A Maldição dos Wolf - 3º Capítulo

domingo, 17 de março de 2013

                              
                                          
   Aquela maldita coisa me arrastou por toda droga da mansão tão rápido que meu corpo bateu em todos os móveis, mas não era isso que me irritava , e sim o fato dela ter me jogado numa cela escura. Escutei vários barulhos vindo de todas as direções e pensei em ratos. 
    Tive que engatinhar para a grade da cela por causa da dor insuportável na minha perna, subi nela e fiquei lá, de pé esperando o sol nascer para que eu pudesse enxergar os ratos para matá -los e não deixar que me comessem viva. Estava considerando isso uma espécie de punição pelos meus pecados, não que eu tenha praticado muito. A espera era mais insuportável que a dor em sí e amaldiçoei cada maldito minuto que fiquei de pé grudada na grade.  
      − Acho que não vou aguentar muito tempo. - falei para mim mesma, sabendo que logo ia pirar e tentaria matar os ratos no escuro mesmo, mas uma coisa me surpreendeu. Alguém na verdade.   
 − Você é nova. − Uma voz feminina falou.  Pisquei surpresa e arrependida, se era ela que fez os barulhos...havia ficado de pé todo aquele tempo á toa.    
    − Você que estava fazendo esses ruídos?  − Perguntei para prevenir. Eu posso ser maluca de enfrentar uma besta, mas ratos e baratas. Eu grito, e muito.  Houve um som de alguém se mexendo e depois mais sons. − Somos nós. − Ela respondeu e várias vozes femininas encheram o ar , junto um choramingo. Reconheci a voz automaticamente.       
  − Helena? − gritei.   
      O som ficou mais alto e irritante. E fui obrigada a descer das grades e ir para um canto,  tentando afastar o barulho.       
     Nunca gostei muito de barulhos altos, esse era um dos motivos que nunca fui chegada em lugares que tinham muito falatório. Sempre preferi uma biblioteca. Muito barulho faz com que as pessoas percam o foco e não prestem atenção a sua volta.    
   − Destiny!  − Ela gritou e começou a chorar. − Achei que aquilo ia me comer!  
     Outro som chegou a mim. Passos pesados ,molhados e o cheiro de cachorro e terra molhada invadiram o ambiente. Meu coração se apertou quando senti que a besta estava voltando.       
 − Ele me mordeu.... ela chorou. − A sua voz não passava de um som diminuto, pois todas as garotas decidiram desabafar no mesmo segundo , chorando e reclamando do que tinha acontecido. Corri e grudei nas grades novamente igual uma macaca. 
 − Calem a boca!!! gritei.  − Os gritos e reclamações estavam chamando a " coisa " de volta e o sentimento de que ia sobrar para mim veio. Sempre sobra para a novata. Essa é a lei da selva chamada sociedade.        
    Elas não me ouviram e pude ouvir umas garotas me chamando de algumas coisas.  Isso me deu raiva o suficiente para gritar alto para todas me ouvirem.    
   − CALEM A BOCA !! ELE ESTÁ VOLTANDO!. − Com essas palavras cada uma ficou quieta e imóvel indo para seus cantos,  provavelmente rezando por suas vidas e para que algum herói as salvassem. E por um segundo apenas imaginei um lindo vampiro vindo me salvar, claro que não era o Edward Cullen.  Meus pensamentos foram a mil e consegui pensar mais claramente agora com todas em silencio , a besta é realmente inteligente. Ela me colocou numa cela e me deixou onde eu queria estar, ou seja, perto de Helena eeee..... A besta mora na mansão ...então,  ela ou ele pode ser um Wolf.  Engoli em seco e pensei na burrada que estava prestes a fazer, mas ninguém,  nem mesmo eu ,tinha escolha. 
     Era isso ou ficar presa aqui, numa cela, no escuro. Eu odeio escuro. Ficar muito tempo no escuro e presa, deixaria qualquer pessoa louca e do jeito que sempre fui " normal " não demoraria muito para me transformar na próxima garota do exorcista. 
− Huh... Eu queria falar ... com o Senhor Wolf. − Falei e quase fiquei orgulhosa, pois quando o bafo quente da besta bateu no meu rosto e minhas pernas ficaram tremulas , fiquei com vontade de voltar para aquele canto e de realmente chegar a querer que houvesse alguns ratos. Isso não era orgulho para ninguém.  por isso " o quase ". Esperei um tempo e pensei no que dizer, mas não tinha palavras na boca e nem mais um pingo de coragem.      
" Ela só precisa de uma " Uma voz na minha cabeça falou " Ele precisa de uma só pessoa " e como se não tivesse mais controle de minha boca as palavras fluíam .
     − Você solta elas e ... eu fico, por livre eespontânea vontade. E com essas palavras as celas se abriram e um trovão acima de nós avisava que a tempestade tinha começado.   Cada uma saiu e o medo podia ser sentido mesmo não sendo uma criatura sobrenatural.  Ninguém perdeu tempo e todas saíram correndo para todas as direções, os barulhos dos pés me deixavam incapacitada de ouvir a voz de Helena, mas bastou apenas um toque de mão para saber que era ela. 
− Vem comigo! − Gritei e a levei por uma vastidão de corredores até a entrada principal. O barulho persistia mas não chegava a ser incomodo.       
  − Como você sabia que era eu?  − Sua voz era cansada e tremula.        
  − Não sei explicar. − Falei sabendo que era a mais pura verdade. Não tinha muito tempo para tirá-la dali,  mas precisava ser antes que todas achassem o caminho e nos matassem pisoteadas. Enfiei a mão em minha bota dando graças aos céus por ter uma boa mémoria, para lembrar do caminho para a saída e tirei meu celular , colocando-o nas mãos dela. Daria as chaves do carro mais do jeito que ela estava .. provavelmente acabaria nos pés de um barranco. 
  − Corra e ligue para o seu pai vir te buscar. − Suas mãos grudaram em mim e tentei resistir a vontade de correr. Grudei em seus braços .
− Corra e saía daqui!  diga a meu pai que me machuquei e que passei no médico para cuidar da minha perna. − Chacoalhei seus braços para ter certeza que tinha ouvido e logo veio a resposta.
− Você não vai vir? − E com todo o medo e ainda assim coragem respondi.
− Esse foi o trato. − E vi horror passar pelo seu corpo,  mas ela não exitou. Helena saíu correndo e chorando, quando ela desapareceu pelos enormes portões os passos ficaram mais fortes e eu sabia que elas tinham achado o caminho. Havia uma lua cheia no céu e graças a sua luz, pude ver o bando de mulheres correndo em minha direção e a única coisa que veio a cabeça foi " vadias ingratas, não disseram nem mesmo um obrigada " e ri com minha própria loucura. O escuro e o medo faziam isso. A minha única certeza era que teria que ver como isso ia acabar e aquele pressentimento que ía doer e teria que aguentar sozinha. Mas seja lá como for... Leal e de palavra até a morte.         
   A ultima coisa que vi foi um par de braços me tirando do caminho fazendo meu corpo bater e minha visão nublar e o mundo apagar e novamente estava sozinha... no escuro.
                     
                                                  

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