A Maldição dos Wolf - 7º Capítulo

quarta-feira, 1 de maio de 2013

                           
                                   
 Na hora do jantar imagino, Dimitri bateu na porta do quarto que tinha certeza absoluta que era o dele . Estava bonito, galante e sedutor, quase confiável, eu disse quase ! Homens só se arrumavam quando queriam alguma coisa e só essa coisa e suspeitava que essa coisa tinha muito haver comigo.
Olhei para ele me lembrando das novelas e filmes antigos que costumava ver com meu pai, sempre gostei do modo que os homens se vestiam, com roupas feitas sob medida e bem arrumados como se fossem a algum lugar importante e o pior de tudo que ele estava vestido igualmente e eu estava adorando. Sempre achei homens de colete e terno sexy, mesmo que provavelmente suas roupas intimas não seguiam o mesmo estilo. Lembro muito bem que nos filmes as roupas intimas pareciam macacões longos e frouxos que deixavam os “passarinhos fora da gaiola” se me entendem.
    Seus olhos estavam nervosos com certeza por ter ouvido minha choradeira, mas ele tinha que entender minha situação. Nenhuma mulher independente fica feliz de perder sua liberdade de uma noite para outra, mesmo que fosse com um homem do qual ela gostou a primeira vista.
– Está  com fome, poderia me acompanhar no jantar? – Disse educadamente, mas fui recusando, mesmo que pudesse desmaiar aos pés dele por estar a muito tempo sem comer, mas não demorou muito para o seu comportamento mudar. Seu corpo ficou em linha reta como se fosse um rei perante a seu escravo e ele elevou a voz.
– Eu ouço seu estomago lá de fora, mesmo com seus choramingos. Você irá comer mesmo que eu tenha que te levar sobre meus ombros e não tenha duvidas que o farei. Sei que é difícil... – Ele disse se aproximando perto de mim e a cada passo que ele dava para perto, uma passo a mais eu dava para ficar longe dele. – Mas bancar a difícil não vai ajudar muito, talvez funcione com homens comuns, mas lembre... você não está com um no momento.
    Tentei fugir, mas seus braços me alcançaram , minhas pernas cederam e acabei caindo em seus braços. Não por que era meu desejo estar em seus braços, mas sim por que meu corpo estava fraco e cansado demais para lutar. Eu tremi debaixo de suas mãos tentando me levantar por mim mesma e foi inútil.
– Você não precisa ter medo. – Ele sussurrou baixando a guarda e voltando a ser gentil. Talvez sentisse pena de uma pobre mulher fraca, eu dispensava a pena.
– Não estou com medo seu babaca, estou tão fraca que nem mesmo eu me aguento.
  Ele não ficou bravo , mas tenso. Provavelmente ninguém o tinha chamado de babaca antes e confesso que me deixei levar, mas... droga ! Era difícil lembrar a cada minuto que ele sempre pode virar aquela coisa !
– Eu não vou conseguir andar direito, anda mais só de meias com um tempo frio desses.
   Dimitri  pareceu satisfeito com um sorriso dançando na beira de seus lábios do qual não cedeu e tinha um brilho estranho nos olhos ,que lembrava muito alguém que estava pronto para aprontar alguma e que sabia que ia dar certo.
– Estão se estiver com as botas virá jantar comigo? – Perguntou e saiu antes que eu pudesse responder e voltou com algo escondido nas mãos que estavam atrás de sua costa.
     Ele me sentou e mostrou um lindo par de botas negras de cano curto com pedrinhas estrategicamente postas na parte da frente formando um desenho. Elas lembravam muito diamantes, mas não podia ser...
    Arregalei meus olhos e quase aumentei meu tom de voz de nervosismo, era um costume meu fazer isso quando não sabia o que fazer.
– Não posso aceitar... Parece caro. – Disse o mais educadamente o possível. – Se pudesse ter as minhas... – Ele não aceitou um não como respostas.
– Deve ter estragado por causa da neve e além do mais... elas devem ficar melhor em você do que qualquer outra mulher que conheço. – Fiquei vermelha, mesmo com a temperatura baixa. Era de se admirar que com toda essas coisas acontecendo esse homem podia ser galante.
    Sorri me rendendo as botas e as vesti. Cabiam perfeitamente e fiquei de pé admirando-as, levou um tempo para perceber que eu estava sorrindo igual uma criança em dia de natal e quando percebi o que tinha feito, já era tarde, Dimitri me olhava como se eu tivesse feito algo extraordinário bem em frente aos seus olhos, mas acho que o tinha contagiado com minha emoção momentânea.
 – Eu disse que ia ficar perfeito. – Ele tentou evitar de sorrir, mas um leve sorriso torto apareceu rapidamente antes dele virar seu rosto mascarado do meu.  Ele estendeu um braço para que eu pudesse entrelaçar o meu e fomos até a mesa de jantar. A Casa ainda estava com a mesma escuridão que foi melhorada ao longo do caminho com velas, mas acho que não tinha nada a ver com a falta de energia elétrica e sim, por que Dimitri gostava de sua casa assim, escura e gótica. O melhor possível para que eu não pudesse ver demais, mesmo  depois de tê-lo visto nu. Parecia uma piada de mal gosto. Pensando nisso lá estava um sorriso estampado na minha cara, um maldito sorriso. As vezes eu queria saber por que eu tinha esse distúrbio, de ficar sorrindo em horas que não são adequadas para acontecer . Como quando você percebe que tem um cara de óculos escuros sentado na sua frente e você curiosa repara demais e acaba vendo que ele esta olhando para você, e quer disfarçar mexendo na bolsa, enquanto tenta esconder aquele maldito sorriso constrangedor por ter sido pega olhando. Ou quando você esta lendo e fala com seu livro como se isso fosse mudar aquele trecho dele que você não gostou e alguém vê e pensa o que será de tão bom que você está lendo ...
     Dimitri puxou uma cadeira para que eu pudesse sentar e fiz o que me pareceu certo. A mesa era enorme com duas velas presas num candelabro de prata em seu centro, mas pela distancia que Dimitri estava sentado, mal dava para ver seu rosto.  Mesa como aquela eram feitas para bailes da sociedade onde tem um monte de gente rica sentada enquanto arranjam casamentos para suas filhas, pois acham que elas estão ficando “velhas”.
– Para quê uma mesa com tal distancia ? – Perguntei. Tentei ver seu rosto mas só havia sombras feitas pela chama da vela dançando pela sua mascara.
– Costume . – Ele respondeu. – Sou acostumado a viver assim desde mais novo.
  Quase bufei com tal idiotice . Se isso era ser fino... minha família seria considerada um bando de caipiras, sentados um pertinho do outro enquanto falávamos alto e fofocávamos sobre nossas vidas e trapalhadas de nossos parentes.
    Em minha frente tinha um prato coberto com uma tampa e uma taça de vinho ao lado dele. Retirei a tampa e um cheiro conhecido encheu meu estomago de vontade e ele retribuiu roncando como uma motosserra . Carne assada com batatas cozidas e uma massa recheada com uma mistura de carne seca e outras coisas que eu não reconheci. Deus me ajudasse . Ele podia ter me dado qualquer coisa que eu comeria feliz.
   Tentei comer com calma e não ligar para o sentimento que estava sendo observada, mas era incomodo. Nunca gostei de ter alguém me olhando enquanto comia , principalmente alguém tão quieto. Mas estava ótima! Queria saber se ele que tinha feito...
– Por que fica me olhando? – Perguntei tomando um gole de vinho. Eu não sabia o nome mas o importante era que me deixava mais solta e valente, então estava servindo para algo. Olhei em sua direção e quase não dava para ver nada e sempre tive um olho muito bom. Um movimento, dois e ele respondeu.
– Faz tempo que não tenho companhia no jantar, mais de 100 anos na verdade ,então estou aproveitando o momento. – Houve um barulho de taça, ele engolindo e depois devolvendo a mesa.
    Tomei outro gole. E outro... Acho que já estava bêbada. Talvez fosse o plano dele, me deixar bêbada para me acalmar mais e não encher sua paciência e tentar fugir de novo.
– Por que não trouxe as outras então?
Ele limpou a garganta e tomou outro gole.
– Irritantes, ficavam gritando e chorando... ou me xingando e isso me deixava... – Acho que ele tinha sorrido, mas não tinha certeza. – Demoníaco.
   – Besteira. – Eu disse me levantando e sentando ao lado dele. Eu não lembrava direito se tinha comido toda minha comida , mas não me importava. Tudo que eu tinha certeza era que estava de saco cheio de tentar adivinhar a cara que ele estava fazendo enquanto me olhava comer, enquanto conversávamos.
– O que você está fazendo? – Perguntou irritado.
– Me sentando do seu ladinho. – Disse me aproximando mais .
   Ele parecia surpreso, mas não me tirou do seu lado e mesmo se tentasse teria que me carregar, pois minhas pernas estavam em modo gelatinosos.
– Suas pernas estão estranhas também? – Perguntei. – As minhas estão fracas e moles como gelatina. Olha! – Disse levantando minha perna em seu colo e ele mordeu o lábio.
– Você não pode ficar fazendo isso! – Ele avisou, mas não tirou minha perna de cima da dele e nem eu. Ela estava pesada e eu estava cansada demais para ficar mexendo ela. Talvez fosse o vinho... Pensei lembrando da vez Helena tinha bebido uns goles entre os intervalos da escola e acabou no armário de vassouras com o traste do Ray. Mas acho que não tinha armário de vassouras aqui.
   Olhei para o rosto dele tentando ver por que ele estava se escondendo de mim e não consegui identificar.
– Por que essa mascara Dimitri? – Perguntei levando meu rosto para perto dele e seus músculos ficaram rijos.
– Tenho marcas que não quero que você veja. – Respondeu.
   Mas não acreditei muito. Parecia normal para mim.
– Já vi coisas piores. – Disse. – Venha aqui!
 Agarrei seu rosto com as mãos e tirei a mascara. Dimitri deu um pulo da cadeira tentando tirar a mascara das minhas mãos, mas por estar talvez, bêbado também. Acabamos caindo no chão com meu corpo sobre o dele e a dor na minha perna cantou um milhão de maldições.
– Puta merda Dimitri ! – Disse olhando em seu rosto mal acreditando no que estava vendo. Nada. O rosto dele não tinha nada demais há não ser uma linhas negras nos cantos de cada olho como se fosse uma tatoo que foi feita no lugar errado. Mas não estava feio nem nada assim, e tinha algumas cicatrizes do lado esquerdo do rosto , mas não era nada para usar uma mascara como o fantasma da ópera. Talvez ele estivesse com o ego ferido ou algo assim. Deve ser difícil para alguém ter o rosto perfeito marcado da noite para o dia. – Parece normal para mim 
   Me aproximei mais do seu rosto a ponto de sentir sua respiração contra minha pele, passei a mão em seus cabelos e senti eles deslizando por entre meus dedos. A sensação era muito boa ou talvez fosse o vinho mexendo com meus hormônios .
– Fica bem melhor assim, não?! Me assustaria acordar e dar de cara com um homem mascarado. Já viu sexta-feira 13?
  Dimitri não respondeu. Só ficou me olhando com a respiração entre cortada , os lábios entre abertos com o rosto enrubescido. Depois de um tempo descobri o motivo de sua reação, eu estava sentada em cima dele com uma perna de cada lado do seu corpo , numa posição comprometedora, mas não tinha sentido por causa do vestido ter várias camadas de tecido na parte de baixo. Antes que eu pudesse me levantar Dimitri tinha juntado seus lábios nos meus..
                                      
                                    
                                  

2 comentários :

  1. <3 Adorei,até que enfim aconteceu o beijo <3
    Mais,Mais por favor

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    1. rsrsrs espere pra ver o que a Destiny apronta cheia de vinho!

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