Fugindo do inferno - Parte 2

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

   Parte 2



          Minha mã....quer dizer.. ' Ela ' me deu uma carona até sua nova casa, ops...mansão gótica e me seguiu por todo o caminho.

     - Você não pode fugir para sempre.  - Ela disse e eu quase ri. Desde pequena vi coisas ruins,  pessoas ruins,  mas não passava disso. Depois que completei 15 que o caldo engrossou, eu não só via, como sentia,  para começar a fugir  depois de uma visita de nada mais, nada menos que o senhor das trevas.  Ele havia tentado a me persoadir a me entregar a ele e vender a alma de minha mãe assim como ela fez comigo,mas resisti. Por que o safado teria duas ao invés...bem, não posso dizer uma  por que não pretendo entregar minha vida tão cedo e se ele quiser vai ter que arrear mais as calças.

           - Espere e verá. - disse subindo as escadas de madeira com demonios esculpidos nela. Estava certo que ela tinha feito um trato com o demo, mas isso não era motivo para transformar a casa num santuario satanico. - Você tem um gosto do demonio. - disse esgotada. Fazia tempo que não dormia a noite, deixava isso para a luz do sol mas nem sempre funcionava.

       Não olhei para trás nenhuma vez, mas podia sentir um sorriso em seu rosto.

      - Obrigada.  - Disse agradecida.  - Espero que engula seu travesseiro.

        Tentei não ligar pra seu comentario e rezei para que isso não acontecesse de novo. Cheguei a quase morrer realmente com um travesseiro na cara,  mas a culpa foi dela que encheu a casa com almas peturbadas. Ela só decidiu se livrar deles quando começaram a ir atrás dela. " Vadia "
  
        Entrei no meu quarto e preparei um banho e fiquei jogada debaixo do chuveiro. Eu gostaria de pensar que aquilo lá embaixo, acendendo suas velas negras não era minha mãe, e sim um demonio que a tinha possuido, mas ninguem fica possuido por tantos anos. Eu pesquisei. Se uma pessoa está possuida é só uma questão de tempo até seu corpo morrer e tudo que sobra é uma casca vazia com um demonio. Claro...que depois que sua alma se vai, a pessoa fica impossivel, cria poderes, forças sobrenaturais e uma dieta de vermes. Aquela coisa era a minha mãe e apostava que ela estava tendo relações sexuais com o senhor das trevas, por que de uns tempos para cá minha irmã mais nova começou a criar habitos infernais,  como tentar me jogar da escada, me envenenar e comer bichinhos que rastejam. Eu não sabia se ela era demoniaca ou apenas criou esses habitos por influencia ' dela '.  Mas no fundo acreditava que era issi mesmo, ela era filha do mal e eu do bem , e seja lá quem for o pai dela não era o meu pois ele havia morrido quando eu tinha 9 e minha irmã só tem 10 anos,  enquanto eu sou uma adulta de 20 anos.

            Não mais uma criança. Consegui terminar o ensino medio e tinha arrumado um emprego,  mas.... ( novamente o ' mas ' ,)  infelizmente vai ter muito mas.... por aqui. - Meu emprego foi para o brejo quando um demonio estrupador entrou no corpo do meu chefe e tentou, novamente Tentou, fazer algo comigo. Não conseguiu por que posso ser uma garota,  porem sei bem me defender e depois disso perdi o emprego.
          Tudo culpa de Luc, por que ela ama transformar minha vida num inferno.

          Fiquei debaixo da água até acabar a água quente e depois sai enrolada em meu roupão e encontrei Luc deitado em minha cama. Nu.  Não olhei para ele  mas me sentia desconfortavel de ter um cara nu na minha cama. Coloquei minha roupa sem ligar se ele viu ou deixava de ver alguma coisa, se ele ia jogar um demonio, fantasma ou almas em cima de mim era melhor estar vestida para enfrentar a coisa. As vezes pensava que na minha vida passada eu colei chiclete na cruz  . Mas novamente a culpa não foi minha, era dela. Por que até onde eu lembre....não pedi para nascer e se pedi, gostaria que Deus não tivesse dado importancia.

         - Não tem nada melhor para fazer do que ficar nu num quarto que não é seu.  - Disse dessa vez olhando para ele, não dava para ficar de costas para uma cobra por muito tempo.

         Ele sorriu. Um sorriso maligno que encheu seus olhos verdes com algum sentimento que eu desconhecia. Luc levantou um braço e estendeu a mão revelando um punhado de ervas que eu coloquei no batente da porta. Para não deixar demonios entrar. O problema em questao era que Luc não era um demonio, era um anjo, caído mas ainda sim não poderia ser considerado outra coisa.

       - Você me surpreende a cada dia. - disse com sua voz aveludada e mascula.

        Ele se levantou e andou com sua ... musculatura perfeita nem sequer se preocupando em vestir -se. - Você parece cansada para uma jovem. O que foi, não anda dormindo direito?  - disse passando a ponta dos dedos sobre minha bochecha. Tentei fingir que não ligava de sua ' Coisas ' estarem bem a minha frente e dei um tapa em sua mão. Sem medo. Da Primeira vez que fiz isso ele tentou quebrar minha espinha,  mas ela era bem flexivel para a infelicidade dele.

        - Arisca.  Adoravel .

        Antes que pudesse falar mais besteiras eu o interrompi.

      - Não devia estar fudendo a " Mãe do inferno " em algum lugar chique e cheio de depravação,  no lugar de estar me enchendo?!

         Ele sentou -se em minha cama e balançou a cabeça como um pai bravo repreendendo sua filha.

         - Te dei tantas coisas bonitas, valiosas....por que és tão rebelde? . - perguntou em seu tom arrogante.

       - Que me lembre não lhe pedi nada.  E as coisas valiosas estão com Astrid, pergunte para ela. Tude que tenho consegui com meu proprio esforço, teria mais se você não fosse intrometido.

         A porta se abriu e minha irmã entrou segurando o gato da vizinha. Seus pelos cinzas e adoraveis,  agora estavam faltando em algumas partes e seus olhos... antes azuis,  estavam cinzas e opacos sem vida. Ele estava morto.
        Ela entrou chacoalhando aquilo como se fosse uma boneca de trapos e sentou no colo de Luc e o abraçou. E ele estava nu!!!!

        Tentei não parecer chocada com aquilo sobre ela estar sentando no colo do mal e segurando um gato morto. Tentei fingir que aquilo era normal..

      - Por que não pode ser igual à ela? - disse olhando para mim.  Zombando de mim. Ele gostava de me ver assim, sofrendo, me vendo paralisada de horror. Minha bilis subiu e senti o gosto amargo na boca. Andei em direção a minha irmã tomando o gato de suas mãos e lhe dei um tapa,  um tapa que doía mais em dá -lo do que te -lo recebido. Lily ficou louca e tentou me atacar só para levar outro tapa e ser jogada para fora do quarto.
        Ela socou,  gritou e esmurrou a porta até Astrid chegar e a levar para longe. Para ensina - la alguma coisa à mais de ruin para fazer.

          Eu chorei. Não pelo tapa, mas pelo pobre animal. Que era o unico inocente ali, o unico igual a mim  Do qual sofreu sem ter culpa. Quis jogar uma bomba na casa e acabar com tudo para salvar o mundo deste sangue ruim.

         Quando Luc sorriu finalmente de satisfação por ter me feito bater numa criança, bati nele também. O tapa o pegou de surpresa, de tanta surpresa, que por alguns minutos ele não esboçou nenhuma reação mas quando o fez senti que ia me ferrar. Mas não ia dizer que estava arrependida, pois seria mentira.

       Luc apontou um dedo para mim e não houve tempo nem sequer para piscar e eu estava colada na parede,  com as pernas longe de tocarem o chão.

       Seus olhos se tornaram totalmente negros e quarquer traço de que um dia ele já foi algo parecido com um homem,  desapareceu. Luc agora era a besta do inferno.

      Sentia uma dor horrivel em meus ossos, como se eles tivessem inchando, crescendo e curvando - se para lados opostos que deveriam estar. Há está altura era dificil  conter os gritos de horror que vinham não só de meu corpo, mas também de minha alma.

     - Por que não desiste?  Não se rende de uma vez!  Você é só uma humana idiota e fragil! - ele gritou com uma voz rouca e sobrenatural. A voz não saía apenas de seus lábios,  como tambem ecoavam pelo quarto.  Tive que juntar um tanto de forças para gritar de volta. Forças que vinham do meu orgulho. Podia não ter conhecido a Deus, mas ele seria o unico que me faria abaixar a cabeça.

      - Não desisto, Por que não sou você!  - Gritei e cuspi na cara dele. - Você é um fodido infeliz que gosta de ver pessoas felizes sofrerem por sua causa!

       - Você sabe o que posso fazer com você agora?

      Ele desviou do assunto. Fodido Luc, ele nem sequer se defendeu por que sabia que era verdade.

      - Você pode me quebrar Luc. Pode pegar minha familia e enfiar na sua bunda se quiser, pode me matar, estrupar,  torturar  , mas minha alma nunca será sua. Não nessa vida.

            A dor se intensificou mais e um jato de sangue saiu do meu corpo, uma parte que nem mesmo eu podia identificar. Doía tudo. Podia estar saindo sangue de todos os lados que eu continuaria Não sabendo de onde estavam vindo por que meu unico foco era a dor e encher os ouvidos de Luc, Xingar bastante ele, antes que pudesse morrer.

        Luc . Embora fosse o senhor das trevas, ele não podia ter tudo. O mal não podia ter tudo, por mais que quisesse. Por que se ele pudesse,  todas as almas, boas e ruins estariam no inferno numa grande mar de fogo, mas não tinha. Por que ele induzia as pessoas a venderem a alma?Simplesmente por que não podia tê -las. Mas no meu caso ... eu estava fugindo do inferno. Por que ele realmente podia me levar . Eu não entendia. Ele não poderia me levar  , mas pode. Não sei o que ela fez ou que feitiço usou mais era fodastico, Claro!  que minha mãe apenas estava feliz de sua filha sofrer no lugar dela. Plano de Luc imagino.  Uma hora ou outra ela estaria no inferno junto de suas filhas. Por que ele era o rei dos reis da mentira. E dava para ver que ela estava com a perna no inferno, enquanto eu só os pés.

       Luc sorriu novamente com algo que viu. Talvez fosse meu sangue, ou... alguma parte do corpo que havia se separado.

      - Você parece ter tanta certeza disso.

     - Pode me levar, mas você sabe....- Saiu um jorro de sangue - que não ...dever...ia. - outro jorro - Que eu v...ou sair de...la e acabar com vocês....- Minha garganta fechou engasgada com alguma coisa ou com alguma parte de mim e por um breve momento me deixei levar. Deixei as sombras me envolverem como uma noite calma antes de uma tempestade. A dor desapareceu e tudo estava calmo e meu corpo flutuava em direção à uma luz.

" É o céu" - Pensei esperançosa. Esperando que tudo que havia passado até agora... estivesse acabado.

        Uma voz zombou de mim gargalhando infestando o ar com enxofre e minha esperança desvaneceu. A luz foi ficando mais forte e mais quente como se eu estivesse sendo levada ao sol.

 Não era justo. Nunca havia feito nada... nada de tão ruim para estar nessa situação. ' Mas você vai voltar.' uma voz inocente cantou dentro de mim ' Vai ter que voltar e livrar pessoas boas da Astrid e Lily ' Salvar suas almas.   Algo se fincou dentro de mim criando raízes e logo estava no inferno. Pessoas gritando num fogo interminavel enquanto sombras e coisas ou o que foram pessoas a muito tempo atrás chicoteavam as costas de outras pessoas,  os fazendo andar mais, correr mais. 

    Esse era meu lar agora, mas não por muito tempo. Era uma promessa.


          







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