A Ceifadora - 14 Capítulo

quinta-feira, 18 de julho de 2013

                 



Rafael me olhou como se eu o tivesse afrontado.

− Sou considerado o melhor deste tempo e já protegi muitas vezes seus antepassados. – Disse orgulhosamente. Coisa que eu não dava a mínima.
   
Me sentei na cama e bati na parte ao meu lado para ele se sentar.

− Quem tem que estar irritadinho aqui, este alguém sou eu. – Disse eu um pouco irritada. Algo me dizia que ele não estava ali simplesmente por que teve uma saudade sobrenatural ou por que estava tudo bem.

− Você não esta aqui por que esta com saudades.

− Não temos saudades. – Disse se referindo a sua espécie e tive que revirar os olhos.

− Oh sim, isso é para os fracos. Então me diga o motivo.

− Você tem que esquecer o que esta tentando descobrir. Você esta mudando o destino de outras pessoas..

    Destino, pensei com um certo humor negro. Que merda de destino é esse, e também... que destino é esse que me deram? Ficar morta do outro lado com ceifadores? Esta certo ! até que é legal as coisas que eles fazem , mas fazer isso por toda a eternidade? Não. Eu não. Levar almas para o outro lado e ver as pessoas morrerem, oh desculpe, não nasci para isso.

− Por que não posso mudar o destino dos outros se mudaram o meu? E eu sei que você sabe alguma coisa. Então diga – Disse apontando um dedo acusador para ele. Suas feições mudaram e ele estava visivelmente zangado.

− Sou seu guardião! Você deveria confiar mais em mim..
  Revirei meus olhos e ri.

− Confiar? Em alguém que nem ao menos conheço?! Me poupe. Você poderia ser o demônio em pessoa que eu não ficaria sabendo. Eu não confio em ninguém além de mim. Desculpe.

    Ele pensou um pouco e passou a mão pela gola de sua camisa e tirou um colar com um pingente em forma oval com um brilho que lembrava sol, um colar igual ao que eu tinha ganho dele.

− Tem alguém que sei que você confiaria... – E antes que pudesse dizer algo uma luz forte veio até nós e eu já não estava no quarto de Sebastian.

      Eu deveria ter dito ao meu “Guardião” que eu não suportava quando as pessoas ficavam me arrastando de um lado para outro e principalmente me levando para lugares desconhecidos, porem infelizmente, os homens que me cercavam não pareciam dar a mínima para isso. Fomos parar num lugar lindo e montanhoso, o céu estava azul e pássaros cantavam. Tinha uma cachoeira do qual prometi a mim mesma não chegar perto por motivos pessoais logicamente e tudo era tão verde. A grama, as arvores e tinha muitas flores.

     Queria saber que tipo de ilusão era essa. Estava certo que o lugar era lindo, mas não daria para confiar muito, pois as vezes a mente engana. Rafael se posicionou ao meu lado e sorriu para mim orgulhoso como se tivesse feito a 9º maravilha do mundo e isso me fez querer dar as costas para ele e ir embora, mas logo avistei uma pessoa muito conhecida. Na verdade... era a pessoa mais importante para mim.
     Uma cabeleira castanha e olhos verdes esmeralda olharam para mim como se estivesse imaginando coisas, em seguida se aproximou para ver se não estava ficando louco e por incrível que pareça, fiz o mesmo.

− Pai? – Disse olhando uma versão mais jovem do meu pai. Era impossível de não reconhecer sua presença, acho que mesmo que tivesse minha cabeça  dividida em duas, eu conseguiria reconhece-lo.

      Ele sorriu e me abraçou . Emocionada eu devolvi o abraço e passei a mão em seus cabelos onde em vida ele não tinha. Era uma sensação engraçada, era como se ele tivesse apenas tirado férias e feito um implante. Com lagrimas nos olhos de ambos nos afastamos e depois de um momento ele ficou chocado.

− Como você pode estar aqui? E sua mãe? – Perguntou confuso e preocupado. De repente ele arregalou os olhos. Uma mania conhecida quando ele estava nervoso. – Você morreu ? Deus do céu! Eu deveria...deveria estar lá, proteger você! E você... – Disse ele apontando um dedo acusador em Rafael e ele teve a mesma reação que havia tido comigo, se achando injustiçado. 

– Você disse que  protegeria minha filha e que eu poderia ficar em paz !

      Rafael arregalou um pouco os olhos com a atitude de meu pai, obviamente, ninguém tinha falado com ele assim antes.

− Eu estou tentando protege-la , mas parece que você não conhece sua filha ! – Disse ele como se me conhecesse a vida toda, o que poderia ser ou não verdade.

− Não fiz nada de errado! – Me defendi . – Não é minha culpa se todo mundo esta me escondendo algo... falando nisso, digam logo o que esta acontecendo.

   Os dois se entreolharam mandando informações com os olhos e percebi o que era. Eles estavam perguntando entre si se eles poderiam ou não me contar. Eles optaram por contar.

− Tem algo errado do outro lado e queremos você fora. – Rafael disse e eu poderia ter rido na cara deles com essa informação inútil.

− Não estou me metendo em nada do outro lado ! Só fui dar uma voltinha inocente ... – Disse, mas não surgiu efeito. Rafael me olhava como se já soubesse que eu estava mentindo e fazia questão de me ver mentir mais para prolongar minha vergonha.

− Conheço você desde que nasceu, sei que tem algo a mais ai.

   Estava cansada e queria ir embora nem que desse de cara com Sebastian. Eles não iam me dar a informação que eu precisava e tudo que queriam fazer era olhar um para o outro e dizer o quanto eu gostava de me meter nas coisas dos outros, mesmo não sabendo se eu estava ou não.

− Me diga logo a coisa que quer me dizer e me deixe a sós com meu pai.

      Rafael olhou para meu pai e disse:

− Melhor vocês se falarem. – E saiu de cena me deixando a sós sem outra explicação.

     Meu pai pegou minha mão e me levou para um passeio e paramos num canteiro rodeado por flores. Eu avistei umas margaritas e agarrei algumas me lembrando de algumas coisas desagradáveis.

− Enterraram você  rodeado de margaridas... – Disse ao meu pai lembrando de sua imagem no caixão com seu corpo deitado sobre minhas flores preferidas. E mesmo com ele ao meu lado, tinha vontade de chorar.

− Eu estava lá. – Disse me abraçando enquanto eu chorava em seus braços. Estava triste por que ele tinha morrido, e mesmo ele estando ali... era algo estranho. Como um sonho que parece realidade e você não quer acordar, mas sempre acorda na melhor parte.

− Eu queria ter te desejado boa noite, ter te dado pelo menos um abraço ou dizer eu te amo antes de você morrer, mas não fiz e fico pensando nisso todos os dias... – Ele olhou para mim tentando me acalmar.

− Eu sei. Também morri sem conseguir dizer nada ou me despedir de vocês , mas olha. Estamos aqui, juntos e ... Preciso que você fique forte.

− Forte? – Perguntei. Ele confirmou com a cabeça e me deu um beijo na testa.

− Fique forte, não confie em ninguém de fora e tudo vai voltar ao normal. Mas não tente  descobrir coisas demais filha, tem coisas que são melhores enterradas e esquecidas.

   Eu concordei mesmo sem saber do que ele estava falando e logo Rafael voltou e  me despedi de meu pai. Quando Rafael e eu estávamos longe das vistas de meu pai eu disse.

− Não sei o que vocês querem que eu deixe quieto. – Disse agarrando o braço dele com o meu. –Eu não fiz nada de errado, só quero saber o por que vim parar aqui.    Ele não ligou de estar agarrado comigo e continuou.

− Na hora certa você vai saber, só quero que lembre. Use o colar que te dei. Ele protege você, deixa você forte e sei que você não o esta usando.

    Abaixei a cabeça envergonhada. Eu não tive tempo de usa-lo ainda e não sabia por onde começar.

− Usarei da próxima vez.

− Não deixe ninguém ver e tome cuidado. Não posso te proteger como gostaria com você deste lado.

    Eu entendia o que ele queria dizer. Ele conseguiria me proteger mais se eu tivesse do lado dos vivos. Anjos protegem os vivos não os mortos.

− Vou me cuidar, mas preciso que você me diga de que ou de quem.

− Quanto você menos saber melhor. Só sei que tudo vai dar certo e que você pode proporcionar isso. Um final feliz para todos.

  Seu olhar era tão intenso que quase podia me sentir um pouco apaixonada por ele. Talvez por que pessoas fortes e misteriosas davam um certo charme em nossas vidas, mas isso era errado. Ficar atraída por anjos é errado! Disse a mim mesma, mas era difícil quando seu anjo da guarda fica todo misterioso dizendo que só você pode dar um final feliz. E que ele gostaria de te proteger mais , mas não podia.

− Vou dar o meu melhor. – Prometi e ele repetiu o movimento de meu pai e me beijou na testa.

− Pense numa boa desculpa.

   Antes de perguntar o que ele queria dizer com isso eu acabei descobrindo isso por conta própria. Quando voltei para o quarto de Sebastian do mesmo jeito que tinha saído de lá, Sebastian estava me esperando com a expressão seria e com seus olhos em modo Ceifador. Olhos brancos e poderosos olhando para mim.

− Onde você estava? – Ele perguntou e desejei ter uma desculpa rápida, bem rápida.




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