Fugindo do Inferno - Capítulo 3

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

     O calor estava infernal hoje, não que isso me incomodasse, não mais pelo menos. Quando cheguei aqui pensei que tudo que teria que enfrentar era o bafo infernal de Luke no meu pescoço. Claro que isso também me incomodava.  Havia demônios lá, almas atormentadas e outras coisas do qual eu não era capaz de classificar, só havia quatro coisas que eu podia classificar 1: Luke no inferno; 2: Cerberus, mais conhecido como o cão supremo do inferno,  a diferença deste era que ele tinha três cabeças e tinha o tamanho da minha casa,  os outros tinha o tamanho de um cão comum com uma só cabeça.; 3: demônios e 4: Esse realmente irá te surpreender.  Luke tinha um Basilisco! Isso mesmo! Luke tinha uma cobra gigante comedora de gente e olhos amarelos do qual você não podia olhar em nenhuma hipótese.  Ele a usou recentemente para me fazer ir para cama com ele, não que eu tivesse muita escolha mas mesmo assim resisti e passei as últimas duas semanas fugindo das " cobras " de Luke.

         Não podia descrever ao certo o inferno em sí, mas se fosse para descrever diria que era quente, que tinha um mar de fogo infinito, que no lugar de peixes demônios havia almas que te puxavam para baixo, diria que havia demônios que o açoitariam para trabalhar e independente de fazer ou não, eles fariam de qualquer modo por que achavam divertido o jeito que seu sangue saltava de seus ferimentos,  a dor que faria qualquer pessoa matar as outras só para fazer com que a dor passasse. O tempo também passava de modo diferente. Aqui o tempo passava lentamente e parecia levar dias para um só dia terminar. Isso era o pior. Estive pensando em como sair daqui e sei que Luke sabe como, mas nunca irá me dizer. Mas tive um pensamento que o caminho para me tirar do inferno ficava na cova no Basílisco.  Afinal quem pensaria em entrar lá furtivamente só por diversão ou mera curiosidade?!

           Não pensem que só por que estou no inferno isso muda minha linha de raciocínio ou meu jeito orgulhoso e desenfreada de ser, pois não mudou nada. O inferno muda as pessoas, mas eu não podia ser uma pessoa normal. Uma pessoa normal não podia ser levada de corpo e alma ao inferno sem nem mesmo ter barganhado sua alma ou ter morrido enterrado em pecados.  Eu não era nenhum desse tipo de pessoas citadas acima. Minha mãe era um demônio. Eu tinha certeza agora. Depois de passar três semanas aqui percebi o jeito que demônios agem em possessões,  eles gritam, fazem as pessoas se automutilarem,  machucar as pessoas que amam e até se suicidarem.  Mas nunca, jamais, podem levar uma outra pessoa ao inferno.  Nem mesmo se possuir seu corpo a alma não se torna deles. Eles podem não saber, mas eles não pertencem ao Luke ou a ninguém, o problema era que eles estavam ocupados demais fazendo as vontades do mal e sofrendo para pensar claramente.

           Eu estava distraída olhando um homem loiro alto e bonito, mas vocês não deviam me julgar, afinal quem está no inferno é para se foder mesmo. Mas eu não o estava olhando simplesmente por que queria seu corpo nu e sim por que ele estava sendo açoitado  sem motivo nenhum. Eu queria ir lá e bater em todos e tira-los de cima do homem loiro, mas da última vez que o fiz um pobre homem sofreu o dobro na mesa de tortura. .. Então fiquei olhando sem ter uma arma que funcionasse direito com eles, demônios não podiam ser mortos pelo menos no inferno. Eu tentei. Se pelo menos soubesse onde achar alguma coisa.  . . .- Luke me tirou de meus devaneios com suas amantes.  Ele não podia pegar meu corpo a força inexplicavelmente,  mas isso o deixava irritado então ele chamava seu esquadrão de amantes para uma espécie de suruba.  Era engraçado,  a primeira vez que presenciei me lembrei de um filme onde achar disseram que cobras se juntam num ninho só e ficam praticando o coito.  Só não me lembrava se era uma fêmea para vários machos ou se era várias espécies, mas o pensamento me fazia rir. Eles de certo modo eram assim, um ninho de cobras.  Luke estava deitado numa rocha olhando para mim com certeza irritado pela minha diversão solitária,  ele parecia ficar constantemente irritado quando eu não ficava irritada de ser maltratada em vez de correr para sua cama como uma espécie de refúgio.  Talvez eu gostasse de sofrer.  Talvez fosse por isso que eu não me rendia de uma vez,  por que eu gostava no fundo de sofrer, por que eu não gostava das coisas do jeito fácil, por que não teria graça de ver a expressão do rosto de Luke quando eu não fazia o que ele esperava.

        Enquanto uma amante loira o beijava, outra morena segurava seu membro enquanto uma ruiva acariciava Luke e a si mesma. Ele é bonito,  moreno, alto de cabelos negros lisos e olhos verdes de cor de esmeralda,  mas era só isso, um cara bonito e nada mais. Um homem sem atrativos e conteúdo. Luke era uma das razões por eu não ter tido vontade de perder minha virgindade.  Por que existia homens demais iguais a ele. Só um rosto bonito e nada mais.

       Olhei rapidamente para o outro homem que estava agora jogado no chão quase se afogando em uma poça feita com seu próprio sangue, ele levantou como se fosse normal aquilo e olhou para mim. Diretamente para mim. Seu cabelo estava vermelho agora coberto de sangue e suas costas mutiladas,  mas a dor não chegou aos seus olhos azuis. Um azul tão limpo e profundo que se olhasse poderia me afogar neles. Eu queria perguntar se ele estava bem,  mas antes que o fizesse ele me deu as costas e foi embora. Parecia um anjo...  Caído mas mesmo assim um anjo, e na mesma hora percebi que se conseguisse sair o levaria comigo. Não sabia ao certo o motivo, mas fosse o que fosse seria por um bom motivo.
        Quando voltei a olhar Luke as amantes estavam mortas.  Seus corpos sem vida aos seus pés e o olhar negro dele me dava a mera sensação de que ia passar a noite fugindo de Cérberus desta vez. Não demoraria muito para elas levantarem,  mas sabia como ninguém que mesmo a morte rápida que Luke nos dava doía como um pedaço do inferno.

   - Vá ao meus aposentos agora!  - Ele ordenou e fiz o que ele pediu,  não por que estava com medo,  mas por que não tinha vontade de perder minha pele hoje. Principalmente por que não sou uma alma, um espírito como os outros. Eu tinha um corpo e isso fazia a dor seu milhares de vezes pior.

         O quarto de Luke era bem luxuoso com cortinas caras e pesadas de tom de sangue,  sua cama era enorme e tinha vários travesseiros sobre sua cama com lençóis negros. Não tinha guarda-roupa,  mas não precisava já que ele mudava estranhamente de roupa num piscar de olhos. Tinha uma Tv de plasma colada na parede e um mini bar num canto.  A primeira vez que vi pensei que teria uma mansão no meio do inferno com Cérberus na sua porta.

        Quando entrei tomei um tapa no rosto. Não tinha sido o suficiente forte para tirar sangue, mas deu exatamente como se tivesse.

 - Eu disse que quando estivesse com minhas amantes você teria que nos observar- ele disse numa voz macia e sedosa.  Quem não o conhecia poderia pensar que o tom de voz que usava era para seduzir, mas na verdade era para causar desconforto.

         Levando minha mão aonde havia levado o tapa o encarei sem nenhum tipo de sentimento e fiz uma expressão neutra. Como se nada mais pudesse me surpreender ou me causar efeito.

 - Não pode me culpar por não olhar.  Você mesmo em atos sexuais parece banal, já vi humanos serem muito mais excitantes.

         Ele me olhou longamente e esperei outro tapa que desta vez não veio. No lugar disso sua Expressão se tornou curiosa.

- Não se sente excitada ou desconfortável quando as vê me tocando ? - perguntou duvidoso. Logicamente Luke se achava o melhor do muito no assunto relações sexuais, mas na verdade ve-lo com outras mulheres não me causava dano algum já que ele não era nada meu e eu não era nada dele há não ser vítima de suas vontades.

- Na verdade, não sinto nada. Só penso que elas tem muita força já que conseguem fazer algo que nunca conseguiria fazer. . . Com você pelo menos.

          Ele desabou em gargalhadas.

- Tola ! Duvido que não sinta nem uma pequena curiosidade em saber como ficaria se fosse você me tocando.

          Desta vez eu ri, descaradamente.

- Não nessa vida desculpe. Me conheço melhor e sei que teria coragem de fazer com qualquer alma presente aqui desde que não fosse você.

         Luke ficou vermelho de ódio se lançou sobre mim tentando me beijar com sua língua invasora e se enfiando entre minhas pernas. Eu já tinha pego o jeito.  Mesmo que isso significasse que dormiria com o cão do mal eu faria.  Me apartei de Luke e ri mais descontroladamente.

- Se nem com seus beijos consegue acender uma mulher que nunca foi tocada por um homem, duvido que consiga com seu pênis. - disse ainda rindo de raiva. - Você é patético! Não consegue nem perceber quando uma mulher não sente desejo por você!

         Sua irá piorou e percebi que ele tinha pego meu plano.  Se ele destruísse meu corpo, não teria mais minha alma estaria livre. Mas ele nunca iria deixar isso acontecer. Ao invés de me castigar ou me esfolar viva desta vez ele me algemou em sua cama.

- Agora vamos ver como você se comporta! - Ele disse levando a mão ao seu membro. Obviamente falar mal do empenho de um homem com suas atividades sexuais os deixam louco, mas não o suficiente para me matar. Mas fosse lá o que ele faria ou o que eu sentiria daqui para frente, faria questão que ele soubesse que não está na minha lista desejos.

       Luke ficou se acariciando até seu membro ficar totalmente ereto e se deitou sobre mim. Senti medo,  mas não como antes pois sabia que se ele me tomasse não me causaria dano suficiente como o tinha feito nessas semanas. Ele ergueu minha saía com a mão e pude sentir a ponta me tocando entre as pernas, mas antes que ele pudesse consumar o seu feito o homem loiro entrou e rapidamente enterrou uma adaga no peito de Luke e o chutou para longe de mim. Eu não sabia o que aconteceria a seguir, mas não precisei pensar muito sobre isso, pois o mesmo homem puxou um machado e quebrou as algemas.  Esfregando o pulso que doía e tinha agora manchas roxas em sua volta , levantei só pra ele agarrar meu braço com pressa.

- Vamos antes que ele levante ou tenho certeza que não terei pernas mais tarde. - E sem mais nenhuma palavra corremos em direção ao desconhecido.






          




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