Natal Infernal




  Natal Infernal

   

             Prologo:
 O   Natal é uma data para se comemorar  e passar o tempo pensando mais nos outros do que em sí mesmo, aproveitar o tempo e a família que se reúne nesta data tão importante, mas nem sempre coisas boas acontecem em datas especiais. Existem pessoas.... que não podem dizer ou fazer o mesmo. A vida não é boa com todos e as vezes eles decidem resolver isso com as próprias mãos, tomando o que a vida lhe negou.

                                              Parte 1:

                                           
    Papai Noel não Existe:

Desde pequena quis saber do por que Deus havia me feito assim, me deixado assim neste estado deplorável . E chegou o dia em que me perdi em pensamentos e pensei que talvez a culpa não fosse dele... que a culpa era do mal. Alguém tão ruim que colocou uma criança que não pediu para nascer, na rua, sozinha, dependendo de sua mutação para sobreviver. Isso ai ! Eu sou uma metamorfa e dava graças e pelo menos ter isso para sobreviver. Não sei quem são meus pais e por que me deixaram na rua. Tudo que conseguia lembrar era de estar frio a muitos anos atrás. A neve caia sobre mim e o mal podia sentir meus próprios dedos, eles estavam duros e de uma cor acinzentada . Não sabia meu nome ou simplesmente ninguém teve a preocupação de me dar um, por que pessoas só classificam aquilo que eles tem um certo apreço . Como quando você dá um nome a um animal. Ele não faz muita coisa para merecer um nome , mas mesmo assim você dá por que simplesmente o amor no segundo em que colocou os olhos nele.
      Eu queria ser um animal. Pelo menos teria comida e não precisaria ser algo, ou alguém que eu não era.

      Havia andado horas ou talvez dias até um senhor me encontrar enterrada pela neve quase morta e cuidar de mim. Num momento de ilusão pensei que o mundo ainda tinha uma chance mesmo que remota de ser bom, mas havia me enganado infelizmente. Sim, ele cuidou de mim, mas era mais pelo bem de seus desejos do que pela minha saúde. Era engraçado pensar que mesmo pequena e burra eu conseguia ter facilidade de reconhecer o perigo logo de cara, mesmo sem ter vivido muito, ou ter interagido com pessoas. Eu não gostava das pessoas. Elas eram estranhas, nunca seguiam um padrão, sempre faziam coisas diferentes com pessoas diferentes. Falavam em tantas línguas, jeitos e de expressões diferentes que não dava para saber o que era verdade ou mentira ali. Monstros como eu, embora nunca tenha encontrado com outro ser igual a mim, seguiam um padrão , eu seguia. Me escondia, ficava invisível aos olhos dos outros e quando me dava ao luxo me transformava neles para tirar algo que me fosse útil de suas casas. Como comida.
     
   Na noite em que comecei a melhorar e meus dedos voltaram a um tom parecido a normal o velho veio me procurar. Não sei quantos anos eu tinha ou ao menos quantos tenho agora, mas sabia que não era uma idade apropriada para um senhor daquela idade fazer coisas com alguém da minha.

- Agora que você esta melhor posso ver o quanto tenho uma menina especial.- Ele disse num sussurro embora não precisasse pois ele morava sozinho. Ele tinha um olhar estranho no rosto, quase como se estivesse faminto.

    Eu olhei para os lados tentando ver alguma saída próxima e ele havia percebido. Naquele tempo eu não sabia o que ele ia fazer , mas tinha um forte sentimento que gritava dentro de mim para sair de lá o mais depressa o possível. Que algo ruim iria acontecer... mesmo que não ocorresse como ele queria.

- É natal . Você não vai querer deixar um velho sozinho que te ajudou numa data tão especial, não  é ?! – Disse passando a mão pelo meu ombro e descendo levemente. Entrei em pânico e corri para a porta, mas ela estava trancada, pensei em sair pela janela mas ele me agarrou antes de conseguir ter uma chance de sair. Ele agarrou meu braço tão forte que tive que chutar seus joelhos para que me soltasse, Como ele já tinha uma idade avançada não resistiu e caiu sobre uma arvore cheia de luzes. Ele se levantou de novo enquanto eu destravava o trinco da porta e me pegou . Eu não lembro muito do resto, mas lembro das partes marcantes que era o importante para minha vida atualmente. Comecei a passar mal, minha pele parecia gelatina e meus dentes doíam tanto que tive que morder algo, bem forte. A escolha logicamente não foi de proposito , eu queria morder algo resistente e ao mesmo tempo macio, então mordi o velho. Depois tudo ficou nublado e quando acordei ele estava morto e eu coberta de sangue. Fui ao banheiro me lavar e me horrorizei com o que tinha visto no espelho.
      Eu havia me transformado no velho, com bochechas , a pele flácida e coberta com rugas e um cheiro estranho de morte pairando no ar. Fiz o que qualquer criança faria na minha situação , eu chorei e pedi perdão a um ser que naquele tempo eu não sabia nem sequer o nome. Quando consegui me acalmar voltei ao normal e sai da casa levando umas coisas que me seriam uteis como roupas e alimentos. Depois daquele dia comecei a odiar o natal e as pessoas. Com os passar dos anos aprendi a me transformar e a voltar ao normal e decidi que era hora de ter uma nova forma e quis ter a forma então de um homem forte e de boa aparência. Que naquele tempo era um homem alto com cabelos e olhos castanhos de um porte físico perfeito. Não era minha preferencia, eu gostava de ser e parecer como uma moça, mas corria risco demais na minha forma natural. Um tarado não pensaria duas vezes antes de pegar uma garota sozinha e indefesa num beco escuro, já um homem.... era menos do que provável.

      Hoje já não sou enganada pela humanidade, na verdade é justamente o contrario. Estou sim na rua, mas já tenho meus planos e tinha a vitima perfeita. Tinha cansado de ser a garota metamorfa de rua, eu queria ter uma casa, uma família que me parecesse segura e que não fosse perigo nenhum para mim e depois de semanas havia encontrado a garota que ia substituir.

   Alysha B.MacGuire . Uma garota que tem tudo. Uma mãe, um pai que a amam, uma casa segura, um carro, dinheiro, tudo que era considerado um paraíso para qualquer garota de rua. Mas ela não dava valor. Ela gritava, xingava e sempre queria mais, mais dinheiro, mais namorados, mais tudo. E ia por um fim nisso , fazer todo mundo feliz. Eu teria um lar e os pais dela teriam A filha que eles desejavam. Uma filha que daria valor pelo suor que eles davam em troca das coisas materiais e tudo aconteceria exatamente agora !
   
        Entrei no beco onde ela estava fumando meio doida e sorrateiramente amarrei uma corda em sua jugular e apertei. No inicio ela não teve reação, provavelmente pelo alto uso de drogas, mas depois ela começou a se debater e tive que bater nela, com força. Eu não queria me sujar , mas com minha força sobre humana era impossível e minhas calças novas foram manchadas. Por sorte a dela ainda estava em bom estado então as peguei antes de por fogo ao corpo. Eu não era má, pelo menos era o que eu queria acreditar. Tudo que eu queria era ter um lugar seguro onde ninguém tentaria me matar, abusar de mim enquanto durmo. Eu queria estar segura, nunca mais precisar lutar , roubar ou fazer qualquer coisa do tipo, queria ser só uma garota que deixa os pais cuidarem dela, estudar, ter um emprego e uma família, tudo que o mundo havia me negado e eu estava pegando de volta. Tomando o controle. Ninguém desconfiaria . Ela seria apenas um acidente, ninguém daria falta já que no seu lugar teria uma mais nova e melhorada versão de si mesma. Não haveria Alysha desaparecida. Haveria Eu no seu lugar e finalmente eu poderia odiar menos o natal e o tal do Papai Noel que faz com que crianças sentem emseu colo enquanto ele promete brinquedos que nunca virão por suas mãos. Eu não acreditava nele, ele era uma farsa e arrancaria seu coração caso o encontrasse, por fazer crianças sonharem com algo que não existe.

      Cheguei a acreditar nele uma vez. Pedi uma família e um lugar para estar segura e isso nunca chegou , agora eu estava tomando isso de alguém que não merece. Era injusto eu sei , mas o mundo não é justo . Uns tem demais e outros de menos. Se o mundo fosse justo eu não precisaria fazer o que estou fazendo. Eu teria um lar e a verdadeira Alysha estaria num lugar apropriado para seus costumes, algum buraco do qual podia manter seus vícios.

      Depois do corpo estar irreconhecível eu segui em frente seguindo o caminho da minha nova casa.

- Não posso deixar minha família esperando... é natal.


                                                                                                     
                    Continua....

              

                                   

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