Meu Vizinho Lobo - 14 Capitulo

quinta-feira, 23 de julho de 2015
                     14 Capítulo:
                                                                                    


 O bravejar dos trovões e a luz ofuscante dos relâmpagos iluminavam o poderoso corpo de Lucas, cortando os céus da noite com suas enormes asas e fazendo os civis tremerem perante seu rugido.

   Ele já não se importava com nada àquela altura. Os humanos novamente provaram a podridão dentro de si mesmos, quando torturaram e quase mataram sua própria cria apenas com a desculpa que a libertariam de algo que para ele, é o mais puro amor. O primeiro amor. Embora ele não tivesse nada direto com a situação, ele não podia evitar as memorias martelando sob suas têmporas, fazendo sua cabeça latejar e sua alma gritar aos céus seus sentimentos. Quanto mais sua ira aumentava, mais a chuva se intensificava, até que o poder da lua de sangue o tivesse tomou por completo.
Lucas nem sequer lembrava de como havia encontrado o caminho de volta para a cidade, mas seu corpo o lembrou de que precisava se esconder rapidamente. O amanhecer estaria próximo e não importava se seu corpo estivesse protegido por nuvens densas, ele sentiria os raios do sol. O poder que aquela bola de fogo tinha sobre ele, o tornando fraco. Nem mesmo a lua de sangue mais poderosa dos milênios faria com que seu corpo se tornasse mais forte diante do sol. Embora seu corpo e suas asas fossem mais rápidos que um jato, seu poder enfraqueceu e ele sentiu seus olhos queimarem. Não demorou muito para sua forma mudar e ele cair de vários pés de altura com sua forma aparentemente humana assim que o sol se levantava pelos montes. Seus olhos podiam ver através das nuvens, seu brilho mortal apontando para ele. Tudo que simples olhos humanos não poderiam ver.
Seu corpo bateu em grandes pinheiros e seus galhos arranharam sua pele frágil momentaneamente. Quando seu corpo atingiu o solo ele cedeu m abrindo uma cratera a baixo de seu corpo, como se um meteoro atingisse o local e não algo ridiculamente pequeno como ele estava. Lucas conseguiu se rastejar até um conjunto de prédios em terrível estado e pensou que se houvesse algum Deus por aí, que o ajudasse, pois ele tinha que esconder seu corpo antes que alguma nuvem cedesse e desse lugar ao raios mortais. Infelizmente, Lucas não teve essa sorte e caiu no chão desacordado quando seu corpo foi atingido. Ele podia sentir a umidade escapando de seu corpo, evaporando rapidamente, sua pele ficando seca e logo seus olhos ficando em chamas, assim como o sangue que corria em suas veias.
Cada segundo parecia uma eternidade no inferno, mas logo ele parou de lutar para se manter vivo e se deixou levar. Lembrando de coisas que aconteceram a muito tempo atrás, mas que ainda assombrava sua mente. Ele nem sequer percebeu quando foi tomado pela escuridão.
                                                                                    ******
Daiane olhava tristemente a chuva cair da janela de seu quarto. Ela havia trabalhado o ano todo esperando suas desejadas férias para finalmente viajar, quando fica sabendo pelos jornais que algum dragão qualquer torrou e quebrou boa parte da cidade, incluindo os aviões bons que a porcaria da cidade tinha. Agora, sem ter alternativa para lá muito segura, ela suspirou irritada percebendo que a chuva havia diminuído. Ela não teria escolha há não ser ficar em casa, pois de ônibus, tinha chances dela cruzar com vampiros a noite, ou zumbis se ela decidisse ir para outro pais. Ela não tinha decorado direito que área pertence a quem. Tudo o que passava na cabeça dela, era que em suas férias ela não conseguiria relaxar como ela gostaria e como se um mini diabinho tivesse ouvido e dito “Assim seja” algo atingiu a área atrás de onde morava, ocultado pelas arvores Daiane não conseguiu ver o que era, mas seja o que fosse, havia conseguido fazer sua casa tremer e seu coração quase ter um enfarte. Ela desceu as escadas de seu apartamento rapidamente e abriu a portão da garagem encarando ao longe. A chuva havia ido embora e daria para ver se algo estivesse vindo em sua direção. Qualquer coisa...ela poderia gritar, pelo menos isso chamaria a atenção dos vizinhos para que eles fossem cautelosos.
Sem perceber ela mexeu em seu alargador de orelha, mexendo a espiral que estava dentro dele. Uma mania que ela tinha pego quando estava nervosa. Ela não conseguiu, por mais que tentasse, não conseguiu enxergar nada de incomum ou aliens saindo dentre as arvores. Então seu corpo relaxou rapidamente pensando que seja lá o que fosse deveria ter morrido na queda, até que ouviu algo como um pêssego gigante caindo maduro no chão. Daiane sentiu seu coração parar na garganta e levou a mão a boca para abafar um grito. Sem saber por que, seu corpo foi movido pela curiosidade e se encaminhou em direção aonde havia vindo o som e encontrou um homem caído. Um homem enorme de cabelos cor de areia caído com sua pele seca e rachada como se algo houvesse sugado algo vital e precioso de seu corpo.
— Puta merda! — Gritou ela correndo em direção a ele e verificando se ele ainda se mantinha vivo. Seu coração ainda batia, mas seus olhos eram apenas dois buracos chamuscados. — Quem faria uma coisa horrível dessas?!
Com medo de seja lá quem havia feito aquilo, voltasse para terminar o serviço, ela tratou de enrola-lo num pano e arrasta-lo para dentro da garagem. Onde eles poderiam entrar no elevador e ser levada para dentro de seu apartamento sem que ninguém os visse, já que depois daquela tempestade e pelo horário, ninguém levantaria tão cedo ou sairia da casa depois de ouvir aquele barulho todo... exceto que ela era uma exceção e pensando bem...alguém mais poderia ser.
Então, Daiane foi com muita cautela e tratou de ter certeza que não seria vista por ninguém e seguiu seu plano. Quando passou pelo batente da porta com um homem de 1,90 todo machucado sendo arrastado por ela, ela não conseguiu se sentir nada menos que uma heroína fodastica. Porém, uma heroína fodastica asmática e cansada de arrasta-lo por ai.
— Não vamos repetir isso ok?! — Disse olhando em seu rosto sem saber se ele estava realmente ouvindo.
Como o homem estava muito frio, ela o colocou em sua cama e o cobriu dos pés ao pescoço com muitas mantas e depois correu para seus medicamentos no banheiro. Ela não tinha muitos, mas pensava em ter ou esperava pelo menos, o suficiente para ele até que desse sinal que estava bem. Se ele morresse em sua cama, ela não saberia o que dizer as pessoas.
Daia tentou ligar para o hospital, mas ninguém atendia. Tentou procurar ajuda, mas tudo estava um caos na cidade e ninguém queria se aventurar a buscar um homem atacado por uma criatura desconhecida por medo de serem devorados. Ou seja, eles estavam por si mesmos.
O telefone foi arrancado da parede em meio ao pânico e ela jogou ele no sofá para correr até o homem misterioso. Ela encarou sua cabeça para fora das cobertas e olhou seus olhos. Buracos vazios. Podia ser fraqueza dela, mas ela não queria ficar vendo aquilo então ela colocou compressas frias em volta do que era para ser seus olhos e tratou de trocar a cada minuto. Seu quarto estava escuro e aconchegante e isso com certeza seria bem-vindo num dia chuvoso se não fosse a loucura que havia acontecido em seu dia. Ela não conseguiu comer o dia todo, mas tratou de molhar os lábios do boy magia sempre que seus olhos não ameaçavam fechar. Quando mais ela o encarava, mais parecia que estava ficando bem, embora em sua mente isso parecesse impossível.
Ninguém se curaria tão rápido daquele jeito ainda mais depois que tinha passado. Foi nessa hora que ela lembrou do barulho, algo caindo... alguém caindo.... Uma pessoa normal caindo daquela altura numa velocidade razoavelmente alta... não teria chances e nem sequer a cabeça presa ao pescoço. Há não ser que fosse uma criatura sobrenatural.
“Me ferrei!” — Pensou ela mentalmente. Imaginando o que o tal homem seria. Ele não era lobisomem com certeza, nem zumbi ou elfo, pensou olhando em suas orelhas. Talvez bruxo, mas não vampiro. Vampiros morrem no sol, viram pó. Imaginou lembrando dos episódios de Buffy, fora que ela nunca havia visto um vampiro no sol. Mas no fim não importava, já era tarde demais e ela já o tinha socado dentro de sua casa.
Ao anoitecer todos os jornais pediam para que as pessoas tivessem cautela e ficassem de olhos no céu caso vissem uma criatura gigantesca que cuspisse fogo por aí. Coisa que ela não teve como não rir. Todas as criaturas sobrenaturais haviam sido postas numa lista com classificação, mas nenhum nome tinha dragões mitológicos. Meu deus! Ela dizia a si mesma. Até fadas estavam na lista. FADAS! Mal conseguiu conter o riso. Parecia aquela piada de mal gosto.
Rindo para si ela se sentou em sua cama ao lado do boy e encostou a cabeça ao lado da dele.
— Até que você daria uma fada legal. — Disse ela e a cabeça dele moveu-se para o lado e isso a assustou.
Suas mãos seguraram seu rosto e ela o encarou preocupada.
— Você está bem? — Disse verificando sua temperatura. Ele estava fervendo. ­ Deus, pensei que estivesse morto.
— Quem é você? — Perguntou num sussurro cansado. Embora ela tivesse salvado sua vida, ele não parecia feliz em ouvir sua voz.
— Salvei você. Trouxe você para dentro, tentei chamar a emergência... ­ —Mas antes que ela terminasse ele estava tentando se levantar. Suas enormes mãos arrancaram as cobertas de cima de seu corpo junto com o pano que estava enrolado e ele andou uns bons passos todo nu até que ela o agarrasse por trás.
— Me solte, tenho que ir antes que cheguem! — Gritou ele irritado.
— Eles não vão vir. Está um caos lá fora e estão com medo de vir aqui por ser a parte perigosa e pobre da cidade.
Ele demorou para dar ouvidos e até mesmo chegou a arrasta-la junto com ele quando cruzou a sala com ela colada em sua cintura.
— Cara, você está pelado, vão ver você comigo colado na sua cintura. Não vai pegar bem para mim. — Tentou argumentar, mas ele era teimoso igual uma mula.
— Você está sem olhos FILHO DA PUTA! Como que você quer sair por aí com todo mundo vendo você e você sem poder ver.
O homem suspirou cansado e abriu a porta da casa.
— Meu olfato é mil vezes mais forte do que qualquer criatura que conheça e minha audição também, acredite. Não vou precisar ver até achar agua, muita água.
Sem dar ouvidos a razão ele soltou as mãos dela do corpo dele e a deixou para trás tão rápido como havia chegado, mas ela não ia desistir assim. Se ele queria ficar se achando o macho man, era problema dele. Ela iria protege-lo até ver que ele estava bem.
Daia agarrou um lençol e saiu em disparada a única pista que ela tinha. Se ele queria água, muita água. Só teria um lugar para onde ele iria.
A Caixa d’água do prédio. Uma enorme caixa cheia de água.

                                                                                ******
Quando Mila abriu os olhos Lucius sentiu o mundo pesar em seus ombros. Ele queria poder ler sua mente para saber por onde ele poderia começar. Ela parecia abatida, mas não deixou de expressar sua preocupação com ele.
As mãos dela rodearam seu corpo num abraço apertado antes de olhar fixamente em seu rosto.
— Você está bem? — Perguntou preocupada e checando para ver se ele estava realmente. — Pude jurar que havia ouvido seus gritos... — Sua voz começou a sumir imaginando se o que estava em sua cabeça tinha realmente acontecido. Obviamente ela havia ouvido Lucius uivando quando ele levou uma chuva de tiros e foi atacado, porém, não abatido.
— Meus pais? Onde estão? — Perguntou e ele não soube o que faria no momento a não ser mentir.
Ele a encarou com seus olhos poderosos mudando sua atitude e disse com sua máscara de gelo.
— Eles desapareceram no meio do tumulto. Voce estava toda machucada e havia homens armados... Fizemos o que tinha que ser feito.
Mila olhou o vazio em seguida desviou o olhar dos olhos dele.
— Desculpe se machucaram você.
Lucius queria tê-los matado mais uma vez só por aquela frase. Nada daquilo era culpa dela! Como ela poderia pensar em algo como aquilo? Embora ele não sentisse remorso por tê-los assassinado. Ele se sentia mal, por ela se sentir mal e por saber que não importava como os pais dela agissem, ela os amaria do mesmo jeito. Mas ele não tinha certeza se ela faria o mesmo por ele. Perdoa-lo, não importa o que fizesse... mesmo que isso incluísse a morte dos próprios pais.
Ele a abraçou fortemente.
— Não é culpa sua, querida. Não é de ninguém .
E ele a ouviu. Ouviu cada choro, lagrima e dor que ela estava tirando para fora no momento.
E louco como o inferno que ele queria saber agora aonde Lucas havia se metido e esperava que estivesse numa situação melhor do que ele esperava.

                                                                            ******
Daiane subiu correndo desesperada as escadas da torre para chegar a caixa d’água e quando chegou lá não sabia se gritava por ajuda ou se desejava a morte do homem por ele estar boiando com a cabeça debaixo da água. Logicamente agora estava morto e ela teria o dobro de culpa e o dobro de dificuldade de tirá-lo de lá. Mesmo assim tentou faze-lo.
Ela ajeitou seu corpo, pensou nas possibilidades, tirou a roupa de frio ficando de pijamas e saltou em direção ao desgraçado que estava tornando seu dia difícil demais para seu gosto.
Seu corpo caiu mergulhando na água próximo ao corpo dela e ela tentou arrasta-lo para a margem onde se localizava outra escada para sair dali, mas quando estava se aproximando o maldito levantou a cabeça da água e perguntou com a maior calma do mundo.
—Você está maluca? O que está fazendo? — Perguntou confuso e calmo.
Ela o encarou furiosa e respondeu à pergunta óbvia.
— Salvando sua vida! Coisa que parece que você não está querendo!
Ele a encarou e gargalhou. Suas mãos foram para seus olhos e ele desfez seu curativo tirando as compressas. Seus olhos estavam brancos, mas estavam lá. Ele não só tinha olhos como certa como o inferno que ele que até o fim do dia ele estaria 100% novo em folha.
— Filho da puta! — Disse ela saindo em direção a escada. — Da próxima vez eu afundo sua cabeça no vaso sanitário! — E saiu batendo o pé e colocando de volta suas roupas.
Ele nem sequer expressou que se importava. Pensou ela antes de encara-lo de cima e o vendo mergulhar novamente na água. Houve um brilho estranho na água e ela jurou que viu enormes asas brotando de suas costas e afundando até o fundo daquela caixa escura.
E ela sabia que estava ferrada. NOVAMENTE.


               
                               

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