A Ceifadora - 11 Capítulo

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

   



 Sebastian ....



     Mike estava com aquela cara calma e com os olhos inquietos,  me dando a indicação que a merda tinha ido para o ventilador e eu não queria adicionar o nervosismo por ele saber que eu estava puto da vida por ele ter me atrapalhado.  Cruzei os braços sobre o peito e deixei meus olhos  em tom branco, por mais que gostasse da cor não poderia controlar sua aparição. Era só estar irritado que o modo ceifador estava ativado.

      - Desculpe ter atrapalhado. - Disse arrependido,  mas não liguei a mínima. Tudo que eu gostaria de saber era o que porra estava acontecendo e que fosse importante.

      Revirei os olhos e deixei meus lábios numa linha fina. Embora Mike fosse meu irmão eu poderia chutar sua bunda até  Cérberus comer sua carcaça. O único motivo de não tê-lo feito era por que ambos tinham feito uma coisa ruim para ajudar um ao outro e que não gostaríamos de revelar as mulheres da casa.

- Ela fugiu. - Mike disse quase num sussurro e também pois seus olhos em branco ativando seu modo ceifador.

     " Eu não sei como aconteceu.. ela é poderosa demais! " - Ele começou se desculpando novamente, dessa vez mentalmente.  Telepatia era um dos meus poderes preferidos e gostaria mais quando Anita desbloqueasse seus miolos para que eu pudesse ver seus pensamentos. Fechei minhas mãos em punho me contendo para não socar o Mike.

     " Como diabos isso aconteceu?! " Gritei mentalmente de volta. Ela tinha escapado e isso só daria em merda para mim. Eu deveria tê -la matado, mas já estava enfraquecido pela nossa luta e acabei a trancando numa jaula em outra dimensão. Achei que nunca acharia o caminho certo para fugir, mas estava errado. Se ela voltasse a esta casa ... Anita estaria correndo perigo ou eu mesmo. Ela me odiaria o bastante para querer ter uma vingança a altura e usaria minhas fraquezas para isso e ela conhecia cada uma delas.

      " Ela deve ter seduzido um dos guardiões  e pegado uma carona no barco de Caronte "( O Barqueiro da morte , ele é responsável pela travessia das almas dos mortos de uma dimensão a outra) .

       Se eu não estivesse morto,  teria morrido de ódio. Podia sentir a ilusão de meu sangue ferver e a adrenalina tomar conta de mim.

       " Eu cuido disso depois de voltar de viagem. " Estava com a estratégia pronta em minha cabeça e saindo de minha boca quando o chamado da morte veio. " Cuida de Anita por mim, é uma ordem.  " Disse dando meia volta mais puto da vida do que nunca. Primeiro por ela ter fugido e Segundo por não ter tempo de me  despedir de Anita.

       Saí dando as costas ao meu irmão e entrei numa sala secreta que ficava na biblioteca, lá estava todos os meus poderes, segredos e tudo que ninguém,  nunca colocaria as mãos. Entrei através de uma porta atrás de uma estante e fiquei dentro da escuridão até os gritos começarem. Quando a morte chama não tem como escapar, ela pega você sem você perceber e quando o faz,  já é tarde. Não demorou muito para bombas explodirem diante de meus olhos e eu estava dentro da guerra. Homens gritavam , abatiam seus inimigos e tentavam salvar os que podiam. O mundo estava ficando podre e as pessoas incrivelmente burras. Todos tem sua hora certa para morrer. Por que simplesmente não me deixam fazer meu trabalho?  , mas não!!!  Eles tem que matar uns aos outros. Tem que matar a seus semelhantes por motivos fúteis como poder, dinheiro e até drogas. Antigamente era só um duelo ali,  outro lá,  mas atualmente pessoas se matam até por ciúmes ou simplesmente por ódio. Isso me fez lembrar de um grupo de estudantes que tive em minha gadanha....Uma das garotas do grupo mandou o namorado atirar em todos seus colegas, simplesmente por que não gostava deles.

       - Hora de pegar almas. - Disse indo em direção aos fogos. Esperando que seja lá quem morresse ,que fosse rápido ,assim poderia resolver meus problemas.

         Outra bomba explodiu fazendo meu cabelo voar e um braço se separar do corpo de um homem próximo á mim.

- A culpa não é sua....nem minha - disse ao homem.  - Nem de Deus. - Continuei. - A primeira coisa que maioria das pessoas diziam à mim quando morriam era " Por que Deus?  " Todos sabiam a resposta, mas negavam para sí mesmos.

- Deus deu uma coisa chamada poder á vocês, poder de livre arbítrio.  - Coisa que eu não tinha, mas dava um jeito de contornar as coisas. - Deus deu isso á vocês e o que fazem?  adiantam suas mortes e deixam o inferno cheio!  - disse olhando o rosto do pobre homem. O sangue jorrava da parte direita de seu corpo e dava para ver sua alma saindo pelos olhos.

        Eu não queria acalmar ninguém.  Eu apenas queria que soubessem a verdade.

- Depois eu que sou ruim! - disse balançando a cabeça. Sabendo que não importava o quanto as pessoas errassem, elas jogariam a culpa em Deus e na Morte. Talvez para amenizar a culpa que tem dentro deles mesmos.

          O homem olhou diretamente em meus olhos e empalideceu, mas não sabia se era por falta de sangue ou pela presença da morte.

     - Não se preocupe...- disse cansado. - Você não fez tantas coisas ruins.
       Estiquei minha mão e minha foice apareceu com a lâmina afiada brilhando entre a desordem.

      - Pra quem sofreu até agora...isso não é nada. É só o começo do fim.

       E o som das ondas cortantes cortaram o ar.


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