A Ceifadora - 9° Capítulo :

quinta-feira, 23 de agosto de 2012






Sebastian saiu e foi para o quarto descançar enquanto eu ficava foleando as páginas do diário do ceifador. Havia muitas coisas e esperaria ele sair de viagem para por em pratica e descobrir as respostas das minhas perguntas sombrias e inquietas. Mas me contentaria, pelo menos por agora descançar também por que amanhã seria um dia cheio ...cheio de perguntas, leitura, e correria atrás de Miah para conseguir algumas coisas. Uma delas era ir encontrar minha cova.

Fui ao quarto de Sebastian ou NOSSO quarto se preferir, afinal...dormimos juntos, e o encontrei deitado sem camisa e coberto em um edredom negro até a cintura e a voz no fundo da minha mente pensou ' será que ele está ...nu? ' e automaticamente imaginei e agradeci por estar morta aqui. Do contrario estaria no inferno com tais pensamentos, pensamentos impossiveis de não ter. Sebastian podia ser muitas coisas, mas ele é irrevogavelmente gostoso, quente, sexy e o "algo mais " dele. Ele é um ceifador. Um ceifador que faria a morte se tornar algo bonito ...e estranho. Disse para mim mesma. Onde já se viu a morte ser bonita? Chutei minha bunda novamente e fui para cama macia me rastejando gentilmente para dentro das cobertas, tendo um cuidado extra para não roçar nas partes de Sebastian e olhei para ele antes de fechar meus olhos.

Seu rosto parecia de um anjo negro. Lindo e mortal e ao mesmo tempo inocente. " Você faria mal a mim ou sabe quem o fez? " perguntei mentalmente. Sebastian poderia ser mal com muita gente, como Miah e Mike por exemplo, mas... não parece que faria mal a mim. Desviei meus olhos e os fechei tentando tirar a idéia da minha cabeça para não chorar. Eu tinha passado por coisas desde que cheguei aqui, mas não aguentaria saber que foi ele que... afinal, havia contado a ele meus medos, minha angustia e depositado minha confiança nele e não conseguiria perdoá -lo se ele não me contasse a verdade.

' Vá dormir pare de pensar nisso! ' minha mente gritou. Mas era dificil não pensar em tudo antes de dormir. Não fiquei no treino muito tempo e tudo que consegui foi afogar uma alí, engolir água suja lá. Mas depois de um minutos acho que consegui dormir até acordar assustada com uma falta de ar repentina e sentindo um peso sobre minha perna esquerda. Ela estava se mexendo para um lado sem que eu quisesse . Me senti nervosa. Pensando que era uma brincadeira sem graça de Sebastian, olhei para o meu lado onde ele estava. Ele estava dormindo e um medo se apoderou de mim. Era como estar no filme atividade paranormal.

Minha outra perna começou a se mexer para o lado contrário fazendo com que eu ficasse totalmente de pernas abertas. Algo está errado. Algo está muito errado.

Desesperada chorei e agarrei a mão de Sebastian o fazendo acordar.

- Tem alguém tocando em mim. - gritei para ele.

Sebastian se sentou na cama rápidamente em posição de ataque.

- O quê está sentindo? - ele perguntou.

Senti que se demorasse demais algo ruim fosse acontecer comigo então ainda desesperada gritei.

- Tem alguém em cima de mim! Me ajude... tem algo me fazendo mal. Não consigo respirar!

Sebastian desapareceu numa névoa negra bem em frente aos meus olhos e aquela sensação ruim se foi depois de meio minuto . Seja lá o que era, Sebastian sabia onde ela estava e resolveu o problema.

Sentei na cama agarrando minhas pernas ficando encolhida lá. Pensando ainda que algo terrivel poderia ter acontecido comigo e o quê estava fazendo isso.


******

Sebastian.....

Não sabia o que estava acontecendo com Anita, mas ao ver seu desespero, soube imediatamente o que fazer. Fui até onde seu corpo estava e lá encontrei a fonte de terror.

Um corpo enorme e gordo estava afastando suas pernas frageis para o lado tentando fazer a brutalidade, mais nojenta que um homem podia fazer a uma mulher. Tentar abusá -la.
Não sabia descrever o que sentia ao ver aquilo. Senti nojo, ódio e uma vontade de matá -lo e até mesmo torturá -lo lentamente com minhas próprias mãos.

Me aproximei do homem sentindo um cheiro forte de àlcool e cigarro e despi minha foice. Bela e mortal com uma lâmina curvada longa. Perfeita para o que estava prestes a fazer.

- Lindinha e jovem... né nenem. - ele disse meio grogue.

Coloquei minha foice sobre seu pescoço e o senti arrepiar. Ele não podia me ver, mas logo íria sentir um pouco de mim. Ele não ía ser julgado por Deus. Um porco como esse merecia passar a eternidade sofrendo e sentindo tudo de ruim que ele fez os outros sentirem. Me certificaria disso.

Com um movimento forte e até gracioso , o som da lâmina passando pelo seu ser nojento soou sobre o local. Como música aos meus ouvidos.

Seu sangue espirrou na parede, mas fiquei feliz de não ter sujado Anita. Ela estava linda mesmo com o longo e profundo corte em sua face, continuava linda.

- O que está acontecendo? . - O gordo perguntou totalmente sóbrio.

Sorri para ele. Era engraçado saber que a morte era um ótimo remédio para bebedeira.

- Você morreu. - disse sem paciência. Ele olhou em volta zomzo e se sentindo perdido, ele até parecia bem até ... ver o próprio corpo. Seus olhos saltaram das órbitas e ele começou a dizer um monte de besteiras e pedir perdão à Deus.

- Não vale se arrepender depois que morre. - disse a ele.

- Como aconteceu? isso não pode acontecer comigo...

Minha paciência se esgotou ao total.

- Vem comigo. - Ordenei. - Vou te levar para o lugar que merece.

- É bom.

Fiz que sim com a cabeça. Reaper não mentiam, mas davamos um jeito para não contar a verdade.

- Quem fez isso? - perguntou novamente. Era incrivel ver um homem tão nojento e ruim em suas mãos. Sabendo que a vida... morte quer dizer- está em suas mãos para fazer o que quiser. Era por isso que amo ser um ceifador. Ceifadores são justos. Se for bom... seremos bons com você. Se for mal.... bem... vamos deixar isso quando sua hora chegar

Abri a porta para a outra dimensão e senti o calor chegar ao meu rosto.

- Desculpe a demora em responder - disse educadamente. - Matei você por ter tocado em minha mulher.

Antes que ele pudesse fazer qualquer coisa o empurrei para dentro e fechei a porta o trancando lá dentro. No inferno. Onde era o seu lugar.

Andei até Anita e peguei um pano grosso perto de uma porta e a cobri. Ela podia ter medo de tudo, menos de mim. Protegeria e ensinaria à ser forte e com o tempo, ela decidiria se ficaria comigo. Nunca faria mal à ela. Mas não poderia prometer que não tentaria seduzi -la.

Dei meia volta entrando na escuridão indo para o lugar ao qual pertencia... ao lado de Anita.

******

Quando Sebastian voltou, senti paz e segurança. Algo que não sentia desde que meu pai havia falecido. O abracei. De início ele não fez nada aparentemente surpreso, mas não demorou muito para seus braços me rodearem e formar um abraço extra - apertado.

As lágrimas caíram e afundei minha cabeça em seu peito, tentando evitar que começasse com meu " chororo ".

- O qu....que aconteceu?. perguntei meio rouca .

Ele passou uma mão pelo meu cabelo enquanto a outra fazia carinho em minhas costas.

- Saqueador de tumbas. - Ele disse sem rodeios. - Eles costumam roubar qualquer coisas de pessoas mortas para comprar drogas.

Quase tive um treco. Tinha alguém querendo roubar minhas roupas?!

Encarei Sebastian duvidando de suas palavras. Ele não parecia de todo sincero.

- Só roubo, Certeza? - perguntei.

Não parecia que queriam me roubar, e sim fazer.... outras coisas. Coisas ruins. Como estrupo.

Sebastian estava sério.

- Estavam tentando roubar suas roupas, afinal... seu corpo não tinha nenhuma jóia.. - Ele pegou minha mão e me ajeitou na cama. - Você tem que descançar. Quer ser uma Ótima ceifadora? ... vai ter que estudar e estar tranquila para ter bons resultados.

Ele me ofereceu seu braço para descançar minha cabeça, e aceitei. Tinha certeza agora. Ele parecia.... bom, realmente bom e incapaz de me fazer mal, não pude deixar de pensar do por que ele tinha me escolhido . Escolhido alguém incapaz de proteger a sí mesma, e naquele momento jurei para mim mesma que seria mais do que uma otima ceifadora, seria uma ceifadora PERFEITA ou quase pelo menos. Conheço a mim mesma.

- Você é minha. Vou proteger você, mesmo que tenha que matar alguém para isso. - ele sussurrou em meu ouvido.

Beijei seu rosto agradecida, embora imaginasse o que ele tinha feito ao saqueador. Podia ser ruim, mas não me importava o que tinha acontecido lá. O medo que eu tinha sentido.... o desespero. Não importava o que tinha feito. O importante é que ele tinha parado com - seja -lá - o que - o cara estava fazendo.

- Vou sentir sua falta...queria ir com você . - Sussurrei triste. Eu não queria ficar só caso outro alguém tentasse continuar o assunto mal resolvido de seu colega profanador de covas, mesmo que precisasse adiar minhas coisas.

Ele sorriu. Um sorriso muito mais bonito do que do Johnny. Muito mais. " Desculpe Johnny! " não pude deixar de me sentir envergonhada. Sebastian era mais intimidador sorrindo do que sério.

- Oh...quando você se formar irá. Seremos uma dupla para eternidade.

Fechei meus olhos e senti a mão de Sebastian rodeando minha cintura num abraço.

- Não parece ruim a idéia. - sussurrei de volta e caí no sono enquando uma voz cantava docemente uma música italiana.

' Oh.. ele é bom '








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