A Maldição dos Wolf - 9º Capítulo

quarta-feira, 10 de julho de 2013

 Eu não podia acreditar no que estava me acontecendo ! Alexander “A Coisa” da parede, virou uma bolha nojenta acinzentada e caiu no chão como uma bolha da água e aos poucos foi voltando ao normal, normal que eu digo é uma forma humana. Ele não era muito diferente de Dimitri, os lábios eram iguais, carnudos, o formato dos olhos, mas a cor era diferente. Um cinza claro, vivo, lindo demais. Mas nada em Alexander me chamou mais atenção do que seu jeito “especial” de ser. Ele estava sorrindo, um sorriso maroto, sensual e tarado.

– Não precisam parar por mim. Depois de tanto tempo, Nós dois merecemos uma diversão. – Disse ele fazendo questão de dar ênfase em NÓS.
– E você é uma beleza ! Eu posso?! – Disse ele olhando para Dimitri, mas suas mãos postas em conchas bem a minha frente como uma insinuação se “ Me Deixe só dar uma apertadinha”...

– Vai para o inferno ! – Disse eu me retirando do quarto enquanto tentava fazer a camisa de Dimitri ficar mais longa para cobrir todo meu corpo. Eu não queria dar aquele tarado mais uma amostra do meu corpo.

    Olhei apenas por um momento para trás para ver se um dos dois vinha me dar um pedido de desculpas, mas só vi o corpo de Alexander ser arremessado para o cômodo da frente ao quarto onde tinha acabado de sair. O som do seu corpo batendo e arrebentando a porta fez um arrepio passar por minha espinha e quis saber se ele tinha se machucado... Dimitri apareceu surgindo da porta do quarto e indo atrás do irmão se postando a sua frente, ele olhou para mim e o irmão dele gargalhou. Uma gargalhada quase contagiante e eu teria rido se não estivesse em estado de choque.

– Não se preocupe Gatinha... Ele não pode me machucar nem se quisesse. Eu faço parte da casa.

   Eu não tinha intendido muito bem a resposta até a mão de Alexander ir para o batente da porta e começar a se fundir com o material. Em seguida ele bateu em Dimitri com sua mão ainda fundida na madeira fazendo o cair sobre seu próprio traseiro. Dimitri caiu e rosnou.

– Melhor se acalmar ou vamos ficar semanas nos batendo de novo e isso é – Alexander parou para respirar e arrumar seus trajes amassados. – Irritante.
   
Os dois se arrumaram e Dimitri ainda sem camisa acenou com a cabeça para mim para demonstrar que estava tudo bem. Sem ligar muito para os dois eu dei meia volta e fui para a mesa de jantar e peguei a garrafa de vinho tomando direto do gargalo .

– Não liguem para mim. Vocês tem... vocês e eu o vinho . – Disse dando de ombros. Eu queria enfiar minha cabeça debaixo da terra ! Alexander viu minhas “partes” partes que para inicio de conversa, eu não tinha que ter mostrado nem por todo o vinho do mundo para ninguém enquanto o vinho me dominava.  Eu só não sabia como eu tinha sido influenciada desse jeito ! Me entregar assim de primeira e agir daquele jeito, eu nunca tinha feito nada parecido, mas seja lá o que for... não era eu. Não era o vinho. Talvez fosse a maldição. Aparentemente ela deixa a todos literalmente fora de si ou talvez... fosse a pessoa que jogou a maldição... bem, não duraria muito de qualquer forma, pois o efeito durou pouco. Provavelmente me faria entregar meu corpo a Dimitri em seguida eu perceberia que algo estaria errado e pronto ! Dimitri triste , magoado e achando-se feio. ÓTIMO  ! tudo que eu precisava. Dois amaldiçoados e um que amaldiçoa . Perfeito. Claro que eu não poderia contar isso a nenhum dos dois, primeiro para não magoar, segundo por que a pessoa poderia estar ouvindo e fazer algo pior. Mais forte.
     
  Alexander tomou a garrafa da minha mão e tomou um gole fazendo seu papo de adão ter um destaque no sobe e desce. Não é a toa que foram amaldiçoados! Os homens Wolf não tinham lá muitos modos e não se controlavam em seu comportamento, isso era notável e não vou dizer nada em relação sobre eles serem malditamente sexys e másculos... e terem o cheiro muito bom. Sério. Será que o cheiro faz parte da maldição? Faz parte deles? Ou a pessoa quer que eu me sinta atraída pelos dois? Se eu pensasse muito no assunto e ficasse de olho nos detalhes, ficaria louca.

– Damas não deveriam tomar vinho assim – Disse fazendo um gesto com o dedo indicador fazendo que não, como se eu fosse uma criança que fez algo errado. Eu tomei a garrafa dele e repeti o mesmo gesto.

– Cavalheiros não espiam damas enquanto elas estão sem roupa e acompanhadas.
 Ele sorriu e revirou os olhos.

– Mas valeu cada segundo. – Dei a ele um olhar de reprovação e fui para o lado de Dimitri lembrando que estava nua debaixo da camisa dele e me escondi atrás de seu corpo.

– Estou cansada por hoje e ninguém vai me ver nua por um booommm tempo , então eu estou me retirando. – Disse começando a andar de costas para sair dali. – Boa noite Dimitri... Alexander. – E estava sendo muito sincera. Seja lá o que tenha ocorrido hoje, não iria se repetir e se fosse, seria pelos meus próprios atos.

     Entrei no quarto e tranquei a porta por dentro. Não que isso fosse segurar muito Alexander de entrar já que ele era A coisa da parede, mas acho que ele respeitaria já que Dimitri poderia muito bem passar semanas numa luta sem fim como Alexander havia insinuado .

     Me deitei na cama e cheirei a manta de Dimitri discretamente e rezei para que Alexander não estivesse vendo e contasse isso para seu querido e amado irmão. E mal senti quando peguei no sono.


***


– Feliz ? – Perguntei ao meu irmão tentando controlar a vontade de joga-lo pela casa. Eu estava tão perto... tão perto. Era como ter um filé mignon bem na minha frente só para meu irmão chegar e tirar de mim. Maldito seja ! A tanto tempo longe de uma mulher e ela estava lá bem na minha frente, mais que disposta a estar comigo como um sonho em seguida fomos despertados para o pesadelo.
  
  Meu irmão deu de ombros e sorriu revelando os dentes perfeitos.

– Você poderia ter fingido melhor. Por que teve que ficar me olhando, afinal, não seria a primeira vez que eu te olharia em ação.  Você não lembra as nossas aventuras em nosso tempo? Ao ar livre, sem pudores com as meretrizes?!

– Não esqueci, infelizmente. É só que ela é diferente...
  
  Eu não conseguia explicar, mas era isso que eu sentia perto dela, que ela era única, diferente, insubstituível .  Alexander revirou os olhos sem intender minhas emoções.

– Qual a diferença? Ela tem tudo que as outras milhares de mulheres tem, só faça logo e termine com a maldição.

– Eu não acho que isso funcione assim... Destiny precisa me amar, de verdade. Sem que eu precise jogar um jogo que não quero começar.

– Jogar? Santo Deus! – Disse ele controlando seu tom para que ela não ouvisse nossa conversa. – Nossos pais, empregados e parentes estão em piores condições que  nós, você uma besta, eu sou a “ coisa” na parede e eles fazer parte literalmente da casa! Mais do que eu! – Disse ele perplexo como se eu não estivesse em sã consciência e não soubesse de meus deveres.

– Você tem que intender, não posso obriga-la a fazer algo que ela não quer. Tem que acontecer naturalmente. E sobre nossos pais... sei que é difícil, mas tenha calma. Ela foi a única que quis ficar por livre e espontânea vontade numa casa amaldiçoada, com coisas amaldiçoadas. Ela perdeu seus pais também, eles não lembram mais dela, não vão procura-la. Ela esta esquecida no tempo tanto quanto nós. Então se aquiete . – Disse cansado do dia e louco para ter uma noite de sono ou um tempo em silencio só para mim. Passei a mão em meu cabelo exausto e sentei em minha cadeira vitoriana na sala de estar.
      
 Alexander me acompanhou sentando-se ao meu lado e levando mais uma garrafa de um de nossos vinhos, nessas horas era a que mais precisávamos de bebidas.

– Eu não gosto de ficar preso. Não gosto de tentar ficar com uma garota e descobrir que ela nem sequer se lembra de meu rosto no outro dia, eu quero alguém para ficar o resto de minha vida normal. Ficar velho, ter netos e morrer. Parece triste essa parte, mas eu daria tudo para ser como era antes.

    Era triste ouvir isso dele e ainda assim eu o compreendia. Eu queria poder estar na presença de uma mulher sem precisar controlar minha força, meus sentimentos. Essa noite tudo ocorreu bem na medida do possível, mas eu não sabia o que poderia acontecer nos próximos dias... eu poderia ficar selvagem, machuca-la e tudo estaria perdido. Eu seria um monstro para ela e teria que viver com minha maldição sozinho, com meu irmão e mais ninguém.

– Eu intendo. Eu queria não ser animalesco as vezes.
Ele riu. Um sorriso suave e brincalhão e sabia que ele fazia isso para acalmar a tensão que estava na casa.

– Tem mulheres que adora coisas selvagens.... – Disse ele para depois tomar um longo gole de vinho – Destiny parece gostar .

 Eu retribui o sorriso.

– Por via das duvidas é melhor ter muito vinho.

*****


   Ele estava feliz e esperançoso e isso não estava nos planos. Ele tinha que aprender, tinha que sofrer pelo tempo que eu achasse conveniente e agora essa garota mudara tudo. E eu não tinha previsto isso , que era quase impossível de acontecer. Essa cidade caminha sobre meus comandos, minhas cordas. A cada mulher que Dimitri trazia com esperança que uma delas o amasse era como um banquete de felicidade para minha alma. Elas o repudiavam, ficavam enojadas com sua forma peluda, seu cheiro selvagem, seus modos brutos. Elas gritavam, pediam ajuda e o xingavam de todos os nomes inimagináveis e isso fazia sua angustia, seu sofrimento e solidão crescer. Não existia nada mais horrível para um homem no que ser repudiado por uma mulher. Ser uma criatura que não merece nem sequer pena, apenas ódio e repulsa e consegui fazer isso com sucesso... até a garota chegar.
     O plano era Dimitri ficar sem controle e acabar mostrando sua forma a ela e a machucar, assim ela o temeria e tentaria de tudo para sair da mansão e ir para longe dele, mas isso não aconteceu. Depois pensei em esquentar as coisas, encher o coração dele de esperanças e felicidade por uma mulher o querer para depois a garota acordar do feitiço de desejo e dispensá-lo, porem, novamente algo saiu errado. A garota não tinha agido como eu desejara . E eu não gostava nada disso. Os deixaria em paz nos próximos dias, mas voltaria e quando o fizesse nada iria deter minha fúria e eu não teria um pingo de piedade. Dimitri A . Wolf me pagaria com o sangue nem que eu precisasse usar a garota e suas esperanças para isso.
  
  Um sorriso maligno cruzou meu rosto e de repente veio uma ideia perfeita para atingir meus objetivos. “ Tenha esperanças Dimitri, aproveite sua rameira .” – Disse em pensamentos. “ É exatamente o que eu preciso, que você a ame .”




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