A Ceifadora - 13 Capítulo

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013


                      13 Capitulo:
   A adaga até que era bonitinha, tinha pedra antigas em sua base e até mesmo uma pedra negra maior localizada no meio da lamina, porem ficava assustadora cada vez que Miah mexia ela para cima e para baixo para ver onde ela ia cortar.

− Não precisa ter pressa. – Eu disse com a bílis subindo.

    Talvez eu devesse fazer a pergunta que qualquer um faria em meu lugar... – Mortos tem sangue...? quer dizer... você é só espirito então não tem circulação ou...outras coisas.

    Miah deu de ombros.

− Na verdade desde lado somos normais, mesmo mortas. Por que aqui é nosso...como posso te explicar... – Ela fez uma pausa e depois suspirou. – Foda-se, Bem é assim. Espíritos embora pareça impossível podem ser mais humanos (vivo) do que um vivo de verdade. Vivemos sem medo por que sabemos que não vamos morrer e você deve saber bem que Sebastian não ia tentar algo com você se a coisa dentro de sua calça não funcionasse, então, sim. Eu tenho corrente sanguínea, por que desde lado é como se estivesse viva.

     A explicação podia ser boa, ótima, mas não faria meu corpo se acalmar pois aquilo para mim não era normal.

    Ela se pôs em minha frente e disse um seja rápida e cortou seu braço, sim , o braço não o pulso como eu estava pensando. Eu tomei as gotas que caiam e sim, foi nojento. O gosto era horrível e terrivelmente forte e expeço, eu sabia que sangue de uma pessoa normal não podia ser assim já que mesmo que eu não gostasse de admitir, eu havia visto sangue demais e maioria das vezes o sangue era o meu. Eu nunca sofri um atentado ou algo do tipo , mas por ter pernas longas e ser meio desajeitada eu sempre caía ou tropeçava em algo, ou simplesmente um de meus amigos chatos me fazia cair por achar minha fraqueza engraçada. Depois de tomar e o sangue parar e o corte se fechar( eu tinha que aprender a fazer isso) foi a minha vez. Para tomar mais coragem eu cortei rapidamente e dei para ela , no começo não deu para sentir dor, mas quando sua língua tocou o braço a ferida ardeu como o inferno e tive que morder o lábio.

    Miah parou depois de um tempo mas o meu sangue continuava a cair e cair até formar uma poça de sangue.

−  Eu vou morrer ! −  Eu disse quase num sussurro pelo choque. Ela balançou a cabeça e tentou me acalmar.

−  Você já morreu !  Aqui ó – Ela disse pegando meu braço e tirando um pano de seu bolso traseiro e o enrolando em volta do meu braço e depois deu um nó. – Você precisa se acalmar para parar o fluxo, ok?!

   Eu fiz o que ela disse e comecei a prestar atenção na minha respiração enquanto ela dizia umas palavras estranhas. Miah e eu fomos cercadas por uma névoa vermelha, uma brisa vinha dela e se transformou num vento violento fazendo a porta e as janelas baterem violentamente. Se eu não tivesse controlando minha respiração e sentindo vontade de desmaiar eu poderia ter gritado, mas não o fiz para o bem do meu futuro status de ceifadora. ( Caso conseguisse virar uma ).

   E depois uma marca de uma arvore seca de coloração roxa apareceu em seu pescoço. Com seu galhos formando um circulo perfeito e com um tronco fino quase em sua nuca.

− Cresceu uma coisa bem ai no pescoço – Disse apontando em sua direção. – Isso é normal? Faz alguma coisa?. – Perguntei inquieta me mexendo no assento, logo depois percebi que com minha distração o ferimento em meu braço já estava totalmente curado.

    Miah abriu a boca para responder ,mas a interrompi com meus devaneios.

− Olha aqui ! Esta limpinho !.

    Miah sorriu para  mim como se eu fosse sua irmãzinha irritante a enchendo de perguntas.

− Sim. É  Ceifadores são frios e fortes, então é suposto que deixem outros com medo e não se machuquem ... – Ela esboçou um sorriso e imaginei que talvez todos os Ceifadores fossem assim , pareciam saber demais e achar isso normal. Eu esperava ser assim um dia... – E respondendo sua pergunta essa arvore cresce com poder... então se fizermos um feitiço juntas ela vai crescer nas duas e literalmente brilhar.

     Dei de ombros e tentei parecer na minha e fiquei pensando por um tempo nas perguntas certas que eu precisava fazer sem parecer suspeita, então nada do tipo: Lembra quando morri? Então... eu fui morta e acho que foi um ceifador... não foi você né ?! Ou Mike...ou Sebastian... , Tentei afastar esses pensamentos. Ia ser castigo demais não poder confiar em alguém sequer, não conversar ... e ser normal, mas por enquanto eu ia fazer igual meu pai sempre me dizia: − Eu confio desconfiando . – Aquelas palavras eram contraditórias antes, mas agora era um mantra que eu precisava seguir sem meter minha sanidade mental. E eu precisava achar meu corpo para ninguém pegá-lo ou tentar coisas...

− Miah eu quero perguntar se dá para ir ao mundo dos vivos...

    No começo ela já foi balanço a cabeça sabendo que aquilo provavelmente daria em encrenca entre ela e Sebastian,

− Não acho que o... bem ele não vai gostar se eu ficar te levando por ai, eu sei que você tem um ex, e ele vai me matar. De Novo.

 − Eu não vou ver meu ex. – Garanti, a não ser que ele soubesse onde meu corpo estava... – Eu quero ... – Precisava de desculpas rápidas, − Fazer compras , hmmm para... você sabe , um dia especial a dois.

   Ela sorriu e apontou para mim.

− Há ! Eu sabia, garota você não perde tempo.

  Miah me pegou pela mão e saímos correndo até a sala do espelho.

− Vamos ficar lá por duas horas que é o máximo que Mike me deixa ficar lá e voltamos. – Ela olhou seriamente para mim. – Isso é segredo de mulher. – Concordei com a cabeça e entramos na luz ofuscante do portal.

    A cegueira pela luz não me afetava igual a antes e fiquei feliz por isso. Eu não sabia onde estava , mas havia muitas pessoas e barracas em meio a lojas e sentia cheiro de uvas e massa assada no ar.

− Festa italiana da sua cidade, achei que ia ser mais fácil achar alguma coisa num lugar que você conhece.

    Agradeci e seguimos entre as barracas onde Miah comprou algumas coisas para comer do qual eu não sabia o nome, mas mesmo assim comi feliz em meio a tantas pessoas. Fazia muito tempo que eu não via tantas pessoas, cheiros e rostos e nunca me senti tão feliz na minha vida em ver desconhecidos como naquele dia. Mas minha cabeça me lembrou que eu não estava ali para passear e sim achar meu corpo ! 
    Puxei Miah pelo braço seguindo em frente e depois virei a esquerda onde tinha lojas de roupas intimas. Por sorte reconheci o lugar e sabia que o cemitério onde meus entes queridos estavam enterrados e com certeza onde meu corpo estava , estava perto e se eu a despistasse  poderia correr direto para lá e em quinze minutos estaria de volta e ninguém perceberia minha ausência.
     Entrei na loja sorrindo para a atendente e pedi algumas dicas e ela foi entregando montes e montes de roupas para Miah que parecia uma estilista de moda muito rica . Miah pegou um conjunto de renda com um corpete e meia da mesma cor, vermelha.

− Olha só ele vai revirar os olhos quando vir esse aqui. – Ela disse rindo achando o pensamento divertido. Mas provavelmente ele fosse chegar cansado, se é que dava para cansá-lo. Na verdade a única que parecia se cansar na verdade era eu.

   Revirei meus olhos e sorri.

− Eu vou ver se acho um chicote então. – Eu disse brincando para sair de fininho. Sai pelo outro lado da loja e corri como se a morte estivesse em meu encalço e quase me choquei com uma idosa, mas felizmente não aconteceu , porém fui chamada de algumas coisas que não eram legais.

     Quando cheguei no cemitério da “ Paz” fui para o lado norte bem ao fundo onde uma cripta era destinada somente aos meus parentes e comecei a olhar os nomes, um tio , um avo , meu pai ...Olhar somente o nome dele me dava um aperto no peito. Desviei o olhar e procurei mais e olhei novamente, e de novo e de novo e nada. Eu não estava ali.

− Mas que? – Eu disse sabendo que não tinha outro lugar que meu corpo pudesse estar. Ao menos... Desviei meu pensamentos , mas já era tarde. O pensamento que eu poderia estar viva estava entalhado no meu ser e só tinha uma pessoa que de certo – fora minha mãe ( já que não dava para ir atrás dela, pois minha casa ficava longe) que saberia onde me encontrar.

 Johnny!

     Voltei correndo e Miah já tinha separado uma montanha de roupas intimas para mim e só queria saber quem ia pagar por tudo aquilo ? Agora pensando nisso eu não sabia o que fazer. Estava morta e logicamente sem dinheiro.

   Miah e a moça que estava com ela olharam para mim.

− Não temos chicotes. – Ela disse e quase perguntei do que ela estava falando até me lembrar do por que do assunto.

− Que pena, eu preciso de um.

    A mulher olhou para Miah e ela sorriu.

− Vou levar esses de presente já que quero por favor que o relacionamento deles de certo ! Afff Sebastian era muito mais ruim e sem paciência antes de você chegar.

   A mulher levou as coisas e depois de um tempo voltou cheias de sacolas delicadas com lacinhos no topo.

− Voltem sempre e boa sorte com seu relacionamento. – Ela disse me surpreendendo e a parte ruim era que eu realmente estava precisando.

    Saímos da loja e Miah estava  mais animada com minha noite romântica do eu.

− Você vai ter que me contar tudo e me dizer se ele é muito dominador, pois ele é muito mandão. Manda em Mike o tempo todo e essa é uma duvida que quero tirar.

 − Eu também quero saber isso. – Menti. Na verdade eu sentia um frio na barriga só de pensar em ficar nua perto dele. Eu não sabia fazer nada e era tímida demais... e a sacola de roupas intimas era como chumbo em minhas mãos. Só Deus sabe o que ia acontecer caso Sebastian chegasse e me visse com essas coisas, mal sabe ele que minha intenção era só e unicamente encontrar meu corpo e não dá-lo de presente para ele.

    Estávamos quase no lugar exato onde tínhamos chegado e me distrai um instante com uma cabeça. Uma cabeça que eu reconheceria em qualquer lugar. Johnny! Deus atendeu minhas preses !

    Peguei Miah pelo braço quase desmaiando de felicidade e sem ela saber acabamos seguindo Johnny até uma barraca de pastel.

− Tudo isso é vontade? ! – Ela disse não se queixando e sim rindo. Ela comprou dois pasteis sem mesmo eu ter dito uma palavra e silenciosamente pensei que seria amiga dela para o resto da minha existência, pois Miah não tinha ideia de como era importante para mim ela ser exatamente do jeito que ela é. E quanto menos ela souber, melhor.

   Johnny começou a comer, mas sem vontade. Ele estava com olheiras e parecia como se não dormisse a dias se não mais tempo e parecia abatido. Marcus um de nossos colegas da escola e amigo dele apareceu por trás e fiquei tentando ouvir a conversa dos dois enquanto Miah e eu comíamos .

− Eu estava com saudades disso, − Miah disse se referindo ao nosso passeio.

− Eu também . – Respondi. – Estava com saudades de ter amigos.

  Fiquei olhando para meus dois conhecidos de longe e ouvi um pedaço da conversa deles.

− Você tem que parar de dormir no hospital cara, tem chances dela nunca acordar., você sabe...

  Arregalei levemente os olhos e dei mais uma mordiscada no pastel indesejado.

−  Eu gosto de ficar lá, é como se ela fosse acordar a qualquer momento e sorrir para mim...

  Marcus colocou a mão em seu ombro o confortando.

−  Tente dormir na sua casa pelo menos. O hospital Santa Lucia não vai sair de la´.
  Santa Lucia pensei. Eu conhecia o hospital e sabia onde ficava. Se eu soubesse quem Johnny iria ver, possivelmente uma hora ele iria atrás de mim e eu podia desvendar esse mistério !

−  Vamos indo que Mike deve estar de volta em breve e isso é nosso segredo ! Ele não pode saber das nossas técnicas de sedução. −  Ela disse sorrindo e me puxando.

  Seja lá quem estava no hospital. Hoje Johnny tinha escapado de mim, mas não da próxima, afinal, já sei onde ele se encontra agora . No hospital Santa Lucia!

     Miah me levou para um parque que ficava no final da festa italiana onde estava cheio de crianças e pais e me perguntei se um deles via o brilho fantasmagórico bem no meio de uma arvore, um brilho parecido como o sol sendo refletido no espelho, só que no tamanho sobrenatural.

−  Isso é...

−  O portal.

   Fechei um pouco os olhos e pude entrar nele, logo quando senti a luz diminuir eu pude abri-los e ver que estávamos na sala escura de novo com um espelho atrás de nós.

 −  Isso foi legal −  Eu disse aliviada e Miah seguiu para a porta.

−  Guarde as coisas e faça uma surpresa para aquele maluco, quem sabe ele não melhora mais o humor e deixa Mike um pouquinho para mim também . −  Ela disse me dando uma piscadela e eu sorri indo ao quarto de Sebastian e escondendo os pacotes debaixo da cama, já que duvidava muito que Sebastian ia ficar de bunda para cima procurando coisas lá embaixo. Me senti renovada e cheia de expectativas . Eu só precisava esperar mais uns dias e dizer a Miah que precisava de alguma coisa e ir para o hospital e chegar até Johnny e tudo daria certo. Tudo daria certo e eu poderia escolher depois de achar meu corpo ( que estava perto de ser encontrado) e descobrir que me matou , o que devia estar longe de ser descoberto já que ceifadores sempre estão repletos de sombras.

    Suspirei para me acalmar e não senti que já não estava sozinha.

− Você estava no mundo dos vivos. −  Rafael disse. Meu anjo da guarda.   – isso não é bom. Eu deveria ser quem cuidaria de você .

− Cara. – Eu comecei – Você faz um péssimo trabalho . 


           

                            

Um comentário :

  1. OPa...bem legal seu texto! Desejo muita sorte para você na promo do blog.
    Beijos!
    Paloma Viricio- Jornalismo na Alma

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