Guia Para Garotas Contra Zumbis - 9º Capítulo - Maquiagem é tudo, até o fim.

                                

Quando entramos no carro para sair daquele inferno, o clima estava tenso e não era por causa dos zumbis...em parte. Ian não havia gostado da minha animação por voltar para casa com Dylan, mesmo assim o fiz, mesmo realmente não estando nada a vontade com aquilo. Deixei Ian com o pai dele na frente e sentei no meio , entre Dylan e minha amiga. Ian até que havia tentado me convencer de sentar na frente com ele, mas ignorei suas palavras como se não tivesse ouvido.


   Estava um silencio mortal até Ian pigarrear e abrir a boca.

─ Como você ... ─ Começou e pensou um minuto antes de continuar. ─ Achei que estava morta.
 
Apenas encarei a paisagem lá fora e respondi sem muito animo.

─ Interessante. ─ E voltei a olhar para fora. Ian parecia desconfortável, mesmo sabendo que a única que tinha motivos para ficar irritadinha , era eu! Deus! Por que quando é alguém da família dele com a ameaça zumbi temos que resgata-los e quando são os meus, ou eu mesma no caso, resolvemos tudo na bala?

Homens! Pensei gritando em minha mente. Eles sempre pensam que não fizeram nada de errado! Eu queria saber se faziam isso de proposito !

  Dylan me olhou e jogou seu braço sobre meu ombro e me abraçou, mas dessa vez ele não parecia com segundas intensos, ele parecia preocupado.
─ Como foi?. ─ Perguntou e eu já sabia.

Por ele ter visto a mãe dele daquele jeito, Dylan havia ficado de ter perdido mais alguém. Dava para notar em seus olhos claros. Dylan parecia... abalado.

Eu dei de ombros e olhei para o espelho, vendo o rosto de Ian frustrado com minha atenção virada para Dylan.

─ Quando cai, machuquei a perna e a cabeça. Estava sangrando e tinha uns vultos a minha volta.

─ Zumbis. ─ Minha amiga disse e eu concordei antes de continuar.

─ Não estava enxergando quase nada e sai andando o mais depressa o possível. Ai cheguei num lugar e vi umas maquiagens...


  Dylan riu dentro do carro e esfregou um dedo na minha cara e o olhou depois.

─ Que bizarro! ─ Disse ele rindo. ─ E fez isso na hora do rush?

Eu concordei e ele esfregou a mão no topo da minha cabeça como se eu fosse um cachorrinho.

─ Boa !

Rapidamente comecei a lembrar dos detalhes. Podia lembrar brevemente do meu corpo caindo daquela altura, do medo, do sentimento que eu cairia e ninguém poderia me segurar, que eu não poderia escapar. Por sorte ou milagre, a queda havia sido amortecida pelo corpo da mãe dos meninos, se não... Mas deixei este detalhe de fora para eles não ficarem remexendo os detalhes da morte, ou sei lá como se chama, da sua mãe. Uma vez que eu não sabia se ela estava morta como zumbi ou morreu depois da queda. Tecnicamente já estava morta como zumbi, mas os filhos dela não pensavam dessa forma. Agora, para estar morto você não pode estar se mexendo. Não que isso não fosse antes, mas... bem. É confuso. Digamos que alguém que você goste está sem metade da cabeça, mas está andando, está vivo então. Para você pelo menos. Isso se chamava esperança.

Bem... Isso não existe agora.

   Quando abri os olhos depois de ter caído sentia uma dor aguda na perna e só conseguia enxergar vultos em minha volta. Com o desespero , eu corri ou pelo menos tentei correr. Entrei na primeira sala que havia visto e encontrei um banheiro e lá estava maquiagem. Acho que fiquei horas lá até voltar um pouco ao normal e trabalhar nos meus “efeitos especiais”, e havia ficado bem satisfeita. Quando sai de lá tudo estava um caos. Zumbis para todo lado e tentei desviar deles e havia sido cercada no estacionamento. Para minha sorte, eles não pareciam ter notado que o sangue que escorria era meu e não de uma possível vitima. Fiquei gemendo( de dor), mas como todos estavam fazendo algum ruído estranho, ninguém pareceu notar. Confesso , com a dor que eu estava, eu deveria estar parecendo morta mesmo...fora a cara de doida que eu deveria estar.
    Quando vi Dylan e minha amiga quase os abracei, mas percebi que eles estavam sendo cercados e decidi bolar um plano , uma armadilha, qualquer coisa para tirá-los daquela. Até...Ian chegar atirando em tudo e quando terminou, apontou a arma  na minha cara.

  Está bem. Não gostei, ninguém gosta na verdade de ver a pessoa que você gosta fazendo isso, mas eu também não podia fingir que isso nunca aconteceu.

  Depois de contar as partes resumidas e evitar palavrões ou xingamentos , me calei.

─ Eu não sabia onde você estava. ─ Disse Ian praticamente se desculpando e Dylan o interrompeu.

─ Estava procurando você como doido. ─Dylan disse tentando se incluir na historia, mas não me importava nada no momento fora o fato de eu ter tido uma arma apontada para mim.

─ Por que quando é seus parentes que viram zumbis temos que resgatá-los e quando não é, quase levamos um tiro? ─ Disse com lagrimas juntando nos olhos. ─ Eu estava dando graças a deus de ter saído só com a perna machucada e quase levo um tiro no rosto.

Quando me dei conta estava chorando no ombro da minha amiga que tentava me reconfortar , enquanto lançava olhares raivosos para eles.

Lógico. O clima havia ficado pior, eu sei, eles perderam a mãe deles, mas eu também porra! Não matei a minha lógico, ela devia estar ai com meu pai em algum lugar fazendo coisas estranhas que não havia explicação, mas... porra! Estamos no mesmo barco.

  Ian estava quase dizendo o que eu havia acabado de pensar: ─ Perdi minha mãe!, mas eu o interrompi .

─ Eu sei, perdeu a mãe de vocês , mas eu também perdi a minha! E vocês não sabem como é horrível ter apontado uma arma no seu rosto!

Eles abaixaram a cabeça e pediram desculpas.

Quando chegamos em casa eu estava um lixo. Toda manchada , cheia de sangue , dor, maquiagem borrada de tanto chorar. Parecia alguma criatura sobrenatural que saiu de um filme bizarro e isso não era o pior. Ian não desgrudava de mim nenhum minuto e tive que ter o apoio da minha amiga para tirá-lo do quarto em que estávamos hospedadas para poder tomar um banho em paz.

A única coisa boa daquele dia foi o banho quente e cama. Enquanto estava na minha posição fetal minha amiga tentou clarear minha mente.

─ Ele pensou que você estava morta, não ligue muito para isso.

─ Eu sei. ─ Concordei mais para faze-la parar de tocar no assunto do que outra coisa. Me levantei da cama e fui tomar água e comer alguma coisa. Aproveitando a solidão, me encharquei de remédios para dor até ficar meio sonolenta e fiquei o que parecia uma eternidade vendo minha perna roxa com o joelho inchado. Dava para sentir meus miolos fervendo e eu tinha certeza que estava com quase quarenta de febre.

Com a sorte que eu estava... provavelmente pensariam que eu estaria me transformando em zumbi.

  Quando ergui minha cabeça que já estava pesada, Ian estava parado na entrada da cozinha me encarando todo tenso. Eu podia estar momentaneamente drogada, mas não estava burra.

─ Boa noite . ─ Disse me levantando rapidamente , mas meu corpo cedeu e comecei a cair , mas Ian me agarrou a tempo.

─ Não precisa fugir de mim.

Suas mãos estavam frias e seu rosto abatido, mas eu estava cansada e com dor demais para me importar.

─ Estou com dor demais para fugir. ─ Respondi e ri sem poder me controlar. Sabe, aquela frase famosa: Vou rir para não chorar. Isso na verdade é desespero, ou remédios fortes , você escolhe.

Ian me carregou e se sentou no sofá comigo em seu colo.

─ Durma então.

─ Não vou dormir com você.

─ Tudo bem. ─ Disse ele calmo sabendo que os remédios haviam feito bem seu trabalho e me deixado inútil. Acabei me aninhando em seu colo morrendo de sono e drogada sem poder mexer meu corpo.


─ Vou cuidar de você.  ─ Disse ele antes do meu mundo desaparecer.


   

            
                              

5 comentários:

  1. Nossa eu preciso da continuação.....a história está ótima.

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  2. Respostas
    1. vou tentar continuar , é que estava tendo problemas e não consegui continuar por falta de tempo.

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