempos mudam irmão. Ela não é como as garotas do nosso tempo. Ela não vai rastejar por sua atenção.

  Meu corpo se desviou de um soco e quando abaixei, criei impulso para lhe acertar no estomago.

─ Ela não precisa fazer nada. Eu posso faze-la se apaixonar por mim quantos vezes eu quiser.

Alexander ergueu o joelho e me acertou na coxa. Se eu não tivesse sido rápido o suficiente ele teria acertado em outro lugar...

   Um estrondo fez a parede do quarto tremer e pudemos ouvir gritos vindo as sala. Não ia ter jeito. Alexander e eu paramos de brigar e entramos na sala, ainda com tempo suficiente de ver a cena horrorosa de ver nossos conhecidos se contorcendo numa posição estranha enquanto sua aparência mudava. Embora isso fosse uma noticia boa, eles estavam voltando ao normal...mas era uma imagem horrível de se ver. Como aqueles filmes de terror onde a pessoa faz posições horríveis e sobrenaturais só para ver as pessoas se borrando de medo.

 Um por um foi caindo ao chão e levantando suas cabeças para olhar para nós dois. Nossa mãe nos olhou com uma certa raiva, como se quisesse nos dar umas palmadas e tinha certeza que quando estivesse recuperada, era exatamente isso que ela faria. Alexander tremeu só de imaginar a cinta de nosso pai.

─ Filhos queridos...─ Disse ela se levantando e desamassando seu vestido, criando uma pose aristocrática .

  Ela grudou com as mãos nas orelhas de cada um de nós e nos tirou para fora da sala.

─ O que faço com vocês dois, seus irresponsáveis?! ─ Ela gritou no meu ouvido e aquilo ardeu até minha alma. ─ Eu já não sou jovem, sabe como vai ser difícil cuidar da minha saúde? Sabe como minhas costas estão se sentindo?
Ótimas? Eu queria dizer, pois era isso o que parecia. Se abusasse , ela estaria melhor e mais forte que Alexander e eu juntos.

  Se ela estava assim, não queria nem ver a reação do meu pai.

─ Querida, não se esforce. ─ A voz do nosso pai veio do fundo da sala como se tivesse voltado do inferno. ─ Deixe isso para mim. ─ Mesmo as palavras sendo gentis, o tom de sua voz revelava seus planos malignos para nosso futuro castigo.

   Não importava se éramos criaturas sobrenaturais. Pais davam medo não importa o tempo que passasse.

─ Cães do inferno seria uma boa, não?! ─ Disse para Alexander e ele concordou.

─ Você nem imagina.

   Quando achamos que não ia ficar pior, nossos pais olharam para minha cama. Encararam Destiny e olharam o seu dedo com uma enorme aliança de família, minha família. Depois olharam para nossas mãos e viram minha aliança também.

─ Deus do céu! ─ Disse minha mãe largando nossas orelhas e levando a mão a boca como se tivesse me visto transformar em uma besta demoníaca.

 Olhei para ela massageando minha orelha.

─ Sobre meu casamento...

  Minha mãe apontou um dedo acusador para mim e olhou pronta para me atacar.

─ Como pode se casar sem a presença da sua amada mãe? Que filho cruel você é. ─ Disse caindo aos prantos e saindo do quarto com meu pai em seu encalço.

   Depois desse pequeno episodio bizarro. Nossos empregados começaram a sair de dentro da sala assustados e com as mãos nas costas por causa de dor.

Eu já estava me preparando para a merda do meu dia, mas Alexander parecia mais animado, pois ele me deu um tapa forte nas costas e sorriu.

─ É... Dia longo cara. Dia longo para você .

─ E você.  ─ Disse jogando minha cruz para ele também, mas ele fez que não com a cabeça.

─ Sou o irmão mais novo cara. O irmão mais velho que fica com a responsabilidade. ─ Com isso Alexander saiu do quarto me dando uma piscadela.

Eu ia chutar a bunda dele numa hora dessas. Bastava ter uma oportunidade.


                                                               ******

Destiny...

Acordei parecendo que tinha acabado de despertar de um coma profundo. Minha cabeça doía, meu corpo também, e me sentia como se tivesse trabalhado por meses sem dormir e sem comer. Até sentia como se meu estomago estivesse fundo de tanta fome. Culpa do Dimitri! Disse lembrando do modo idiota como ele havia me tratado nesses dias, por causa de ficar triste e irritada eu nem sequer tinha comido direito e só fazia quando Alexander me obrigava a comer. Só de lembrar daqueles dias minha dor de cabeça aumentava.

  Decidi ir ao banheiro e tomar um banho, quando terminei e fui olhar minha aparência quase dei um grito.

“ Você pensava que não ia ter um preço...” A voz de Melina invadia minha cabeça, mas na verdade aquilo era só uma lembrança das palavras dela. “ Você pensa que eu não tive que pagar por essa maldição...”  Deus !... Eu podia até ouvir uma risada irritante e malévola no fundo da minha cabeça!.

Minha pele estava sem duvida mais branca. Qualquer traço de um dia meu corpo estar no sol treinando horas no time de futebol, havia desaparecido. Minhas bochechas estavam coradas, mas era por uma possível febre e minha aparência estava visivelmente cansada e abatida. Fora que meus olhos não estavam mais com aquele brilho saudável e determinado. Eles estavam opacos e sombrios. Como se eu tivesse morrido e esqueceram de me enterrar.

    Quando entrei no quarto a sala secreta estava aberta e totalmente vazia. Dimitri e Alexander não estavam no quarto e tinha muito barulho ecoando para casa. Vários e vários passos podiam ser ouvidos em partes diferentes da casa.

Eles tinham acordado. Todos . Meus sogros, empregados, talvez até escravos... Será? Se Dimitri tivesse eu teria que avisar a eles sobre tudo que aconteceu nesses tempos, décadas ou algo assim...para eles ficarem espertos.

Só de pensar em ver o pai de Dimitri algo frio corria pela minha espinha. Quando eu lembrava que ele tinha me chamado de bruxa e se contorcido numa posição estranha.. Meu Deus. Eu tinha vontade de fugir. Toda garota se sente desconfortável ao conhecer os pais de seu namorado pela primeira vez, quer causar uma ótima impressão, mas isso? Não. Eu não me encaixa. 
Provavelmente eles me enxotariam de lá e diria obrigado, não volte sempre.

  Deitei na cama vestida com minhas roupas normais e fiquei pensando num jeito de meu coração e minha dignidade não saírem machucados disso. Mas nem sequer deu tempo e a mãe de Dimitri passou pela porta como um furação e sentou do meu lado. A primeira coisa que ela fez foi olhar para minhas roupas.

Isso. Não . É . Bom.

─ Por que ela esta vestida como um homem? ─ Ela perguntou olhando para Dimitri e nem ele, nem Alexander sabia o que dizer ao certo.

Olhei para ela e tentei inventar a desculpa mais plausível para ela.

─ Nos tempos de hoje é normal mulheres usarem calças e homens saia.

 Ela arregalou os olhos horrorizada. Talvez aquilo não tenha sido uma boa ideia, embora eu tenha achado hilário quando pensei. Mas... Se ela ia sair por ai e conhecer as pessoas da cidade ela tinha que ficar esperta com os caras de saia que tinham um “ponto” na cidade. Mas enfim. Uma coisa de cada vez.

Eu sorri cansada para ela.

─ Estou brincando . ─ Disse embora fosse verdade. ─ Mulheres usam calças atualmente. Facilita para elas fazerem suas atividades no dia –a-dia, correr, abaixar, etc. E é mais leve em comparação aos vestidos de antigamente. Devo ter uma revista no meu carro...

─ Uma mulher com um carro? ─ O pai de Dimitri disse se juntando na conversa.

Eu não queria parecer grossa, mas aquilo estava me deixando sem paciência . E Dimitri deve ter percebido pois ele tentou tirar seu pai e sua mãe do quarto.

─ Ela esta cansada e doente, vocês podem ir para outra sala e eu mesmo explico junto com Alexander sobre as evoluções que o mundo passou.
O pai dele ficou até nervosinho.

─ Está dando ordens para seu pai?. ─ Ele perguntou nervosinho e isso me fez lembrar do meu avô. Claro, que se ele fosse meu avô, eu teria mais paciência, mas eu não estava com muita naquele dia não. Eu estava. Muito. Irritadinha.
  
Dimitri tentou educadamente despachar seu pai, mas quanto mais ele tentava mais seu pai ficava irritada e falava besteiras. Até que algo explodiu dentro de mim e eu quebrei.

  Minha pele parecia estar em chamas e tinha algo errado com meus olhos, como se eu estivesse usando óculos para ver as pessoas de perto, e eu senti a batidas dos corações deles em meus ouvidos.

Eles me olharam assustados e eu rolei para o outro lado da cama enquanto meu corpo tremia.

─ Tire eles daqui Dimitri.

Dimitri não discutiu e os tirei rapidamente junto com Alexander, que foi trancado para o lado de fora junto a seus pais quando Dimitri viu uma oportunidade de ficar sozinho comigo.

─ Você esta estranha. O quê foi?  ─ Perguntou preocupado levantando sua mão para tocar meu ombro e eu recusei.

─ Me sinto estranha. Melhor você ficar com eles.

Mas ele não me deu ouvidos. Ele agarrou minha mão que suava fria e podia sentir seus olhos grudados em mim.

─ Eu fico. Você precisa de mim e estou preocupado com você .

E ira tomou conta de mim. Dimitri não estava sentindo o que eu estava. Desordem , descontrole, raiva e desespero. Tudo num corpo de uma garota só. Eu não sabia o que estava acontecendo, mas estava prestes a pirar.

 Tirei minha mão da sua rapidamente e a olhei horrorizada.

Dimitri me agarrou pelos ombros e me fez ser obrigada a encara-lo nos olhos. Dai eu vi, meu reflexo em seus olhos. Meus olhos estavam vermelhos , de uma cor viva como se tivesse em chamas. E não pude deixar de desviar o olhar quando ele me olhou assombrado.

Tentei esconder minha mão rapidamente, mas ele a agarrou com força e a encarou. Dimitri encarou minhas novas garras.

Eu o encarei envergonhada e sentindo repulsa por mim mesma. Agora que estava quase tudo dando certo... Quando tinha uma chance deles terem uma vida normal...

─ Pelo jeito você não é a única besta de The Wolf’s Hell.

  Dimitri me encarou e sorriu me abraçando.

─ Não me parece ruim. Tem alguém que conheço que esta muito feliz. ─ Disse ele fechando os olhos e ao abrir, eles estavam tão vermelhos quanto os meus.

─ Parece que a besta de The Wolf’s Hell achou sua alma gêmea, o que parece?


Dimitri não esperou uma resposta. Ele apenas sorriu e me puxou  para seus braços desesperadamente enquanto devorava meus lábios.


    
                       

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