Fugindo do Inferno - Capítulo 4


    
    Estávamos correndo em direção ao desconhecido, com um desconhecido que eu nem sequer sabia se podia confiar nele, mas mesmo assim eu tinha pego sua mão e corrido para longe de Luke do qual quando acordasse, não importava onde, quando, nem o lugar , ele me encontraria e faria coisas comigo de diversas formas e jeitos que faria me arrepender de ter fugido dele e tinha certeza que desta vez eu iria sucumbir e fazer suas vontades apenas por uma punição mais leve.
    
Corremos até os confins do inferno chamado de Cova do Basilisco  onde uns dos bichinhos preferidos de Luke estava , continuamos correndo e o homem me puxou para seus braços me levando para baixo, debaixo de um matagal tão grande que dava para esconder uma vaca nele.

- Shhhhh.  Ele sabe que estamos aqui. – Ele sussurrou e no mesmo minuto pude ver a cabeça do Basilisco aparecendo em meu campo de visão. Seu Corpo enorme rastejando pelo caminho que estivemos correndo tentando pegar o nosso cheiro ou nosso rastro.

    Minha respiração estava irregular, muito diferente da dele que estava em perfeito estado. Eu corri. Muito nesses anos com asma e mesmo assim não conseguia manter a respiração uniforme ou me manter calma como ele. Tudo que consegui pensar era o que Luke faria comigo. Todas as vadias que faziam todas suas vontades tinham sido reduzidas ao pó num instante apenas por ter me visto olhando outro alguém que não era ele. Então o que ele faria comigo por ter fugido com esse homem? O que faria e quanto tempo isso duraria ? Eu sabia a resposta, mas não queria pensar ou dizer em voz alta.

   - Não pense nisso demais, ele vai vir atrás de seus medos. – Ele sussurrou me fazendo temer que ele estivesse lendo meus pensamentos. Ele . Não Luke.

    – Como você sabe? – Sussurrei de volta.

     – Tenho uma vasta experiência com demônios , mais do que gostaria. – Disse sério, sem nenhum tom de brincadeira e um pouco triste. Algo me dizia que Luke tinha algo a ver com isso , pois se não , por que outro motivo ele atacaria Luke?

     – Eu sei, Luke é mais irritante do que parece. – Ele pareceu confuso no começo, talvez por que eu tinha adivinhado do por que de tudo isso estar acontecendo, mas não pareceu irritado e sim levemente aliviado. Pois não precisou explicar a estória longa que provavelmente era igual a minha. Não havia tempo para essas futilidades como conversar quando se está fugindo de um demônio e de uma cobra do tamanho da sua escola.
    
Ele pegou na minha mãe e senti algo que não sentia a muito tempo. Confiança. O poder que um simples toque havia me dado poderia ser minha maldição, por que talvez, se não conseguíssemos.... Não pensei mais nisso. Teria que evitar ao máximo em não pensar em nada que fosse negativo.

    Eu retribui seu toque a apertei com mais força.

– Você vai ter que me explicar algumas coisas depois.

     Ele olhou para o lado tentando ver se o Basilisco estava longe o suficiente para poder continuar com seu plano do qual eu não sabia qual era e depois mordeu seu lábio.

– Tudo bem....

   O chão tremia abaixo de mim. Pequenas vibrações abaixo de meus joelhos de algo próximo se aproximando. Olhei para ele e parecia que não tinha percebido o mesmo que eu e o puxei pelo braço o fazendo ficar de pé e quando firmei meu pé na terra com força, fumaça saiu bem abaixo de mim.

– Seja qual for seu plano é melhor ir rápido por que ele está vindo ! – Gritei sem medo. 

Ele olhou para os lados freneticamente e depois grudou em mim e saímos correndo novamente.

– Não é o Basilisco ! – Ele gritou. Não era uma pergunta.

      Minha bílis subiu e pude sentir o bafo quente em meu pescoço e uma voz dizendo “– Eu sei onde você está !” de Luke.

    A cada pisada a terra rachava e fumaça saia dela. Luke estava vindo com seu fogo bem atrás de nós.

– Luke! Ele sabe onde estamos ! – Gritei ficando cansada enquanto meu coração bombeava tão forte que não conseguia saber se o barulho que estava ouvindo era do meu coração ou da lava estalando.

    Passamos por matos e árvores secas e ao longe dava para avistar o fim. E era nada. Como se tudo que estivemos passado fosse em vão. Não havia continuação na nossa fuga, por que não havia mais trilha. Mas a cada corrida dava para ver uma borda no chão e um brilho estranho saindo dele.

– Pulamos ok?!

  Pular? Pensei, mas pular aonde? Ou melhor no que?

     A terra rachou formando crateras e tirando nosso chão, mas nada estava perdido ainda por que ainda tínhamos pedaços para pisar. Eu escorreguei e o homem me puxou antes que eu tivesse a chance de cair no fogo do inferno, foi quase, mas nesse quase havia dado para sentir o bafo quente da morte em meu rosto.
  
   Chegamos ao final e ao ver minha alternativa quase dei para trás.

    Ninguém passava por lá. Nem ao menos Luke quanto mais nós. O mar de almas . Onde só um podia passar. O barqueiro da morte. Carronte não era muito conhecido na época dos tempos atuais , mas isso não o tornava menos real. Você tinha que ter algo que ele queria e infelizmente sabia que nenhum de nós tinha muito a oferecer, a não ser que ele gostasse de homens bonitos de aparência angelical ou de garotas que cheiram a Luke’s Hell .

    –  Você é maluco? –  Perguntei histérica . –  Eu nunca vou sair dali depois de entrar !
–  Eu tiro você ! –  Ele gritou de volta me puxando mais perto da borda.

 Luke gritou  meu nome e olhei para trás vendo um redemoinho do mal vindo em nossa direção, só que no lugar de ser feito de vendo, era feito de terra e fogo.

–  Ou eu, Ou Luke. Escolhe !

      Como um homem podia jogar tão sujo?! Mas foda-se . Ele venceu vou com ele.
   Preparando meu corpo e puxando o máximo que pude de ar , segurei sua mão e pule. Levou um tempo para perceber que não tinha água, somente almas a minha volta, mas mesmo assim não podia respirar e pouco que conseguia me mexer não dava para fazer muita coisa. Consegui nadar um pouco para cima mas algumas almas agarraram minhas pernas me puxando para baixo. Derrubei lagrimas tristes quase aceitando meu destino onde Luke colocaria fogo onde eu estava e me arrastaria para ele pelos cabelos. Mas meu anjo apareceu. Brilhando em meio a escuridão, nadando em meio as almas e me puxando para cima. Eu não podia descrever exatamente o que senti, mas sentia uma surpresa e felicidade tão grande, que quando minha cabeça surgiu na superfície quase o beijei e teria o beijado se houvesse tempo.

– Você é doido ! Achei que ia morrer lá ! – Não era uma reclamação, mais um desabafo incontrolável.

   E por incrível que pareça ele riu e tive o instinto de bater nele achando que algo havia se apossado de seu corpo.

– Não sei por que, eu disse que te tiraria de lá! – Disse como se fosse óbvio que eu deveria confiar nele. “ besta”.

      Ele envolveu minha cintura com seu braço enquanto ergueu o braço livre segurando uma moeda enorme de ouro e me perguntei onde diabos ele tinha tirado essa coisa? E que eu não devia me surpreender tão facilmente. Ele chacoalhou e começou a dizer alguma coisa em outra língua enquanto um barco se aproximava, e não era um braço qualquer.

– Você está brincando comigo ?! justo ele !

–  Tem ideia melhor ? Sabe como foi difícil conseguir uma moeda da Grécia antiga?

 Eu não respondi e ele não esperou pela resposta., apenas jogou a moeda e o Barqueiro  a pegou com um movimento gracioso de seus dedos ossudos e depois ofereceu a mão para ele subir e logo foi minha vez. Eu não sabia se deveria me sentir aliviada por estar no barco ou alucinada .  Eu ia pegar carona com o mensageiro da morte com um cara que eu nem sequer conhecia!

      Ele disse mais umas palavras e o barqueiro seguiu suas instruções e foi em frente.

– Que coisa foi essa?

– Linguagem dos mortos . – Disse como se eu tivesse perguntado sua comida preferida.

– Como você sabe falar?

– Estou lá a mais tempo do que parece...

    Ele me abraçou e levou minha cabeça ao seu peito como se fossemos um casal apaixonado passeando de barco numa noite romântica .

– Você é tão estranho...

Ele riu.

–  Estranho  é tudo que tive em muito tempo.

Me abraçou mais forte e colocou um beijo no topo da minha testa e pela primeira vez na minha vida , me deixei confiar em alguém ... pelo menos por enquanto. 





                                      


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