Natal Infernal - 3 Capitulo

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013



         Fiquei horas mexendo nas coisas dela e até achei um diário e decidi queimá-lo mais tarde pois tinha coisas reveladoras demais para meu gosto. Eu sabia que ela não era boa pessoa , mas Alysha parecia um demônio para mim agora, um demônio do qual me livrei. Não que isso me tornasse uma boa pessoa, longe disso, mas pelo menos ninguém teria motivos a mais para odiá-la. Por que ela não existe mais.
       Achei que ficaria sozinha, mas não vi o tempo passar e logo a mãe dela voltou com o livro em suas mãos. Eu queria tirar o livro de suas mãos e dizer “ Meu precioso !”, mas isso seria estranho para ela uma vez que sua filha odiava tudo que era bom.

- Esse ?- Ela perguntou duvidosa e aquela vontade de tirar o livro dela estava ali.

- Claro ! Tenho memória fotográfica e fui eu que coloquei ali para ninguém comprar. – Ela não parecia acreditar ainda, mas aceitou a resposta e saiu andando em direção a porta , mas não partiu. Só ficou ali parada esperando algo invisível que só ela sabia o que era.

- Desça e venha me ajudar a fazer o jantar então, não quero que seu pai pense que você voltou a fazer...- ela pausou um pouco antes de continuar como se estivesse segurando algo repugnante e amargo em sua boca. – Eu não voltei .- Eu disse segura de mim mesma. – Não mais, nunca... eu prometo, foi só... sabe... amigos errados.

     Ela virou o rosto para longe e sussurrou um “ Assim espero” e seguiu entre os corredores. Olhei um pouco o livro e cheirei as páginas extasiada . Aquilo sim era melhor que drogas. Qualquer coisa era melhor, até adotar um cachorro era melhor.. e mais útil. Além de fazer algo bom você não fode sua vida.  Descendo as escadas e indo para a cozinha que só Deus sabe como fui direto para lá , eu pensei que provavelmente eu era como os personagens da estória do livro, a única diferença era que eu não sabia se eles eram metamorfos... Coisas que se transformam em outras pessoas como eu. Assim que entrei na cozinha senti um cheiro delicioso de molho e carne assada e me senti deslocada por um momento. Era estranho estar num ambiente tão “família” já que nunca tive uma ou não me lembro o suficiente de ter tido um dia. Eu sabia cozinhar, havia aprendido olhando os chefes de restaurantes pela janela dos fundos e até me transformei em um uma vez, quando ele não pode aparecer por que estava gripado, e todos elogiaram por sorte minha comida, pois do contrario ele estaria desempregado agora.

      A mãe dela estava mexendo numa panela quando ela apontou a colher de pau para mim e disse:

- Corte uns legumes para mim.- E fiz isso como se fosse ganhar um recompensa por ser uma menina obediente. Os cortei de modo rápido , os deixando finos , mas logo me arrependi por que fiz sem saber como Alysha cortava, “se” ela cortava alguma coisa. A mulher estava me olhando como se eu tivesse criado chifres e não pude evitar de passar a mão em meu cabelo e ver se sua cor estava diferente. Se a transformação estava falhando comigo justo agora, mas não estava. Tudo estava perfeito.

    - O que foi ? – Perguntei  pensando que talvez não fosse o cabelo, talvez fosse os olhos... ou o rosto..., talvez ela chamasse o segurança.

   - Onde você aprendeu a fazer isso ? – Ela perguntou e me aliviei um pouco. Eu terminei de cortar mais alguns e tive um tempo para pensar na resposta.

- Fiz aula assim me ocupava de algum jeito, sabe?! – Falei e ela quase suspirou de alívio, dava para perceber que ela estava começando a acreditar que sua filha estava realmente mudando e não que era outra pessoa. Quase sorri também sem saber muito o motivo. Se era por que eu tinha uma família, ou por que meus planos estavam dando certo, ou se simplesmente era por ver essa mulher feliz. Algo bobo como um sorriso podia significar tantas coisas que as pessoas não saberiam nem sequer classificar a razão dele estar ali.

       Terminando o jantar colocamos  a mesa e arrumamos de um jeito legal e cheio de frescuras como garfos e facas demais, imaginei que era coisa de pessoas que tinham dinheiro demais e isso não me preocupava realmente, eu poderia dizer que estava sem fome e assaltar a geladeira depois , ou olhar alguém próximo e imitar seus movimentos. Pessoas se preocupavam demais, tudo que eu fazia era observar, prestar atenção e tudo sairia perfeito. E se pensasse bem , alguém tão sem modos como Alysha não saberia nem metade do que pra que servem cada talher da mesa. Provavelmente eu seria mais culta, provavelmente todos ficariam me olhando e pensariam como ela havia conseguido tal proeza de saber qual era a faca de peixe e qual era a de manteiga. Pensei em um milhão de coisas até me lembrar que ela não faria isso, ela simplesmente faria o que quisesse por que essa era sua casa, o lugar que ela viveu, meu lugar agora e que eu tinha que parar de pensar em coisas que não devia.

      Depois que todos sentarão na mesa , eu fui a ultima pois não sabia o lugar de costume de cada um, me desculpei pela demora e acenei para todos dando “oi” “olas” e sorrisos e me sentei perto da mãe dela e daquele homem que havia encontrado quando entrei nas portas dos fundos.

- Heleonor a comida parece ótima. – Ele disse arrastando umas palavras e tentei desvendar seu sotaque. Talvez fosse britânico , não sei. Todas diziam que eles eram os melhores... talvez fosse por isso que minhas pernas viravam gelatina quando ele falava. Se ele dissesse qualquer outra coisa, até mesmo boba como chiclete seria lindo e sexy.

 - Você vai amar Trevor, Alysha teve aulas e foi ela quem fez a maioria das coisas.

- Agora que você disse ninguém vai comer !. – Eu disse  e todos riram e não sabia por que, mas com certeza havia feito a coisa certa.

     Trevor. Um nome bonito e diferente dos que tinha ouvido falar e eu tinha gostado, mas ainda sim não sabia quem era Trevor , pois ele era só um nome para mim. Talvez pudesse dar uma lida nas ultimas paginas do diário para ver se Trevor aparecia nelas e leria rezando para que ele não tivesse tirado a virgindade dela ou coisa do tipo, seria difícil explicar do por que ela tinha virado virgem novamente.

    Depois que todos terminaram de comer e pude finalmente ir para meu quarto feliz de tudo ter dado certo enquanto os outros conversavam na sala, parei em meio ao corredor ouvindo a voz de Trevor vindo de um quarto. Ele estava no celular.

- Não. Não. – Ele dizia alterado. – Está tudo conforme o plano. Sim. Ok. Vamos seguir adiante e ver o que fazer no caminho....

   Cheguei mais perto da porta para ver se conseguia ouvir toda a conversa e uma fresta estava aberta... Trevor estava sem roupa e a pele de seu braço estava ensanguentada expondo uma ferida aberta e depois a pele caiu no chão como uma banha de porco. Trevor amaldiçoou e pegou a pele do chão colocando num cesto de lixo.

-Troca de pele estupida!

     Ele olhou de relance e viu a fresta aberta e correu para fechar, mas eu já estava fora de sua linha de visão felizmente. Trevor não era apenas um desconhecido, ele também era um metamorfo.




       

                                      

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