Natal Infernal - 2 Capitulo

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Eu estava em frente ao portão que mais parecia proteger uma fortaleza do que uma casa com as mãos úmidas de suor. Meu coração estava a mil e eu não tinha nenhuma ideia do que dizer a minha nova mãe. “ Oi, tudo bem?! Como foi seu dia?... Eu queria dizer mãe que sou uma nova pessoa literalmente , então não ligue se sou educada demais agora...” nada parecia bom o bastante então entrei do jeito que pensei que Alysha entraria, com cara de “meu mundo é um saco e estou de Tpm” entrei passando pelo portão levando um aceno de cabeça de um homem que deveria ser o segurança e dei um oi tímido a ele seguindo até a parte dos fundos da casa e entrando pela porta de serviço. Respirando de alivio com a mão ao peito quase não percebi de momento até um homem tossir para chamar minha atenção. O homem não era muito mais velho que eu e estava vestido com uma camisa branca meio folgada e calças negras. Estava descalço e sorrindo.
- Está diferente da ultima vez que te vi. – Ele disse com uma voz melodiosa que fez minhas pernas tremerem, embora não soubesse o motivo, talvez fosse a adrenalina de ser pega fazendo o que eu estava.
      Eu abaixei a mão e tentei não demonstrar que não sabia quem ele era e que sua voz não me afetava de nenhum modo.
- Todos dizem isso, mas acho que fui influenciada ultimamente pelas minhas leituras .
      Ele riu quase desacreditado . Eu podia ser muita coisa, mas não era ignorante... se Alysha era, problema era dela e não meu.
- Não achei que era do tipo que lia.
- Você acha muita coisa desde que me viu.
       Eu não queria ser mal educada, mas saber detalhes demais da vida de uma pessoa como essa era algo que não estava na minha lista. Sabia demais de sua ignorância para acrescentar mais na lista.
Bêbada. Drogada. Vadia. Sem educação. Amigos. E agora o pior... sem um pingo de cultura, isso era demais para mim.
     Ele pareceu quase ofendido , mas sua diversão prevalecia em seus olhos. Ele tinha gostado do que eu havia dito.
- Esta irrevogavelmente diferente...- Antes que ele pudesse dizer mais alguma coisa eu dei um beijo em sua bochecha o interrompendo .

-Você pensa demais sabia?
   
  E  sai correndo subindo uma escada que só Deus sabia onde dava. Levei um tempo correndo entre os corredores, fuçando portas até achar o quarto dela... quer dizer , Meu Quarto e logo que meu coração voltou ao normal alguém bateu em minha porta.
    
      Era uma mulher desta vez, parecida com Alysha só que com muitas rugas e umas mexas de cabelo branco espalhadas pelo couro cabeludo e bem penteado. Devia ser a mãe e ela parecia brava e cansada. Seus olhos tinham olheiras e ela mexia suas mãos como se estivesse prestes a me dar um tapa.
   - Você disse que não usaria mais drogas! Espero que a saída de hoje não seja.... Eu não sei o que vou fazer se você... – Ela mal conseguia terminar antes de cair as lagrimas .
       Que porra Alysha! Bem que ela mereceu estar onde está.

- Não estou usando nada. Eu fui a biblioteca ver um livro que estava interessada. – Garanti com a voz firme  e segura. Não era mentira.     
    Poucos momentos antes de executar meu plano eu estive na biblioteca, só que era eu e não Alysha.

- Livro? Biblioteca? – Ela disse num mesmo tom daquele homem, só que no lugar de divertida ela parecia transtornada, quase possuída.- Se quer que eu acredite nisso mocinha, você vai ter...- Antes que ela pudesse dizer mais alguma coisa eu a interrompi . E certa como o inferno que passaria semanas fazendo isso até que confiassem em mim.

   - Fantasia, terceira prateleira, autores com A. Nas Profundezas, se quiser ir lá e comprar pra mim agradeço.- Disse antes de me trancar no banheiro que ficava numa porta no quarto e fiquei olhando pela janela até que vi a mãe dela saindo de carro e virando a esquerda e certa de que ela iria na biblioteca para acalmar seu coração e ter um pouco de esperança. Esperança que sua filha tomasse jeito na vida e vivesse no lugar de foder tudo.
      O livro era sobre fantasia que contava historias sobre seres que podiam sentir e ler o que as pessoas pensavam apenas em observar seu corpo e como seus clãs viviam harmoniosamente até um decidir usar seus poderes para o mau e toda aquela coisa. Ela podia não acreditar sem por cento e até ficar com o pé atrás de que eu tinha planejado engana-la, mas também teria esperança para pensar que talvez eu estivesse dizendo a verdade.


              

                                      

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