Fugindo do Inferno - Capítulo 5

terça-feira, 29 de janeiro de 2013


Não me lembro direito, mas havia caído no sono em seus braços. Levantei morrendo de vergonha por te-lo abraçado enquanto dormia e tirei minha mão de seu peito lentamente.

− Desculpe... Faz muito tempo que não durmo...

   Ele sorriu e olhou para o lado do barqueiro do qual me encarava de um jeito estranho.

− Tudo bem, eu te entendo... – ele disse passando a mão pelo cabelo e parecia bom de faze-lo. Eu queria faze-lo também. – Sou Castiel.

− Tipo anjo?

− Mãe religiosa, desculpe a decepção.

− Graça.

   Ele chacoalhou a cabeça em descrença.

−  Seu nome... ou.. está brincando comigo?

−  Meu nome.

  Ele riu. – parabéns a nós então ! – Ele estendeu a mão para me cumprimentar e eu a peguei.

− A nós..

     Olhei de canto de olho Caronte e pude jurar que ele revirou os olhos e fez cara de enjoado.

− Você passou décadas tentando fugir e me aparece acompanhado. O que passa Cass... – Por um momento pensei que estava ficando louca, mas não. Caronte tinha soltado essa tão de repente que nós perdemos a fala.

− Melhor uma na mão do que nenhuma Caro.

  Uma risada malévola veio do corpo ossudo e ele apontou um dedo acusador para ele.

 − Não pode mentir para o mensageiro da morte Castiel. Você tem sentimentos por essa mulher  !.

  Castiel desviou seus olhos dos meus quando o encarei. Cheguei a pensar em perguntar se era verdade , mas era melhor não saber no momento por que não estávamos livres de Luke.

  Mas decidi perguntar ao invés :

− Estamos fugindo de Luke ou do inferno ?

− Do inferno.

   Ele pareceu levemente irritado com a mudança de assunto, eu não queria fazer com que a declaração que ele tinha sentimentos por mim algo sem importância, mas eu não podia criar esperança para novamente Luke tirar de mim.

− Como isso é possível? – perguntei chegando  perto dele novamente, perto o suficiente para sentir um calor, humano, e não um calor que vinha do fogo do inferno.

   Ele segurou minha mão, um abito que ele criou desde que fugimos de Luke, que era apenas há algumas horas atrás .

− Fiquei décadas lá e passei tempo achando um jeito de sair. Precisei achar um jeito de achar uma moeda especial do qual o colega ai – Ele disse apontando para Caronte do qual fez um Jóia com a mão em retorno. – só aceita de um certo tipo. Tive que fazer coisas, conversar com coisas do qual não queria e esse ai – Disse apontando novamente para ele. – Me deu algumas dicas e conselhos para sair dali , mas só por que eu não deveria estar ali.

      Aquilo não me pareceu nada estranho , na verdade fazia com que tivéssemos mais em comum do que eu gostaria.

− Eu também não deveria estar lá – Comecei meu desabafo – Minha mãe começou a fazer algo ruim e Luke , como eu chamo o senhor das trevas, bem... ele passava muito tempo lá e minha mãe quis fazer uma troca. Ele me levava e ela continuava a gastar o dinheiro do demo dela.

    Ele não sorriu, mas fez cara de nojo e engoliu em seco.

− Aconteceu algo parecido comigo, mas foi meu irmão. Meu irmão gêmeo . – Disse começando o seu próprio desabafo – Meu irmão gêmeo fazia muitas coisas ruins com outras coisas ruins e Luke, o cara maluco lá embaixo estava na cola dele. Então no lugar de Luke levar meu irmão...ele me levou – Ele limpou a garganta com um pigarro – Ele disse que uma alma boa no inferno vale mais que um milhão de almas ruins. Fora o fato disso deixar anjos e Deus levemente tristes e irritados.
         Era isso então. Luke queria provocar Deus levando almas boas para o inferno e por acaso umas dessas almas era eu. Eu não era importante para Luke ou útil, então por que ele estava atrás de mim ? ele simplesmente poderia nos deixar ir e pegar mais algumas almas mundo a fora. Mas ele preferiu ir atrás e nos perseguir .

− Se não fossemos importante por que Luke viria atrás de nós? – perguntei e não só Castiel, mas Caronte também refletiu .

− Por que são puros. – Nós olhamos para Caronte e em sua face ossuda e sem pele vimos um brilho estranho. – O verdadeiro mal gosta de usar pessoas puras e de bom coração ou até melhor, virgens ou crianças. Quanto mais o mal corromper o puro, mais forte ele fica.

      A explicação dele era boa , mas não o suficiente. Eu era virgem e me considerava boa de coração, mas não tão pura o suficiente para o mal me corromper. Ele havia feito isso a minha mãe e a minha irmã, que era criança e pura, mas não conseguiu me fazer passar para o seu lado.

− Não acho que eu seja tão pura do jeito que você fala. – Castiel me olhou de um jeito estranho, como se me perguntasse com os olhos com quantos homens eu havia saído e o recriminei com os meus próprios. – Não é o que você esta pensando ! É só que... 
– Tentei começar minha explicação e tudo que Castiel fazia era olhar para mim como se eu estivesse prestes a lhe contar um monte de coisas mundanas ! – Eu tenho uma irmã de dez anos e ela é praticamente um demônio ! Ela é criança e eles são considerados puros, então por que ele me levou ao invés dela ?
       −Não é como se eu quisesse que ele a levasse, mas eu só quero ter as respostas  .

    E todos voltaram a pensar novamente.

    − Talvez você tenha algo que ele queira, − Caronte disse e podia jurar que o cara estava rindo.

   − Acredite em mim. Não tenho. Ele coisas fortes e más trabalhando para ele e um zilhão de amantes siliconadas que fazem tudo que ele pede. Perto disso eu não tenha nada a oferecer. Eu não o obedeço , não durmo com ele e se tivesse que faze-lo faria com outra pessoa primeiro...

   Caronte olhou para Castiel e ele ficou vermelho e mesmo sem querer eu fiquei também.  Eu não quis dizer aquilo com aquele significado ! Eu só queria dizer que qualquer outro era melhor que Luke e não que daria uns amassos em Castiel primeiro, embora a ideia agora não fosse ruim.

− Talvez ele te queira por que sabe que não pode ter. – Caronte veio novamente como se todas as respostas fosse alguém sentir atração por alguém. Como Castiel não fugiu antes por que estava apaixonado por mim e que eu não me entreguei a Luke por que era apaixonada por Cas, e que luke me queria por que nunca ia ter e assim continua o ciclo vicioso.

− Ele poderia fazer uma de suas amantes se parecer comigo... ele já fiz isso uma vez ou duas,

   Castiel me olhou chocado.

− Não gostei de ver um monte de eus numa suruba conjunta com Luke. Eu fiquei com nojo de mim mesma... – Castiel e Caronte riram como se eu tivesse contado uma piada, mas eu realmente havia ficado com nojo quando vi a mim mesma fazendo vários tipos de coisas... de vários modos.

− Eu também não ia gostar disso ... – Disse Castiel mexendo a cabeça como se tivesse um inseto em seu cabelo do qual ele queria se livrar.

− Sei não ... – Caronte começou  − Você até que é gatinha .

   Com essas palavras eu cai na risada. Era engraçado me ver gargalhar daquele jeito quando fiquei anos sem dar sequer um sorriso de verdade.

− Você é o cara mais simpático que já conheci.

− Hey, ! – Castiel protestou divertido. – Achei que eu fosse o simpático !

   Eu nem percebi mais estava abraçada com Castiel novamente e me afastei disfarçadamente quando percebi. Parecia algo tão normal abraça-lo como era respirar.

− Ahhh O amor ! – Caronte suspirou. – Me avisem se  encontrarem uma caveira bonitona , ok?!

− Já assistiu The walking Dead ? – Perguntei e ele fez jóia para mim .

− Monte de Zumbis Gostosas ! – Ele respondi e eu ri. Castiel me puxou para ele e mexeu os lábios para gesticular um “− O que é isso?” E dei um tapinha em seu peito e disse um depois eu te explico.

       O barco seguiu por mais um tempo em linha reta e depois parou abruptamente .

− Só posso leva-los até aqui.

  Eu olhei para o lugar e tinha um arco com palavras escritas em fogo nele, eu li e não gostei do que li.

− Estamos fodidamente ferrados Cass.

− Que foi ?

     Caronte olhou onde meus olhos acabaram de estar e acho que fez careta, era difícil de saber quando não se tem pele no rosto. Ele procurou uma coisa no barco e deu para Castiel. Um braço inteiro ossudo.

− Que merd.... – Antes que ele pudesse terminar eu coloquei a mão em sua boca.

− Shhhh. Vai acordar o cãozinho do Luke. – Sussurrei e ele fez que sim com a cabeça  para sinalizar que ele tinha entendido.

− Obrigado . – Dissemos em uníssono e Caronte partiu. −Caso um dia o mundo acabe em zumbis eu gostaria que ele passasse uma temporada conosco.  – Eu disse mais para mim mesma do que para Cass, mas ele pareceu concordar.

− hummm , vamos precisar mesmo dessa mãozinha. – Disse Cass prendendo a mão em seu cinto. – É melhor irmos pelas beiradas e olhar onde pisamos , qualquer barulho e a merda vai para o ventilador.
     Eu olhei em volta e tudo que conseguia ver era o arco com as palavras
Cérberus
 Escritas em fogo e folhas e cascalhos cobriam todo o chão, mesmo se tivemos muito cuidado, seria pouco.

     − Eu tive uma ideia . – sussurrei.

  Ele não ia aceitar mais não tinha muita escolha, pois dos dois eu sabia que quem tinha mais conhecimento sobre cães do inferno era eu.

−  Você me explica o caminho que vai seguir... eu distraio Cérberus e te encontro no final seja lá qual for.

    Cass quase teve um ataque.

− Enlouqueceu ? Não vou te deixar sozinha !

− Vai ter ! – Respondi de volta. – Cérberus tem seus filhotes , se nos pegarem juntos vai ser mais fácil nos cercar e se tivermos separados um vai ter mais chances de escapar.

    E esse alguém que tinha mais chance era ele. Pensei . mas não ia me arrepender, se ele estivesse fora não precisaria me preocupar com Luke atrás dele, mas mesmo assim faria o possível para continuar ao seu lado.

− Confie em mim. Eu consigo.

   Não sei se foi minha feição ou o modo com que eu disse as palavras mas ele cedeu.

− Só siga reto não importa o que aconteça. Vai ter dois tuneis e ambos vão para lugares diferentes. O direito vai para onde vamos e o esquerdo vai para a zona dos abandonados. Tudo que é esquecido, abortado e doloroso está lá. Entende ? Direito não esquerdo. Eu vou pela margem do rio e te encontro no final. – Ele pegou e me deu o braço ossudo. – Eu vou pegar mais pelo caminho.

    Estava prestes  a seguir o meu caminho quando ele me puxou e me beijou. Foi um beijo rápido, sem língua, mas mesmo assim aquele beijo enviou um milhão de sentimentos para minhas funções nervosas. Quando ele se separou ficou com sua testa grudada na minha.

− Se eu não aparecer vá sem mim. – Ele disse e quase bati nele. Castiel ia conseguir. Iriamos juntos sair dali ! Ele não podia me fazer gostar dele simplesmente para me deixar só depois.

    Eu o beijei para afastar pensamentos ruins, e não foi um beijo rápido. Foi lento, apaixonado necessitado e de língua. Se ele pensava que não conseguiria era melhor um dos dois pelo menos ter algo bom para lembrar caso um não conseguisse. Quando me afastei ele estava com um pouco sem ar.

− Não vou sem você , então é melhor se esforçar. – Eu disse e sai correndo antes que ele tentasse me convencer do contrario. Eu não tinha tempo para pensar em coisas ruins por que tinha que enfrentar meu carma astral. O Cãozinho do tamanho da minha escola que tinha três cabeças !



         

                             

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