Guia Para Garotas Contra Zumbis - 4º Capítulo - Use qualquer coisa para distrai-los

Ian estava olhando para uma prateleira de anéis de silicone com o cenho franzido e tinha a impressão que ele queria me dizer algo.

− Como você consegue trabalhar aqui? – Ele perguntou pegando um anel com bolinhas a sua volta e colocou em seu dedo. – Aqui diz anel massageador, mas não parece que sirva para muita coisa.... – E não servia, uma era por que o “Anel Massageador” não era bem para massagear , nem para por no dedo...


− Trabalho só nos fim de semana para ter dinheiro para sair e... – Disse sentindo minhas bochechas queimarem. – Isso é uma anel peniano, você não põe no dedo... – Dizendo isso Ian tirou o anel um pouco envergonhado e colocou no lugar.

− Para que alguém ia querer isso? – Não era uma pergunta e sim uma afirmação.

    Eu queria dizer que servia para segurar a ereção por mais tempo, mas não queria que ele pensasse que eu sabia demais dessas coisas por que as tinha usado, ainda mais por que ele poderia pensar que tinha usado essas coisas com o irmão dele.

− Eu não sei. – Disse ao invés. – As pessoas são doidas.

     Um silencio desconfortante ficou entre nós e senti que agora a cobra ia fumar. Ian olhou para o lado de onde Dylan e eu havíamos conversado e disse:
− Então foi aqui... Num sexy shop.

     Ele disse me fazendo parecer uma criança estupida, mas de certo modo eu fui. Aquilo foi só uma coisa de momento  e eu achei que gostava de Dylan, mas ele só era uma casca. Algo bonito de olhar e sem muito conteúdo .

− Doido não?! – Disse tentando fazer parecer uma coisa menor do que era realmente. – Foi uma bobagem, algo de momento.
Ele riu, mas não por que achou graça. Ele estava irritado. Muito irritado.

− Perder a virgindade não é uma bobagem ou algo de momento. Ninguém esquece a primeira vez...

  Ele tinha razão. Eu não ia esquecer, mas era só isso. Aquilo tinha ficado para trás e só, somente uma lembrança de alguns meses atrás.

− Na hora foi importante, mas isso não importa agora. Eu não me sinto como antes, as coisas mudam, além do mais...as mulheres não esquecem por que dói e muito – Ian tentou olhar para outro lugar, mas tudo que ele consegui ver era brinquedos, fantasias, filmes, tudo do mundo erótico e isso fazia o lugar ser insuportável.

− Você deve ter lá seu passado também... – Ele não respondeu, mas sua postura mudou e seu corpo ficou tenso. E isso me deu a impressão que ou o passado dele envolvia alguém importante ou que ele não tinha...

    No lugar de responder ele disse:
− O que você disse la, é verdade?
− Sim. – Respondi e ele tentou esconder um sorriso, um sorriso que consegui ver antes dele conseguir virar o rosto.

− Então me diz o que você gosta. – Simples , sincero e rápido. Senti minha garganta secar. Ele estava perguntando do que eu gostava dele ou era algo intimo que ele estava perguntando ? optei pela opção menos vergonhosa.

− Eu gosto quando você esta jogando basquete com aquele uniforme branco, por que quando você pula ou ergue os braços , a camisa levanta e consigo ver sua barriga e ela fica meio transparente por causa do suor e consigo ver o contorno do seu corpo... – Disse com muita vergonha e lá estava o rubor de novo bem no meio da minha cara. – Gosto do seu cabelo no sol, ele é escuro, mas no sol ele fica com um brilho dourado e seus olhos ficam um tom mais claro. Quando você sorri aparece essas covinhas fofas do lado do rosto e fica difícil não sorrir também. E gosto quando você me ensina coisas e me mostra seus segredos que mais ninguém sabe. Gosto do jeito que você anda e não me pergunte por que, eu não sei. Acho que parece fino. Não magrelo quero dizer ! mas parece “classudo” igual aqueles modelos que aparecem na tv.

    Ele parecia meio surpreso, como se esperasse que eu dissesse algo simples como, “ Você é bonito, tem um corpo legal, serve” e ao invés eu disse tudo que me veio na cabeça apenas lembrando dos momentos que nos conhecíamos, que era muito tempo. Mas nunca tinha reparado antes . Era como ter a pessoa certa durante anos só para perceber depois que era essa a pessoa. Meio sem jeito cruzei os braços sobre o peito e olhei para ele para pegar alguma reação.

− Sua vez. – Disse um pouco mais corajosa .

   Ian virou suas costas para mim e olhou para o teto.

− Gosto do jeito que você se veste. Por que você não se veste como a maioria das garotas que conheço . Não usa aqueles decotes que fazem o peito saltar e isso faz com que eu preste mais atenção no seu corpo. – Ele se virou para mim.

−Quando você cruza os braços assim por exemplo . Eu fico com uma ótima visão.

  Eu descruzei os braços no mesmo segundo e enfiei as mãos nos bolsos da minha calça jeans.

− Gosto do jeito delicado que você come , do jeito delicado que você anda, seu jeito, não sei... Não sei se gosto disso por que sou apaixonado por você ou se sou apaixonado por você   por que gosto do seu jeito. Acho sexy quando você esta bravinha e tem uma resposta afiada quando digo alguma coisa inútil. Gosto quando mexe o cabelo e entrelaça seus dedos uns nos outros quando esta nervosa .

     Quando ele terminou só ficamos nos olhando esperando que o outro dissesse mais alguma coisa ou tomasse uma atitude , então ele decidiu fazer , mas não foi exatamente o que eu tinha pensado. Ele pegou minha mão e disse que tínhamos que sair dali e ir para outro lugar, então ele me arrastou para o centro da loja onde o resto da turma estava.

− Temos que sair daqui e pegar alguma arma ou ir para um lugar mais seguro. – Disse ele na posição de líder.

− Não podemos ! Aqueles loucos devem estar ai fora, nos esperando.
O outro grupo se entreolhou numa troca silenciosa de informações. E Ian e eu fizemos o mesmo . Eles não queriam sair e disso nos dois sabíamos.  E qualquer coisa para eles seria motivo para entrar numa briga .

  − Posso falar com você a sós? – Perguntei a Ian o pegando pela mão e o levando para longe sem ele responder .

− Eles não vão querer ir conosco.
− Eu sei . É melhor nós irmos com nosso grupo e eles podem ficar aqui . – Ian concordou passando a mão pela minha cintura e me levou com ele de volta para lá.
– Nós vamos dar no pé, se quiserem.. fiquem. – Eles balançaram as cabeças , trocaram olhares e estava feito.
– Nós vamos ficar .

   Ian estava indo em direção a porta quando pedi para ele esperar e fui pegar umas coisas uteis. Quando voltei, minha amiga, Dylan e Ian estavam me esperando. Ian estava com o cenho franzido com certeza imaginando o que diabos eu ia fazer e se desse tudo certo eu não precisaria usar .
– O que foi ? – Disse segurando meu braço de leve .
– Peguei umas coisas uteis, para distração.

   Dylan deu um sorriso malicioso e sussurrou no ouvido da minha amiga . Ian percebeu que eu estava olhando e fez uma carranca.
– Para sua distração ou para os zumbis ali fora.

Eu sorri para ele com a maior inocência o possível.
– Zumbi, eu juro. – Ian pegou minha sacola, abriu e me olhou com duvidas.

– Tem certeza que são para eles? – Eu fiz que sim com a cabeça e saímos sem mais palavras. Olhamos para os lados quando saímos e só avistamos duas pessoas ou zumbis do outro lado da rua. Um deles estava mordendo o outro e se esfregando em seu corpo, minha bílis subiu com tal cena.  De repente ele parou e olhou para mim. E todos meus amigos perceberam.

– Acho melhor dar no pé. – Dylan disse antes de correr para um carro e quebrar o vidro do motorista . Ele não teve nenhuma dificuldade em abrir a porta , mas o alarme disparou chamando a atenção de qualquer coisa a nossa volta. O zumbi correu em nossa direção e Ian correu para dentro do carro e arrancou alguns fios e mexeu em outros fazendo uma ligação direta. Eu procurei algo que servisse na sacola e tirei um anel peniano com vibrador e o melhor era que ele brilhava no escuro. Atirei na direção do zumbi e vi sua cabeça mudar de direção enquanto o brinquedo caia do lado de seu corpo. Ele pegou o brinquedo e começou a olhar e sorrir e quando o brinquedo parou todos já estavam dentro do carro e Ian já estava partindo.

– Foi isso que você foi pegar ? Brinquedos? – Dylan perguntou.
– É uma ótima distração. – Ian disse em minha defesa. – Mesmo eu achando que não ia funcionar. – E com isso eu ri.
– Peguei meus pais zumbis se atacando enquanto transavam, acredite. Isso ia os distrair.

    Ian foi para a estrada principal em direção a minha casa.
– Vamos pegar umas coisas suas , ok? Você vai ficar em casa. – Não era um pedido, ele estava apenas me avisando que eu ia e ponto final para a casa dele.

– Tudo bem . – Concordei . – Tem um quarto especial para mim ou vai me colocar no seu quarto? – Perguntei brincando, mas ele pareceu levar a ideia em consideração .

– Onde você quiser.

   Minha amiga se mexeu desconfortável e acabei vindo em sua defesa.
– Eu te empresto umas roupas, não se preocupe. E tenho umas roupas suas em casa . – Disse a ela e Dylan se intrometeu na conversa.

– Yeah! Você pode ficar no meu quarto se quiser. – E ela fez uma careta.
– Nem como zumbi cara, mas obrigado pelo hospitalidade .

 Ian deu um sorriso discreto e colocou sua mão em minha perna enquanto dirigia e não demorou muito para chegar a minha casa e pegar umas coisas. Pegamos todos os mantimentos já que não sabíamos se poderíamos voltar ali caso a coisa ficasse mais seria e pegamos produtos de higiene e minhas roupas, Dylan ajudou, mas Ian o tirou do quarto quando viu o irmão mexendo nas minhas calcinhas  e falou para ele ficar de olho na  garagem caso algo decidisse arrebentar o portão. Colocamos todas as roupas e pertences que achávamos uteis  e colocamos no carro roubado. Estava apertado, mas ninguém reclamou e fomos para casa de Dylan e Ian . Quando chegamos lá minha amiga abriu levemente a boca com a surpresa , na verdade... dificilmente eles convidavam alguém para ir a casa deles, então ninguém sabia como era. Ian estava com o controle remoto do portão no bolso, o apertou e deixou o carro ir para dentro. Passamos a noite arrumando as coisas e colocando minhas coisas num quarto onde eu e minha amiga podíamos ficar a vontade, tomamos banho e Ian e Dylan ligaram todos os alarmes . Eu tinha perguntado a ele o que aconteceria se o alarme disparasse e se não ia chamar mais a atenção para nós, mas ele me disse que esse tipo de alarme era mais silencioso e que se algo tentasse entrar a casa seria alarmada e todas as entradas seriam fechadas e os brinquedos de choque que estavam escondidos lá fora seriam ligados . O quarto onde estávamos era mais do que bom e muito espaçoso, a mãe dos meninos tinha cuidado de cada detalhe de casa fazendo parecer clássica e um pouco gótica . As camas eram enormes e todos os moveis pareciam únicos em sua forma e estávamos na parte mais alta da casa, então nada ia pular pela nossa janela .Quando finalmente todos estavam a pontos de desmaiar de cansaço minha amiga decidiu conversar um pouco antes de dormir.

– Você acha que eles estão loucos ou que são zumbis de verdade ? – Ela perguntou enquanto se cobria a minha frente. A cama dela ficava virada em frente a minha .

– Eles gostam de comer os outros em vários aspectos, mas não da para ter certeza já que não vi nenhum difundo andante lá fora. Só vimos pessoas com alguma pele faltando.

    Nos dormimos em seguida, mas logo acordei de madrugada e fui ao quarto de Ian. Ele estava acordando vendo tv, mas quando ele viu que eu estava entrando ele mudou de canal.

– Algum problema? – Ele perguntou preocupado e se arrumando entre as cobertas e dando espaço para me deitar ao lado dele. Eu fiz que não e disse que não conseguia dormir. – Vai passar quando.. não sei. Descobrirmos o quê é isso tudo.
– Eu não sei se quero descobrir realmente. É só... complicado. – Disse sem saber o que dizer.  Se os jornais dissessem que era doença eu ficaria em choque por causa dos meus pais, se dissessem que era algo desconhecido... provavelmente haveria covas vazias nos próximos dias. A única coisa que eu tinha certeza era que alguns lunático diria que o governo daria um “jeito”. Como evacuar a cidade ou jogar uma bomba em todos para ver se na próxima cidade isso não se repetiria.

  Ian me abraçou e me acalmou apenas com sua presença.
– Não vamos nos preocupar agora. Estamos seguros. – Disse ele olhando para mim. – Amanhã vamos ver o jornal e vou ouvir o rádio da policia para ver se acho alguma coisa de diferente.

   Eu não pude deixar de erguer uma sobrancelha de espanto para ele.

– Rádio da policia ? – Perguntei e ele fez que sim quase orgulhoso.

– Meu tio era chefe de policia antes de se aposentar, e quando ele passou um tempo aqui deixou umas coisinhas...
– Tipo algemas? – Perguntei para quebrar o gelo e ele riu.

– Eu adoraria uma algema agora, mas é melhor não arriscar. Podemos precisar dos braços.


   Ele tinha razão, mas as palavras dele revelavam que ele não estava se sentindo 100% seguro como ele queria transmitir para mim. Tudo que podíamos fazer naquele momento era dormir, esperar e rezar para seja lá o que for que esteja acontecendo... que tenha um jeito de ser parado.



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