A Ceifadora - 16 Capítulo

sexta-feira, 26 de julho de 2013
              



    Me virei para ficar cara a cara com Sebastian  e esperei alguns minutos para ver se ele tinha alguma reação. Depois de ver que ele estava realmente dormindo eu coloquei minha mão em seu pescoço e coloquei meu rosto colado ao seu. E me espantei em ver em como era fácil entrar na mente dele, fácil até demais para meu gosto, mas acho que se eu fizesse direito ele não iria perceber meus planos reais.

     Comecei com algo leve sem muitos efeitos especiais , era somente a imagem de Sebastian e eu na cama, ele rodeando minha cintura com seus braços e cheirando meu cabelo. Eu não queria admitir, mas a cena não me incomodava, até mesmo parecia como se fosse certo e não deixei o sentimento me distrair. Se Sebastian estivesse no meu lugar ele faria o mesmo ou até mesmo melhor, pois ele era mais frio e forte. Depois dessa cena o meu “eu” ou minha ilusão despertou e roçou meu corpo com o dele e isso o fez acordar e ter a nítida impressão que eu estava tentando e conseguindo, o seduzir. Seu rosto levantou ligeiramente para olhar meu rosto e nessa hora fiz o mesmo enquanto ele colocava sua mão em meu rosto e me beijava, um beijo lento, provocante e romântico, Tão intenso que eu podia sentir meu corpo tremer. Passei a mão sobre suas costelas e fui até suas costas passando as pontas dos dedos num movimento de cima para depois descer lentamente pelo seu corpo, desça vez foi ele que tremeu ligeiramente e ele repetiu o movimento com meu corpo. Eu gemi num sussurro e isso o encorajou a tentar tirar minhas roupas e eu não cedi nem por um instante, tudo que eu fiz foi ajuda-lo a tirar cada peça enquanto eu o olhava nos olhos, sempre sem nem sequer ousar em desviar o olhar. Depois que eu estava nua eu me sentei sobre ele e o beijei, dessa vez com mais ousadia e mais urgência , assim ele saberia exatamente onde estava meus pensamentos.
     Minha mão segurava uma mexa dos seus cabelos e a outra estava agarrada em sua cintura o forçando  a ficar o mais perto o possível de mim e ele fazia o mesmo comigo, agarrando minha cintura com as duas mãos para depois erguer o meu traseiro e se enfiar em mim.

    Se eu não soubesse que era uma ilusão eu teria gritado nessas horas, não de pavor, mas de surpresa . O movimento foi tão rápido que nem sequer tinha percebido o que ele ia fazer e pensei que talvez no livro do Ceifador deveria vir uma parte escrita: “Esse poder faz com que a pessoa sinta o que esta fazendo.” Por que foi exatamente o que tinha sentido, Sebastian dentro de mim, forte, duro e grosso. Do jeitinho que ele sempre era e é.

− Minha nossa! – Disse agarrando mais forte do que deveria sua cintura. Era como se minha pele tivesse sido esticada para acomoda-lo, mas não era doloroso. Na verdade... era exatamente o oposto disso.

    Sebastian agarrou minha cintura e comandou a situação toda me mostrando exatamente o que tinha que fazer e comecei a cavalga-lo em movimentos lentos. Tudo estava perfeito, prazeroso com nossos corpos colados até algo começar a dar errado. Eu estava perdendo o controle da ilusão e ela estava fluindo sozinha.

     Meu corpo começou a se mover mais rápido  e pude sentir Sebastian tremer e depois de uns instantes ele me agarrou novamente pela cintura e virou seu corpo ficando sobre mim. Seus movimentos erram rápidos e as estocadas duras o suficiente para a cabeceira da cama começar a bater na parede.

− Você não sabe o quanto esperei por isso. – Disse ele quase emotivo e quis dar uma resposta, mas não pude. Oh, algo estava errado e eu perdi o controle.

          Sebastian agarrou meu cabelo e enterrou seu rosto em meu pescoço para abafar um gemido e mal pude controlar o meu e tive que morder meu próprio lábio . Quando isso acabou eu nem sequer estava mais lá.


        Eu estava novamente com as luzes fortes sobre meus olhos e não conseguia ver nada ao meu redor , somente ouvir.

− Você disse que ela estava gemendo? – Disse uma voz grossa e um pouco envelhecida. – Acho que ela esta voltando a si aos poucos, mas esta sentindo muita dor...

− Você não pode dar algo para que ela fique melhor. – A voz familiar disse. – Não quero vê-la assim...

“Johnny?” – Tentei dizer, mas nenhum som veio da minha boca.

− Acho que vamos ter que ceda-la de agora em diante. – Disse por fim. – Se ela esta acordando é melhor ela estar inteira quando isso acontecer.

    A luz se apagou e depois de uns minutos eu pude ver os borrões que eram as pessoas em volta de mim. Minha cabeça estava doendo como o inferno e desejei que eu morresse logo para acabar com a dor, mas dai lembrei que já estava. Mas então por que a dor? Por que passar por isso? Qual a finalidade? Ai me veio o pensamento que eu estava sendo punida pelos meus pecados. E o maior deles era a gula, sempre fui comilona , comia quando estava triste, sozinha e quando estava nervosa e depois que meu pai tinha morrido esse foi meu maior pecado fora a raiva. Eu xinguei e tratei mal muitas pessoas quando eu estava sofrendo e não me orgulhava por isso, mas achei que todos iam entender do por que disso. Estava cansada daquele monte de pessoas vindo em casa e perguntando para nós o que tinha acontecido e nos forçando a contar os detalhes. Contar que eu tinha encontrado meu pai desmaiado, que eu estava sozinha e sem ninguém em casa, que pensei que era uma brincadeira de mal gosto por que isso não poderia estar acontecendo e que talvez ele estivesse brincando comigo, mas lembrei que meu pai sempre odiou brincadeiras sem graça e nunca faria isso comigo. Contar que eu vi seu pulso, seu rosto sem cor e sem vida, contar que eu chorei abraçada a ele pedindo para ele voltar e esperar que acontece um milagre e que eu liguei varias vezes para a emergência e que eles demoraram o que parecia uma eternidade. Contar que eu tentei ligar para meu tio vir e me ajudar, mas que estava tão nervosa que liguei errado varias e varias vezes até me dar conta que algo estava errado. A única coisa que eu não tinha contado a ninguém era que eu tinha sonhado que isso ia acontecer um dia antes da morte dele acontecer, e que não tinha dito que a ninguém que botaram meu pai morto em minha cama até a equipe do enterro chegar e como foi difícil dormir no meu quarto nesses dias só para acordar depois chamando ele no meio da noite.

  Sim. Eu maltratei as pessoas depois disso pois estava cansada. Cansada de chorar, cansada de dar explicações, detalhes que eu não queria dar e também cheguei a distribuir uns tapas em quem precisava como fiz com minha madrinha e uns conhecidos. Alguns foram no enterro e ficaram conversando, outros ficam ao longe rindo de algo que não tinha nada a ver com meu pai, outros ficavam dizendo que eu deveria não ter sido tão boa ou que minha mãe não foi. A eles vieram mais perto de mim e eu não aguentei. Talvez estivesse pagando por isso mesmo não achando justo.

    Minha cabeça parecia estar dividida ao meio e minha bílis subiu e mal conseguia me controlar direito. Estava frio e por mais que eu pedisse ajuda ninguém vinha, só ficava aquele monte de borrão em minha volta me olhando.

  Chamei por alguém novamente e como se fosse um milagre eu voltei. Tremendo, sentindo o frio até na alma eu me agarrei a Sebastian só para depois perceber que nós dois estávamos nus e que ele estava suado.

                                                                                    ****


   Eu não queria perguntar nada, eu não queria saber de mais nada a não ser tirar o frio de mim e quando entrei em desespero eu comecei a chorar e Sebastian me abraçou preocupado segurando meu rosto em suas mãos e perguntando o que estava de errado.

− Eu não sei o que esta acontecendo. – Disse puxando o máximo de ar que conseguia. – Eu vou parar em outro lugar mesmo não querendo, é frio e tem luzes fortes e doi tanto e não sei como fazer parar.

    Seus olhos se estreitaram e agora ele parecia muito mais preocupado que antes, mas ele não disse nada. Sebastian me abraçou e começou a cantar em italiano. Eu achei que conhecia essa musica, mas não conseguia lembrar da onde.

− Eu vou dar um jeito. – Disse ele. – Você não vai passar por isso de novo, eu prometo. – E olhando em seus olhos eu não tinha nem uma gota de duvida que ele cumpriria sua promessa.


                                                     *****

      Tínhamos passado uma ótima noite, na verdade era mais que ótima. Perfeita e surpreendente. Eu tinha sentido Anita se mexer abaixo de mim e não tinha acreditado no movimento ate olhar em seus olhos e ela começar a me beijar e acariciar e depois nós fizemos. Tivemos nossa primeira noite e por sua própria iniciativa. Primeiramente achei que ela estava fazendo isso enquanto dormia, pois seus movimentos eram delicados e lentos, mas depois que me afundei nela e ela teve que conter um gemido, mudei minha linha de pensamento. Quando finalmente tivemos nossa liberação Anita amoleceu debaixo de mim e pensei que ela estava dormindo até seu corpo começar a desaparecer debaixo de mim e eu começar a entrar em pânico. Era exatamente como das outras vezes. Era como se ela estivesse morrendo bem em minha frente e eu não pudesse fazer nada para parar, nada para impedir. Demorou o que parecia ser um milênio até ela esboçar alguma reação e quando teve pensei que ela ia me xingar de ser tarado ou algo assim. Pelo menos se ela o tivesse feito eu teria uma resposta a altura para rebater, mas dai ela disse ao invés.

− Eu não sei o que esta acontecendo. – Disse puxando o máximo de ar que conseguia. – Eu vou parar em outro lugar mesmo não querendo, é frio e tem luzes fortes e dói tanto e não sei como fazer parar.

      Franzi o cenho preocupado e sem saber o que dizer para acalma-la . Então comecei a cantar uma musica que mais para frente ela iria lembrar de onde era.

− Eu vou dar um jeito. – Disse ele. – Você não vai passar por isso de novo, eu prometo. – Disse sabendo que eu teria que rebolar para isso acontecer, mas que faria. Eu tinha uma teoria do por que isso estava acontecendo com ela, talvez o meu pesadelo estivesse acontecendo e não houvesse um jeito de parar. O mundo estava clamando por Anita e estava tentando tirar ela de mim, mas não conseguia imaginar meu mundo sem ela. Meu mundo não ficaria sem ela, não sabia por que, mas só sabia que isso não aconteceria, não se eu pudesse evitar.

      Esperei ela dormir e levantei. Eu tinha que dar uma volta e ver como as coisas estavam e  descobrir se Mike descobriu a cova daquela cobra. Ela tinha fugido e viria atrás de vingança, provavelmente usaria Anita e eu tinha que evitar. Se eu tivesse sorte... tudo isso seria culpa dela e quando a capturasse e arrancasse sua cabeça, tudo isso terminaria e eu e Anita ficaríamos juntos sem mais intervenções. 


                 

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