A Maldição dos Wolf - 22º Capítulo

quinta-feira, 6 de março de 2014
                          
                                 
                 22 Capitulo
Eu estava sentindo algo estranho, um pressentimento ruim. Uma urgência, como se eu tivesse que fazer algo rápido, mas não sabia o que era exatamente. 
     Foi quando pude jurar que tinha ouvido a voz de meu pai gritando meu nome ao longe, ao vento, igual como os pais fazem quando estão putos da vida e não sabem onde estamos, mas tinha a impressão que aquilo grito tinha vindo de minha mente e não do lado de fora, nas redondezas da mansão Wolf.


    Fiquei quieta para ver se ouvia alguma coisa novamente, mas através da minha nova, super audição, só pude ouvir o som da brisa, dos galhos das arvores e da água , vinda do lago da mansão e as conversar que vinham de dentro da casa. Todos estavam muito alvoroçados.

    Dimitri e eu saímos do quarto e Alexander movimentou seus lábios em nossa frente, sem fazer nenhum som humanamente audível, mas afinal de contas, éramos agora uma família com um casal realmente demoníaco dentro dela, então, ouvimos cada palavra perfeitamente. Não que ele soubesse que eu podia.

─ Vocês são barulhentos cara. ─ Disse ele esboçando um sorriso travesso ao seu irmão e me dando uma piscadela que me fez enrubescer.

     Tentei não demonstrar minha vergonha, então tentei desviar um pouco do assunto. Olhei para Dimitri serio e ele entendeu minha mensagem só de me olhar. Ele fez um sinal positivo com a cabeça.

  Alexander me encarou percebendo que estava perdendo alguma coisa e ficou serio, ergueu suas sobrancelha nos questionando.

Eu dei de ombros e falei:

─ Estou amaldiçoada também. ─ Disse como se isso acontecesse todos os dias. ─ Sou uma besta demoníaca agora. ─ Gesticulei a ele e no começo ele não acreditou, depois de alguns segundos a ficha caiu e ele pareceu se sentir culpado.

  Alexander me abraçou e sussurrou um “sinto muito” em meu ouvido, antes de Dimitri nos separar e a cabeça da mãe de Dimitri aparecer no corredor.

─ Ai está você ! ─ Disse ela apressada agarrando em meu braço. ─ Tenho que conhecer minha nora, já que meu filho não esperou a presença de sua mãe para se casar. ─ Disse ela parecendo indignada e dando um olhar reprovador para Dimitri.

Alexander cutucou seu irmão e sorriu e Dimitri limpou sua garganta antes de devolver a ele um olhar de mal humorado. Dimitri olhou para sua mãe e respondeu:

─ Você era uma estatua de mármore. Não tinha ideia de quanto tempo você permaneceria assim. E você sabe... eu odeio esperar. ─ Sua mãe revirou os olhos e bateu o salto de sua bota no chão.

  Embora ela fosse adulta e mãe de dois marmanjos, ela tinha traços jovens , um corpo esbelto e muito bonito. Cabelos loiros e olhos verdes como Alexander. Sua pele era incrivelmente branca e chegava até dar um pouco de inveja. Ela aparentava ter no máximo uns 35 anos. Se alguém a visse na companhia de Alexander, qualquer um poderia imaginar que se tratavam de irmãos.

  Ela apontou o dedo e fez uma carranca para seus filhos.

─ Isso! Dê desculpas esfarrapadas para sua mãe . ─ Ela disse e eles reviraram os olhos. Eu disfarcei meu sorriso. A cena não era mais do que divertida, vendo dois caras enormes sendo reprendidos por sua mãe que tinha metade de seus tamanhos. Até eu era maior que ela.

  A mãe dele me puxou pelo braço para dentro de um escritório pequeno do qual eu nunca tinha entrado, por falta total de interesse e fechou a porta, nos trancando lá antes mesmo que eles tivessem chance de nos seguir. Só depois que estava dentro que percebi que o pai deles, também se encontrava lá.

O pai de Dimitri era exatamente uma versão dele mais velho, mas também, mais intimidador e menos acolhedor. O pai de Dimitri tinha o ego de um rei.

  Os dois se sentaram em duas cadeiras vitorianas atrás de uma mesa , que se localizava em frente a janela coberta com cortinas brancas e me sentei em frente a eles, como se estivesse em uma entrevista de emprego. Eu nunca tinha ido em uma, mas tinha ouvido que não era agradável e muitas vezes, eles faziam pegadinhas, fazendo perguntas que sabem que você não pode responder.

    Eu estava nervosa e faminta, isso já era o suficiente para sentir o desconforto de minha parte demoníaca, embora eu não tenha me transformado completamente, pelo pouco que tinha experimentado a pouca horas atrás... eu já sabia o que poderia aguardar futuramente.

   O pai deles limpou a garganta e inclinou sua cabeça a sua frente enquanto segurava  a mão de sua mulher. Dava para ver que ele tinha muito carinho por ela.

─ Me desculpe por aquele dia. ─ Disse se alinhando na cadeira e voltando a sua pose. ─ Eu tinha visto Melina muitas vezes naquele dia e queria alertar meus filhos. Quando tive a oportunidade, só consegui pronunciar “ bruxa”.

Embora aquilo fosse um alivio, ele não sabia o quanto estava certo.

─ Está tudo bem. ─ Respondi entrelaçando meus dedos. Uma característica irritante de minha parte quando estava nervosa.

 Embora os pais deles não aparentasse saber da verdade. Que além de bruxa, eu era nada mais e nada menos, que uma parente distante de Melina. Decidi não arriscar e acabar contando isso a eles, se dependesse de mim. Eles nunca chegariam a saber. Isso também me levaria muito tempo para explicar e eu podia sentir o tempo escorrendo por entre meus dedos, como se fossem grãos de areia.

   A mãe deles sorriu e olhou para seu marido com ternura e depois para mim, só que de um jeito desconfiado.

Sogras....

─ Sou Tatiana, Mãe de Dimitri e Alexander. ─ Disse se apresentando, em seguida ela ergueu sua mão e colocou no ombro de seu marido, o mesmo segurou sua mão que ainda estava em seu ombro e sorriu educadamente.

─ Esse é meu marido Alejandro Wolf.

   Meu estomago se revirou e sentia vontade de sair daquele lugar. Eu nunca me senti daquele jeito. Angustiada e ansiosa, me sentia mal e isso piorava quando pensava em como ia me apresentar. Se eu dissesse meu sobrenome de solteira, talvez eles ligassem os pontos e descobririam que sou parente de Melina. Então , tentei resolver isso do modo mis fácil  e rapidamente o possível.

─ Sou Destiny Wolf. ─ Disse finamente. ─ Esposa de Dimitri Alexander Wolf.

 Eles pareceram satisfeitos por eu ter usado o nome Wolf com tanto orgulho e iniciaram o interrogatório, com varias perguntas difíceis de responder, isso por que elas precisavam de informações demais para responde-las e também queria palpa-los de certos detalhes. Mas depois percebi que eles eram espertos e calculistas. Eles sabiam exatamente que tipo de pergunta e como faze-las. Ambos pareciam estar com suas mentes interligadas.

   Fui obrigada a contar sobre o que os garotos passaram com a maldição e como tentaram resolver. Tive que contar sobre as moças que Dimitri mantinha desesperadamente, na esperança que uma delas se apaixonasse por ele e quebrasse a maldição.

   Eles pareceram chocados e sentidos pelo seu filho ter sofrido tanto.

Contei que tinha invadido a mansão, pois minha amiga estava desaparecida e eu tinha descoberto onde ela se encontrava antes que a maldição exercesse seu poder e me fizesse esquece-la. Acebei libertando as moças e minha amiga, prometendo ficar com Dimitri por livre e espontânea vontade , me incluindo na maldição instantaneamente. Me fazendo prisioneira da maldição sem chance de escapar, diferente das outras moças que viviam trancadas exatamente por isso.

─ Bem...─ Ela começou se fixando em mim. ─ A maldição está terminando, não? ─ Disse ela. ─ Como posso saber se você não vai deixar meu filho? ─ Perguntou tratando logo de saber o futuro de seu querido filho, mesmo tendo noção que seu filho tinha sido amaldiçoado por ser um Dom Juan de quinta, e ainda por cima, passou todas suas noites desde que tinha aprendido a usar seu pinto, em bordeis .

Mas mãe , é mãe.

─ Eu amo o filho de vocês . ─ respondi , mesmo tendo chances de Dimitri só ficar comigo até a maldição terminar de verdade, pois dai ele voltaria a ser normal e ter completo controle sobre suas ações. E logicamente que quando Dimitri dessa a cara na cidade, todas as piriguetes tentariam alguma coisa com ele.

Eu em forma bestial então... não teria controle sobre minhas ações.

Tatiana parecia feliz com a resposta, assim como seu marido. Consegui ouvir os movimentos de Dimitri lá fora, ele tinha ouvido tudo e parecia nervoso com cada resposta que eu dava, mas pelo menos parecia feliz. Depois disso, Alejandro me fez a famosa pergunta.

─ Como você conseguiu desfazer a maldição?

  Respirei fundo novamente e tentei arranjar uma resposta que fosse verdade, mas não completamente.

─ Melina tinha dito que, Um coração puro e um amor verdadeiro pode desfazer a maldição. ─ respondi sem dar mais detalhes e eles mudaram de assunto rapidamente, já que estavam mais do que satisfeitos de ficarem a par de tudo.

    Ela começou perguntando quanto tempo eles tinham ficado de fora de tudo e chutei uns 150 anos, mas isso só Alexander e Dimitri podiam responder com precisão. Me perguntou sobre o tempo atual e comecei por roupas, direitos das mulheres, empregos, empreendimentos e quando fui ver, já estava ficando rouca de tanto falar, isso por que eu nem tinha terminado de falar sobre as tecnologias, que são o assunto que mais gosto depois de livros.

   Tatiana me pareceu interessadas quando falei das roupas e de como agora elas são mais leves e uteis para o dia-a-dia e ainda por cima podem ser sexys e atraentes sem ser vulgar, claro. O pai de Dimitri não gostou da ideia, então peguei Tatiana pela mão e a puxei para fora do escritório.

  ─ Seu marido nunca mais vai reclamar na sua frente sogrinha. ─ Disse a ela com um sorriso. ─ Vou te mostrar alguns truques.

   Entramos no quarto rapidamente e fechei a porta na cara do meu sogro antes que ele tivesse a chance de entrar e de estragar nosso momento de descontração.

  Peguei uma muda de roupas e separei uma calça justa para ela, roupas intimas , delicadas de renda e seda preta, e uma blusinha com decote discreto. Ela ficou com vergonha no começo, mas depois que se viu no espelho seus olhos brilharam.

─ Eu me sinto quase nua! ─ Disse ela, mas não estava reprovando, ela parecia feliz. ─ Tão leve e fresco sem aquelas camadas de pano e aquele espartilho espremendo meus seios.

 Quando ela terminou eu abri a porta e disse surpresa. Todos ficaram de bocas abertas e Dimitri parecia tão chocado quanto seu pai, que parecia estar a ponto de me chutar dali.

Eu olhei para minha sogra que estava apreensiva com a cara de seu marido , então tentei acalma-la.

─ Se ele reclamar, mostre a ele suas roupas intimas. ─ Disse com umas piscadela. ─ Diga que é só para os olhos dele.

  Depois disso eu puxei meu sogro para dentro e fechei a porta, os deixando sozinhos.

  Ficamos ouvindo o pai de Dimitri e Alexander resmungar e a esposa dele dizendo o quanto aquelas roupas eram confortáveis. Depois que ele tentou argumentar se aquilo era certo, ouvimos o som de roupas sendo tiradas e de beijos em seguida. Depois de um gemido, achamos melhor deixa-los sozinhos e fomos para a sala.

  Eu estava feliz, mas aquele sentimento não tinha me abandonado.

Dimitri me abraçou e me olhou, assim como Alexander.

─ Parece nervosa? ─ Meu marido perguntou e Alexander me encarou.

─ Seus olhos estão vermelhos também.

 Tentei me acalmar para ver se aquilo passava então tentei mudar de assunto.

─ Acho que seu pai gostou da roupa que separei para a mãe de vocês. ─ Comecei e Alexander sorriu para seu irmão.

─ Talvez disso nasça um novo Wolf. ─ Disse ele rindo e Dimitri revirou os olhos.

─ Ou uma irmãzinha Wolf. ─ Meu marido começou entrando na brincadeira.

─ Já é difícil lidar com os homens Wolf, imagina uma mulher. ─ Disse e eles riram . Mas não durou muito. Nossos sorrisos escaparam de nossos rostos assim que  ouvimos o som de uma espingarda ao longe e uma voz masculina gritando:

─ Destiny! Aqui.. é seu pai. ─ Uma voz conhecida e determinada disse.

Alexander e Dimitri me encararam perplexos.

─ Não era para ele... ─ Dimitri começou e eu respondi.

─ A maldição enfraqueceu. ─ Respondi. ─ Se ele se lembra...

Alexander terminou por mim.

─ O resto da cidade também.

Nós espiamos pela janela e vimos meu pai tomando a comissão de frente e alguns carros começando a se juntar atrás do seu.

─ Eles vão nos matar. ─ Alexander disse se enchendo de medo e sem saber o que fazer. Dimitri parecia assim também e eu senti um aperto no peito e um desespero, se eu não fizesse nada... eles iam ser mortos por todos da cidade, incluindo meu pai dando apoio a cidade.

─ Eu vou sair. ─ Disse encarando os dois.

─ Você não vai ! ─ Dimitri gritou segurando meus braços. ─ Não vou deixar você sozinha com eles.

─ Muito menos eu. ─ Alexander disse se intrometendo.

 Eu me livrei do aperto de Dimitri e os encarei.

─ Se eu não for, eles vão por fogo nesse lugar e ninguém vai conseguir escapar. 

E quem conseguir vai levar uma chuva de balas desse povo ai, acredite, eu conheço eles.

─ É perigoso.

─ Eu sei.  ─ Disse com lagrimas se juntando em meus olhos. Pois o que eu estava prestes a fazer ia me doer o coração.

─ O que você vai fazer? ─ Perguntou Dimitri, provavelmente já imaginando o que eu ia fazer. ─ Você vai...─ Ele começou mas não conseguiu terminar.

Olhei para Alexander e pude ver um brilho estranho em seus olhos, ele estava segurando lagrimas também.

─ Você não pode fazer isso.

Segurei as mãos de Dimitri e chorei.

─ Me desculpe, mas eu vou ter que ir. ─ Disse me encaminhando para a porta antes de Dimitri conseguir me alcançar.

─ Eu te amo. ─ Disse ele quase fazendo minha parte demoníaca despertar. Eu queria desesperadamente ficar com ele, mas se eu ficasse...ia acontecer uma  tragédia do qual eu não teria controle.

─ Eu também amo você. ─ Respondi. ─ É por isso que tenho que ir embora.

  Me encaminhei para fora e lacrei qualquer um que estivesse na mansão lá dentro, mesmo que Dimitri ou Alexander tentasse sair, eles não conseguiriam por nenhuma porta ou janela. E mesmo que houvesse um lugar aberto, ninguém da cidade poderia enxerga-los lá dentro. Eles estavam seguros.

Dimitri uivou de dentro da casa desesperadamente e pude ouvir um rangido vindo de dentro da casa. Alexander provavelmente estava juntando seus poderes de se fundir a casa, para tentar escapar, para assim evitar que eu partisse, mas não daria tempo.

  Me encaminhei em direção ao meu pai e ele encarou meus olhos que deveriam estar no momento, vermelhos.

─ Vim te buscar. ─ Disse ele sem se importar com minha aparência. ─ Vamos nos livrar dessa casa e você vai ficar bem.

   Seus olhos estavam vidrados e ele me parecia meio paranoico, talvez por descobrir de repente que sua filha esteve desaparecida por meses e ele só tinha descoberto esses dias. Meu pai sempre acreditou em coisas sobrenaturais, agora, ele poderia ter certeza.

─ Eles são bons. ─ Tentei argumentar , mas ele me agarrou enquanto pedia para um conhecido acender uma tocha.

─ Você esta sendo controlada minha filha, quando isso terminar você vai me agradecer.

Antes mesmo do conhecido terminar de acender a tocha, uma luz vermelha com pontos brancos de luz já os estava envolvendo como um feitiço.

─ O quê é isso? ! ─ Alguns deles gritaram e eu respondi me posicionando em frente a eles.

─ Vamos só... voltar no tempo. ─ respondi dando uma olhada na casa e vendo meus sogros me olhando com horror aquela cena e Dimitri em sua forma transformada gritando em minha direção.

─ Vamos voltar... para o começo de tudo.


E sumimos em meio a luz, viajando no tempo e voltando para o dia em que Helena se perderia na mansão dos Wolf.

                       


                
                           

2 comentários :

  1. Desesperada pelo proximo, eu n esperava uma reviravolta dessas!

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    1. ^^ Pois é kkk nem eu mesma tinha imaginado um capitulo desse, ele me veio na hora em que eu estava escrevendo.

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