A Maldição dos Wolf - 6º Capítulo

quarta-feira, 24 de abril de 2013
                
                             

    Ele estava me levando em seus braços, nu com a neve caindo sobre nós, mas antes que a neve chegasse a mim ela já havia derretido. O corpo dele estava quente e por isso nem me importei muito com o fato dele estar nu. Tentei não deixar minha curiosidade vencer e acabar olhando ou prestar atenção demais em seu corpo , pois ele podia perceber e fazer um comentário esperto sobre isso. Tentei olhar um ponto invisível sobre seu ombro enquanto encostava minha cabeça em seu peito, mas ele se sentiu desconfortável com o fato de estar o olhando, pois virou o rosto e sem perceber, quase não percebi que ele estava usando uma mascara e tinha virado o rosto para que eu não pudesse reparar demais.
   Meu corpo se sentia quente do lado direito, mas o outro lado estava ficando frio demais em um tempo muito curto.
– Vou morrer se continuar assim. – Disse me referindo aos passos lentos e cuidadosos dele.  Ele franziu o cenho e perguntou baixinho ainda com o rosto virado para o lado contrario ao meu.
– Prefere que eu corra? – Respondi que sim e ele me pôs no chão para que eu ficasse de pé. Antes que eu pudesse perguntar  o que infernos ele estava fazendo, ele virou de costas para mim e se abaixou me oferecendo suas costas e uma bela visão de seu traseiro. Tentei prestar atenção no que ele estava propondo e não em sua parte traseira, quando demorei demais ele interveio . – Suba nas minhas costas e segure forte. Sem medo de me machucar, pois vou correr ... e muito e se não segurar direito pode se machucar. Fiz o que ele disse e coloquei meus braços em volta do seu pescoço e ele circulou minhas pernas com seus braços com força para que elas não se soltassem . E eu gostei. Não por que era legal estar colada num homem nu, mas por que ele estava quente e tinha um cheiro bom, não conseguia descrever exatamente, era só limpo e mesmo assim selvagem e por um momento esqueci que estava nevando. Se fechasse meus olhos podia pensar que estava no parque num dia quente de verão em meio as árvores, mas minha imaginação travou quando ele começou a correr.
     Percebi que quando ele disse “ Vou correr rápido e muito “ tinha levado ao pé da letra, mas quando meu cabelo foi para o ar junto com a neve que estava sobre meu corpo e tudo a minha volta virou um borrão branco e negro vi que estava enganada e me arrependi de ter ficado de olhos abertos, pois a imagem se passando muito rápido estava me dando náuseas, mas consegui aguentar até chegarmos de volta a mansão amaldiçoada de The Wolf’s Hell.
    Ele não se deu o trabalho de me por no chão quando entramos pelos fundos e passamos pela cozinha, nem para que eu pudesse espiar o resto da casa. Ele seguiu até o quarto, um pouco escuro pelas cortinas estarem fechadas e me enfiou na cama e me cobriu com uma coberta de peles, e quando digo peles, é de verdade.
– Fique debaixo das minhas peles enquanto encho a banheira para você . – Eu não quis dizer que não precisava, por que eu realmente precisava. Não consegui nem mesmo dar uma espiadinha nele e já tinha ido para dentro do banheiro. Comecei a ouvir o barulho de água e de panos e pensei se ele estava colocando roupas... Parei meus devaneios e prestei atenção no calor. Meus dedos dos pés ainda estavam frios e dormentes, mas o resto estava esquentando bem e a pele cheirava bem. Tinha um cheiro parecido com o dele, mas era um pouco mais forte. O que era aquilo? Aquele cheiro? Antes que eu pudesse ter a resposta ele apareceu pela porta vestido, me tirou da cama me levando em seu colo e me colocando na banheira de roupa e tudo. Não protestei pois seus modos me dizia que ele diria algo como: “ Você prefere que eu tire suas roupas?” , eu não quis arriscar a ficar nua com um desconhecido.
     O banheiro não tinha muita coisa, mas era elegante, bonito com coisas antigas. Era tudo de uma madeira negra e pesada com detalhes rústicos e elegantes e parecia um sonho antigo, daqueles com mansões com grandes bailes e com muito romance e mulheres chiques com joias e longos vestidos. No local tinha a banheira em seu centro e uma mesinha ao lado com uma jarra com o que parecia com sabão liquido e uma toalha vermelha com iniciais gravadas nela. D.A.Wolf  . Dimitri A. Wolf ! Era o Dimitri ! O homem que eu vi na foto da lapide, que eu achei sobrenaturalmente lindo, e do qual comparei pobremente com um vampiro.
– Não tenho outras roupas... Dimitri. – Disse seu nome lentamente para ver a reação do seu corpo. Ele se alongou como um felino e foi ao espelho que ficava na parede a frente da banheira, depois deu um longo suspiro.
– Arranjarei para você ... – depois houve silencio, um silencio que parecia gritar um milhão de coisas e uma delas era, que ele parecia afetado quando eu disse seu nome. Como se tivesse esperado tempo demais para ouvir essas simples palavras e naquele momento ele não parecia tão temível como a poucos momentos atrás onde ele havia se transformado e me “ caçado” pela sua propriedade .
  Depois de um momento ele finalmente continuou. – Você estava na minha lapide . – Não era uma pergunta e sim uma afirmação.
 Me mexi desconfortável na banheira, ajeitando minha saia para que ela não revelasse nada para ele e olhei para meu pés, que pareciam saudáveis  agora. Eu nunca mais queria sair daquela banheira para enfrentar o frio lá fora, há não ser que estivesse coberta dos pés á cabeça.
 – Estava. Você estava me olhando ? – Perguntei mesmo não precisando da resposta. Ele estava me olhando todo o tempo, por toda a propriedade, a cada respiração. E eu me senti com uma pontada de raiva.
   Ele suspirou novamente se preparando pelo que parecia, uma longa conversa.
– Gosto de ver os invasores da minha propriedade . – Disse não parecendo irritado, mas sim divertido, como se o fato de ter chutado seu portão e fuçado sua propriedade fosse meramente divertido.
Eu sorri e encarei seu reflexo.
– Me parece satisfeito, mesmo eu tendo chutado seu portão e bisbilhotado sua casa.
 – Você foi bem ... nada silenciosa ou cuidadosa, poderia ter se metido em encrencas.
 Eu ri levantando minha perna com um hematoma enorme onde ele havia mordido e me arrastado por toda a casa.
– De onde eu vim, isso aqui já é estar encrencada .
Ele abriu ligeiramente os olhos negros envergonhado e passou a mão pelos seus cabelos obviamente irritado com sigo mesmo.
– Me desculpe por isso. – E bastou essas palavras para me arrepender de ter dito, ele nem sequer tinha percebido que eu havia dito para quebrar o gelo e ter uma conversa mais fácil.
  Revirei meus olhos.
– Não estou brava... é só... estranho. Parece até um sonho louco depois de uma sessão de filme...
– Um pesadelo. – Ele rebateu.
– Não. Já tive vários pesadelos. – E nenhum pesadelo meu teve um homem nu me carregando em seu colo, mas deixei essas palavras para mim . – E saberia se fosse um, na verdade você esta sendo gentil.
   Ele sorriu, mas por educação e me deixou sozinha dizendo que ia procurar algo para mim enquanto eu me “ banhava”. Quando ele disse isso lembrei de uma novela de época que tinha assistido com minha mãe e me lembrei dos detalhes de sua roupa e da lapide. Dimitri era com certeza mais velho, muito mais velho do que aparentava e do que eu imaginava.
  Tirei minhas roupas e me “ banhei “, depois de terminar eu me enrolei na toalha dele e logo depois de ter me enrolado ele entrou trazendo o que parecia ser um monte de panos. Eu peguei de suas mãos e os pêlos de sua mão ficaram arrepiados e seus olhos foram para meu corpo enrolado em sua toalha. Corada eu agradeci as roupas e esperei que ele se ligasse e saísse , mas não o fez.
– Dimitri?. – Ele balançou a cabeça levemente para limpar seus pensamentos e depois focou sem perceber em meu rosto, dessa vez ele não se virou para esconder o seu, mas desconfiei que era por pura distração. – Você pode ficar de costas?
   Depois de ouvir ele se virou envergonhado por ficar me olhando por tanto tempo e olhou para a parede como se tivesse de castigo. As roupas eram as mesmas de épocas . Roupas intimas com muito pano que mais pareciam um macacão de algodão , mais o longo vestido com varias camadas de pano da parte da saia, meias longas e grossas. Dai me lembrei das minhas botas, sem elas eu não tinha nenhuma arma e as tinhas deixado na neve....
Depois de terminar eu toquei em seu ombro e ele ficou estranho novamente e se arrepiou e me perguntei se sempre seria assim.
– Você pode olhar agora, – Disse mesmo tendo certeza que ele tinha espionado pelo menos umas três vezes. Era só olhar de canto para o espelho e ele veria tudo, principalmente quando ele tem essa parte animalesca e cheia de coisas legais como super olfato , audição  e visão.
    Ele se virou e seu rosto demonstrou primeiramente surpresa e depois aprovação.
– Ficou melhor do que aquelas roupas esquisitas . As mulheres de hoje usam poucos trajes. –Ele disse me fazendo rir. Se ele achava minhas roupas estranhas e que tinham pouco pano, imagine o que ele diria se visse minhas roupas intimas.
– Dimitri... – Disse prestando atenção em seu corpo. Toda vez que eu dizia seu nome ele ficava estranho, de um jeito fofo. Era igual quando eu falava com os caras que jogavam xadrez na escola... – Você já viu uma calcinha fio dental? – Perguntei pegando minha calcinha e mostrando para ele. – Parece estranho, mas fica lindo no corpo...
    Eu não precisei dizer mais nada, seu rosto ficou vermelho junto com uma coloração estranha de seus olhos negros indo para vermelhos.
– Eu... é melhor guardar isso. – Disse por fim olhando para suas mãos nervoso. A situação era divertida e tinha me passado pela cabeça que ele tinha ficado excitado, logo fiquei vermelha também.
    Mas não havia nada de mais com isso, afinal, ele ficou trancado na mansão com um monte de mulher, ele é bonito embora use mascara mesmo, acho eu , que não precise. E pelo que conheço das mulheres, um homem bonito numa mansão louco por uma mulher as tornam loucas.
– Você fica vermelho  rápido para quem ficou com um monte de mulher trancadas em seu porão. – Disse escondendo minha calcinha em um bolo de roupas.
Ele balançou a cabeça discordando e foi para o quarto e se sentou numa cadeira de costas, novamente para mim.
– Nunca toquei nelas, Mas eu quis.
    Pensei em perguntar mais alguma coisa, mas ele não parecia disposto a conversar sobre esse tipo de assunto.
– Tudo bem. – disse encerrando o assunto. – Mas se fosse eu, até deixaria, Mas sem mascara .
    E lá estava de novo em seu rosto, sombras de surpresa e de choque e eu queria saber o que ele tinha passado de repente para agir como se tudo que eu fizesse ou dissesse o deixasse assim, mas não tinha tempo para descobrir. Meu pai deveria ter arrancado o punhado do resto de seu cabelo e minha mãe criado um pé de galinha a mais. Eu tinha que inventar uma desculpa rápida, simples e lógica. Diria que havia invadido a mansão e achado Helena desmaiada por medo do “cachorro” que pertencia ao dono da mansão e a tinha enviado de volta para casa enquanto tentava convencer o dono a não me denunciar por invasão. A desculpa soou perfeita em meus pensamentos, ninguém sairia culpado e Dimitri podia ficar com sua maldição o sei lá o que , em paz.
– Olha... – Comecei pegando minhas roupas e tentando pensar em como ia explicar as roupas antigas  do qual eu estava vestida ao meu pai.  Talvez eu trocasse pelas minhas roupas normais dentro do carro... – Foi legal os sustos, os hematomas,  a perseguição, o quase congelamento, mas tenho que ir antes que minha família tenha um enfarte.
   Ele se levantou da cadeira rapidamente com determinação e percebi que ele , talvez fosse me impedir . E que Deus me ajude, eu ia comprar a briga e mostrar lhe o mesmo chute que Ray levou.
  – Você não vai conseguir.
    EU fiz que não com a cabeça e bati o pé no chão.
– Não vou ficar aqui... Olha foi legal, mas tenho que ir. Tenho provas, já esta no fim do ano e se eu quiser SUMIR dessa cidade, eu tenho que passar nas provas. Agora . Com ou não a sua licença – Disse saindo pela porta do quarto e partindo pelos corredores antes que ele me alcançasse . Cruzei o corredor e fui para a sala de estar e dei de cara com ele.
– Mas que merd...
   Quase completei a frase assustada. Com que raios o cara vai parar na minha frente? .
– Você é o quê? O fantasma da ópera? – Ele não respondeu, mas disse:
– Você não vai conseguir sair da propriedade. – Disse logo levantando as mãos para que eu não pudesse xingá-lo. – É a maldição. Você prometeu ficar se eu solta-se as outras. A maldição não vai te deixar sair.     
  Não acreditando em nenhuma palavra que ele havia dito, eu sai rapidamente e fui até o portão sempre olhando para trás enquanto olhava para ver se ele não me seguia, mas não o fez. Ele ficou parado na porta de entrada balançando a cabeça enquanto sussurrava para si mesmo “ não vai dar certo” que ele pensa que eu não tinha  lido em seus lábios. Foda-se.
  Um ar frio me bateu quando minha mão tocou o portão e uma força sobrenatural puxava meu corpo de volta a mansão. Eu tentei ao máximo me segurar, mas era inútil. Meu corpo foi envolvido por uma luz vermelha e logo não conseguia enxergar mais nada a minha frente. Tudo era vermelho carmesim e quando a luz se dissipou eu não estava mais lá fora , e sim dentro da sala... com Dimitri.
– Mas que porra?! – Gritei, – Pare já com isso e me deixe ir !
  Ele não riu. Seu rosto não expressava nem raiva, nem mesmo tristeza. Estava calmo como se tudo que saia de minha boca fosse um simples bom dia e isso me enfurecia!
– Se engana se pensa que estou fazendo isso . Quando disse que ficaria comigo por livre e espontânea vontade, automaticamente você se auto incluiu na maldição.
    Eu ia xingá-lo novamente, mas preferi tentar sumir dali. Indo direto para fora. Acontecia a mesma coisa e Dimitri tentava me fazer o mais calmamente o possível a desistir. E a cada vez mais que eu tentava, eu era sugada pela casa mais violentamente o possível. Na oitava tentativa eu cai em cima do corpo de Dimitri numa posição comprometedora, onde o corpo dele ficava esticado no chão e minha partes quase tocando seu rosto. Levantei vermelha por vários motivos: vergonha, raiva e cansaço.
  – Ai chega! –Eu gritei em desespero, quase em lágrimas. – Meu pai deve saber que estou aqui! Ele vai queimar a casa , chamar a policia e chutar o seu traseiro ! – Disse a ele, mesmo sabendo que meu pai nunca tentaria chutar o traseiro de um homem tão grande. Dimitri era duas cabeças mais alto que eu e muito mais intimidante quando esta cara a cara com uma pessoa. 
  Engoli em seco. Dimitri mesmo com a mascara era de matar.
   Ele chegou perto de mim e me encarou pegando minhas mãos nas suas. Minhas mãos cabiam perfeitamente dentro das dele me fazendo parecer diminuta .
 – Eles já não devem estar lembrando de você e mesmo se tivessem, ninguém pode entrar aqui a menos que a maldição os escolha e até agora, só mulheres podem entrar.
   – Você esta mentindo ! – Ele balançou a cabeça e fez um som com os lábios para que eu me calasse.
– Pense. Você não acha que alguém poderia ter dado falta de todas aquelas mulheres?! Vindo procura-las ?! – Eu não queria ouvir. Por mais que fizesse sentido, eu não podia suportar as palavras, pensar que não poderia mais voltar para casa, terminar as provas, sair da cidade... ver minha mãe..., meu pai.
Eu tirei minhas mãos das dele como se tivesse sido queimada.
– Isso é injusto! – Eu gritei . – A culpa não foi minha! Tinha que ser outra... outra pessoa! – Gritei e corri para o quarto que eu tinha acordado nessa manhã e chorei me trancando no banheiro. Chorei como nunca tinha chorado alguma vez na minha vida.
Toc, Toc, Toc.
   Soou batidas na porta e por entre os soluços ouvi Dimitri dizer algo sobre eu estar com fome e que iria fazer algo , mas não liguei. Continuei chorando até a hora do jantar.
  Eu sabia que tinha que lembrar de algo importante, mas não conseguia. Desde cedo havia entrado num dos cômodos da casa sentindo um vazio estranho dentro do peito, havia visto roupas e fotos de uma garota que eu não lembrava quem era, mas não conseguia parar de pensar que ela tinha o jeito perfeito de uma filha que todo pai gostaria de ter.
    Parecia que algo estava errado e que a resposta estava na ponta da minha língua, mas que eu havia perdido quando abri a boca. Vendo minha esposa passando várias vezes em frente ao cômodo da casa . Eu perguntei:
– O quê foi querida?
  Ela sorriu e balançou a cabeça como se tivesse esquecido como se respondia.
– É estranho, mas... acho que tinha que fazer algo importante aqui, mas não consigo lembrar o quê, e estou sentindo falta de algo...
  Abri o guarda roupas e vendo que ele estava cheio decidi perguntar de quem eram e minha esposa somente deu de ombros e respondeu:
– Deve ser de algum hospede que tivemos e saiu as pressas...
  Mas eu não me lembrava de ter tido um hóspede há mais de anos... e o pior. Lágrimas escorreram do meu rosto e eu não sabia por que uma tristeza enorme me consumia, minha esposa se juntou a mim e choramos, nós dois juntos sem ao menos saber por quê.

                                          

                                         

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